O estado de Santa Catarina iniciou um projeto inédito para calcular de forma sistemática o PIB do agronegócio catarinense. A iniciativa é coordenada pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Cepa), vinculado à Epagri, e busca dimensionar com maior precisão a contribuição do setor para a economia estadual.
O estudo utilizará metodologias já consolidadas no Brasil, adaptadas às características produtivas catarinenses e baseadas em dados atualizados e compatibilizados.
Projeto vai preencher lacuna histórica nas estatísticas do agro
Segundo o presidente da Epagri, Dirceu Leite, a iniciativa permitirá mensurar de forma integrada toda a cadeia do agronegócio, qualificando o planejamento e a formulação de políticas públicas voltadas ao setor.
Com duração prevista de seis anos, divididos em três fases de dois anos, o projeto conta inicialmente com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), por meio do Edital CP 44/2025.
Nesta primeira etapa, o objetivo será adaptar metodologias já utilizadas em outros estados e realizar um cálculo preliminar da participação do agronegócio na economia catarinense.
Estudo incluirá toda a cadeia produtiva
Diferentemente de análises focadas apenas na produção agropecuária, o projeto também incorporará segmentos como:
- Insumos agrícolas;
- Agroindústria;
- Transporte;
- Comércio;
- Serviços ligados às cadeias produtivas do agro.
A proposta é construir uma visão mais abrangente do impacto econômico do setor em Santa Catarina.
De acordo com a analista da Epagri/Cepa, Andréa Castelo Branco, estudos anteriores já demonstraram a relevância do agronegócio para o estado, indicando participação entre 30% e 54% do PIB catarinense entre 2000 e 2010, dependendo da metodologia utilizada.
Projeto também analisará emprego, renda e cadeias produtivas
Além da mensuração do PIB, o trabalho pretende aprofundar o entendimento sobre as relações entre o agronegócio e os demais setores da economia estadual.
Para isso, será utilizada uma Matriz Insumo-Produto inter-regional, ferramenta que permitirá:
- Identificar cadeias agroindustriais com maior potencial de geração de emprego;
- Avaliar impactos sobre renda e arrecadação;
- Simular efeitos de mudanças na demanda do setor;
- Compreender a interação entre os diversos segmentos econômicos.
Segundo Andréa Castelo Branco, o cálculo do PIB, embora importante, não é suficiente para explicar sozinho o funcionamento do agronegócio.
Agro mantém papel estratégico na economia brasileira
Em nota técnica preliminar elaborada pela equipe do projeto, foram realizadas estimativas utilizando metodologias dos economistas Carlos Antonio Montoya, Joaquim Guilhoto e Umberto Sesso Filho.
Os resultados apontam que a participação do agronegócio no PIB brasileiro evoluiu de aproximadamente 20% em 2010 para 26% em 2021. No mesmo período, a participação do setor na geração de empregos permaneceu próxima de 30%, reforçando sua importância para a economia nacional.
Epagri quer se tornar referência em inteligência econômica do agro
Com a institucionalização do cálculo do PIB do agronegócio catarinense, a Epagri pretende consolidar-se como referência na produção e sistematização de informações econômicas do setor no estado.
A expectativa é que os resultados forneçam subsídios técnicos para gestores públicos, entidades do agronegócio, pesquisadores e tomadores de decisão, fortalecendo o planejamento agrícola e contribuindo para o desenvolvimento sustentável de Santa Catarina.