A Embrapa e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançaram o Projeto Sal da Terra, iniciativa que irá promover pesquisas e a transferência de tecnologias para o aproveitamento produtivo de águas salobras em comunidades rurais do Semiárido brasileiro atendidas pelo Programa Água Doce.
Com investimento de aproximadamente R$ 21 milhões, o projeto será desenvolvido ao longo de três anos e prevê a implantação de 50 unidades produtivas em agricultura biossalina, além da capacitação de cerca de 700 agricultores familiares e do fortalecimento de sistemas produtivos adaptados às condições ambientais da região.
O lançamento ocorreu no Campo Experimental da Caatinga da Embrapa Semiárido, em Petrolina (PE), com a participação da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e da diretora de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia da Embrapa, Ana Euler.
Projeto Sal da Terra amplia o uso produtivo de águas salobras
Resultado da parceria entre a Embrapa e o MCTI, por meio do Programa Águas para o Semiárido, o projeto será executado em Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte, com apoio da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e financiamento da Finep.
Segundo a ministra Luciana Santos, a iniciativa representa a aplicação da ciência e da inovação para enfrentar desafios históricos do Semiárido, ampliando as oportunidades para a agricultura familiar e promovendo inclusão social e desenvolvimento sustentável.
Na avaliação da diretora da Embrapa, Ana Euler, o projeto reforça o papel da instituição na adaptação às mudanças climáticas, ao transformar limitações ambientais em oportunidades para geração de renda, segurança alimentar e fortalecimento dos sistemas produtivos.
Pesquisa e capacitação serão os pilares da iniciativa
O Projeto Sal da Terra está estruturado em duas frentes principais: pesquisa e transferência de tecnologia. Os estudos incluem o desenvolvimento de soluções para o uso produtivo de águas salobras, avaliação de plantas alimentícias e forrageiras tolerantes à salinidade, produção de microalgas, monitoramento da qualidade da água e do solo e pesquisas sobre sistemas produtivos biossalinos.
Na área de transferência de tecnologia, estão previstas ações como diagnósticos participativos, capacitação de agricultores, técnicos e extensionistas, implantação de unidades demonstrativas e difusão de tecnologias já desenvolvidas pela Embrapa, incluindo a criação de tilápias em águas salobras, o cultivo de erva-sal (Atriplex spp.) e sistemas integrados de produção adaptados às condições do Semiárido.
A iniciativa começou a ser articulada em 2023 durante o Semiárido Show, foi formalizada em 2025 e entrou em fase de execução em 2026, consolidando uma estratégia para ampliar o uso sustentável dos recursos hídricos e fortalecer a agricultura familiar na região.