O bicho-mineiro-do-cafeeiro (Leucoptera coffeella) é considerado uma das principais pragas da cultura do café. O inseto provoca lesões nas folhas que reduzem a área fotossintética e aceleram a senescência foliar, especialmente antes do período de renovação natural das folhas da planta. Como consequência, ocorrem prejuízos diretos e indiretos na produção cafeeira, afetando o potencial produtivo das lavouras.
Diante desse cenário, tecnologias que contribuam para o manejo integrado da praga tornam-se estratégicas para os cafeicultores, especialmente em regiões de alta produtividade, como o Cerrado Mineiro.
Avaliação de tecnologias em condições de campo
Com o objetivo de avaliar a eficiência de tecnologias da Biotrop, foi conduzido um experimento com os produtos bioinseticidas Bioexos e Biokato, bem como o adjuvante V-Core no manejo do bicho-mineiro. O estudo foi realizado pela C3 Consultoria, no município de Perdizes (MG), na Fazenda Ibitimirim, situada a 986 metros de altitude. A lavoura experimental utilizou a cultivar Catuaí Vermelho IAC 144, implantada em 2011 e conduzida no espaçamento de 3,80 x 0,60 m. O primeiro ano de condução do ensaio caracterizou-se como lavoura de safra zero, pelo motivo da realização da poda (esqueletamento decote), obtendo a primeira produção da lavoura no segundo ano do ensaio.
O delineamento experimental adotado foi em blocos casualizados, com seis tratamentos e quatro repetições, distribuídos nas linhas de cafeeiro. O volume de aplicação foi ajustado para 500 L ha⁻¹. Durante o experimento, foram realizadas aplicações ao longo de duas safras e avaliações periódicas da infestação.
Monitoramento das variáveis da praga
Para análise da infestação, foram coletadas 60 folhas por parcela em pontos aleatórios, sempre no terceiro ou quarto par de folhas do terço superior da planta. As avaliações consideraram número de folhas minadas; presença de minas ativas; número de lagartas vivas por folhas com minas ativas e Área Abaixo da Curva de Progresso da Praga (AACPP). Além disso, foi realizada avaliação de produtividade por meio de colheita manual em dez plantas por parcela, seguida de beneficiamento das amostras para determinação de rendimento, renda e produtividade final. Os dados foram submetidos à análise de variância (ANOVA) e comparação de médias pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade.






Eficiência de controle pelo método de Abbott
Na análise da Área Abaixo da Curva de Progresso da Praga (AACPP), os tratamentos não apresentaram diferenças estatísticas significativas entre si para as variáveis avaliadas. Entretanto, ao observar a eficiência de controle pelo método de Abbott, algumas combinações demonstraram melhor desempenho. Para folhas minadas, os maiores índices de controle foram observados nos tratamentos:
- Inseticida químico + Bioexos + Biokato (18%)
- Inseticida químico + Bioexos + V-Core (19%)
Já para folhas com minas ativas, os tratamentos com melhores resultados foram:
- Inseticida químico isolado
- Bioexos + V-Core
Ambos com eficiência superior a 30%. No parâmetro número de lagartas vivas por folha, as associações entre biológicos e químicos apresentaram desempenho superior ao uso isolado de produtos biológicos.

Produtividade responde ao manejo integrado
Os resultados de produtividade demonstraram incremento em todos os tratamentos que receberam algum tipo de controle em comparação à testemunha. Os maiores valores produtivos foram observados nos tratamentos que associaram inseticidas químicos com soluções biológicas, reforçando a importância do manejo integrado de pragas na cultura do café.
Conclusões do estudo
Após duas safras conduzidas nas condições edafoclimáticas da região de Perdizes (MG), o estudo permitiu observar que:
A associação de inseticidas químicos com soluções biológicas apresentou melhor eficiência no controle do bicho-mineiro quando comparada ao uso isolado dos produtos, principalmente para minas ativas e número de lagartas vivas.
Os tratamentos que integraram Bioexos, Biokato ou V-Core com inseticidas químicos também registraram maiores produtividades.
O manejo integrado, combinando diferentes ferramentas de controle, mostrou-se uma estratégia promissora para reduzir a pressão da praga e manter o potencial produtivo das lavouras.
Dessa forma, os resultados reforçam que a integração entre tecnologias químicas e biológicas pode representar um caminho eficiente para o manejo do bicho-mineiro nas condições produtivas do Cerrado Mineiro.