O 26º Encontro Técnico de Soja da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT) segue hoje (13/05) com o segundo dia de programação com destaque para o painel que apresentará uma análise profunda da última safra. Sob a coordenação dos pesquisadores Drª. Daniella Dalla Costa e Drº. Leandro Zancanaro, e representantes das regiões Médio Norte, Vale do Araguaia, Oeste e Sul de Mato Grosso compartilharão suas experiências no campo.
Na abertura, noite de ontem (12/05), foi abordado questões da porteira para fora, que impactam nas tomadas de decisões dos produtores, como a geopolítica e seus impactos no mercado de negócios. O evento segue até quinta-feira (14/05), no Hotel Gran Odara, em Cuiabá.
O diretor presidente da Fundação MT, Romão Viana, destacou que o primeiro dia do encontro técnico de soja, trouxe uma visão mais abrangente do mercado de negócios atual, geopolítica mundial e a interferências deste panorama no negócio do produtor da porteira para dentro. E segundo Romão Viana, o alto nível de conteúdo segue na programação do evento. “Esses dois próximos dias prometem muito, porque vamos abordar sobre cenários de pragas, plantas daninhas sobretudo Caruru, vamos falar sobre solos e sistema de produção com foco em fertilizantes, haja visto o preço dos fertilizantes, foi dado hoje a ênfase no alto preço do fósforo, como que o produtor consegue manejar até que ponto que o produtor tem um banco de fósforo no solo e este é o momento de usar esse banco de fósforo para minimizar os seus custos. Então agora a gente vai entrar em assuntos mais técnicos. Seja com pesquisadores da Fundação Mato Grosso, seja com pesquisadores convidados de instituições renomadas”, explicou
Um dos convidados para o painel de abertura foi o engenheiro agrônomo e sócio da Agroconsult, André Debastiani, que abordou a conjuntura agrícola, tanto econômica como também financeira. “É importante nós levarmos em consideração estes fatores, porque passamos hoje não só por um problema em termos de margens que é em função de preços baixos custos bastante elevados, mas também por uma questão estrutural que está muito relacionado ao nosso financeiro, a agricultura brasileira é a mais endividada do mundo. E no momento de taxas de juros elevadas como a gente vive hoje, isso exige que a gente tenha uma gestão financeira muito mais eficiente. Se conseguirmos produzir mais com menos, a gestão de risco que passa a ser necessária para esse momento que a gente está vivenciando e acima de tudo a resiliência, porque de fato são momentos difíceis que a gente está vivenciando, mas que a gente acredita que de fato é uma fase”, disse.
Já o engenheiro agrônomo e analista de mercado da Agrinvest, Jeferson Souza, trouxe para o debate um fator muito sensível na operação dentro da produção de grãos, a baixa oferta de fertilizantes e escassez de outro insumo importante em tempos de turbulência internacional. “Nós falamos sobre custo de um modo geral, o quanto subiu esse ano em um incremento de três sacas e meia quatro sacas por hectare para soja acima do ano passado, sobretudo fundamentado pelo fertilizante, que foi o que mais subiu, puxado pela guerra, só que alguns fundamentos vinham antes da guerra, como é o caso do fósforo. O Fósforo é o principal problema que nós temos hoje pela oferta global limitada e pela dificuldade que eu tenho devido à restrição no Oriente Médio. De um modo geral nós sempre dizemos que o produtor brasileiro, tem que conhecer o custo dele na ponta do lápis, ainda mais esse ano pela dificuldade que nós estamos vivenciando, isso realmente é bastante complexo, assim deixamos a mensagem final para que o produtor preservar sua margem e prezar por mitigar os riscos que nós temos”, finalizou.