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Publicação inédita orienta combate aos incêndios florestais da Amazônia

Material lançado pelo IPAM reúne experiências de brigadistas e pesquisadores para fortalecer o combate aos incêndios florestais da Amazônia diante das mudanças climáticas.
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O combate aos incêndios florestais da Amazônia passa a contar com uma nova referência técnica. O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) lançou o livreto “Combate aos Incêndios Florestais da Amazônia: Florestas Ombrófilas Densas”, primeira publicação dedicada exclusivamente às estratégias de enfrentamento do fogo em florestas tropicais úmidas.

Desenvolvido em parceria com a Universidade de Oxford, a Universidade de Lancaster e a Rede Amazônia Sustentável, o material reúne orientações práticas para brigadistas, pesquisadores e gestores que atuam na linha de frente do combate aos incêndios, considerando as características específicas da vegetação amazônica.

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Combate aos incêndios florestais da Amazônia exige novas estratégias

As mudanças climáticas vêm alterando o comportamento do fogo na Amazônia. Secas mais intensas e frequentes aumentam a vulnerabilidade das florestas, permitindo que incêndios atinjam áreas que, historicamente, eram pouco suscetíveis às chamas.

Diante desse cenário, a publicação apresenta técnicas específicas para o combate aos incêndios florestais da Amazônia, adaptadas às condições das florestas tropicais úmidas e voltadas para aumentar a eficiência das operações e a segurança das equipes.

O livreto inaugura uma coleção composta por quatro volumes, que também abordarão florestas ombrófilas abertas, florestas alagadas e florestas degradadas. Os demais títulos têm lançamento previsto até o fim de 2026.

Publicação reúne conhecimento de brigadistas e pesquisadores

O material foi elaborado de forma colaborativa por cerca de 60 autores, reunindo experiências de brigadistas voluntários e institucionais, pesquisadores e representantes de instituições como:

  • PrevFogo;
  • Ibama;
  • ICMBio;
  • Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

Segundo Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM, a publicação representa um marco para o desenvolvimento de técnicas específicas de combate ao fogo na Amazônia.

“Essas florestas não deveriam estar queimando. Mas, diante das mudanças climáticas e dos eventos extremos, tornou-se fundamental construir conhecimento específico sobre como combater incêndios nesse ambiente.”

Florestas ombrófilas densas exigem técnicas específicas

As florestas ombrófilas densas representam o principal tipo de vegetação da Amazônia e são caracterizadas pela elevada umidade, copa fechada e grande diversidade de espécies.

Durante muitos anos, essas áreas foram consideradas naturalmente resistentes ao fogo. No entanto, o agravamento da crise climática tornou esses ambientes mais vulneráveis aos incêndios, exigindo protocolos específicos para reduzir os impactos ambientais e aumentar a segurança das equipes de combate.

O livreto adapta as estratégias utilizadas pelos órgãos de comando às particularidades da vegetação amazônica.

Linhas de defesa são destaque no combate ao fogo

Entre as principais recomendações apresentadas para o combate aos incêndios florestais da Amazônia está a construção de linhas de defesa, técnica baseada na remoção de materiais combustíveis presentes no solo, como folhas, galhos, troncos e raízes.

Essa barreira impede o avanço das chamas e facilita o controle do incêndio.

O material também destaca a importância da participação das comunidades locais, cujo conhecimento do território auxilia na identificação de trilhas, cursos d’água, áreas prioritárias para proteção e riscos relacionados ao garimpo, à mineração e aos conflitos fundiários.

Além disso, o livreto orienta sobre procedimentos para localizar árvores ocas, troncos em brasa e outros focos com potencial de reignição, etapa considerada essencial para garantir a extinção completa do incêndio.

Queda da área queimada não elimina riscos

O lançamento da publicação coincidiu com a divulgação do Relatório Anual do Fogo no Brasil, que apontou redução de 58% na área queimada em 2025 em comparação com o ano anterior.

Ao todo, 12,7 milhões de hectares foram atingidos pelo fogo no país, o menor registro desde 2018.

Na Amazônia, foram queimados 3,1 milhões de hectares, representando uma redução de 80% em relação a 2024 e a menor área registrada em 41 anos da série histórica.

Apesar da melhora, os pesquisadores alertam que o aumento da vegetação durante os períodos mais úmidos pode elevar o acúmulo de biomassa, ampliando o risco de novos incêndios durante futuras estiagens. A repetição das queimadas também intensifica a degradação da floresta e aumenta sua vulnerabilidade ao fogo.

Nesse contexto, a nova publicação reforça a importância da prevenção, do monitoramento contínuo e da adoção de técnicas específicas para o combate aos incêndios florestais da Amazônia, contribuindo para a proteção de um dos ecossistemas mais biodiversos do planeta.

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