Arranjo da Borracha movimenta R$ 3,1 milhões e fortalece a renda de 636 famílias extrativistas na Amazônia

Iniciativa facilitada pelo Instituto Conexões Sustentáveis (Conexsus) estrutura crédito educativo, amplia acesso a mercados e revitaliza a cadeia da borracha nativa no Amazonas.
Crédito Imagem: vecteezy
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O Arranjo da Borracha está presente em cinco municípios do Amazonas — Manicoré, Eirunepé, Pauini, Barcelos e Canutama — e vem registrando crescimento consistente nos últimos ciclos produtivos. A iniciativa tem se consolidado como uma estratégia de fortalecimento da sociobioeconomia amazônica ao estruturar crédito educativo e ampliar o acesso de associações de seringueiros a mercados responsáveis.

Entre as safras 2022/2023 e 2024/2025, o número de negócios comunitários participantes passou de sete para onze. Apenas na safra 2024/2025, o arranjo movimentou cerca de R$ 3,1 milhões, beneficiando diretamente 636 famílias extrativistas por meio da valorização da borracha nativa e da organização de relações comerciais mais previsíveis.

O modelo funciona a partir de operações de crédito vinculadas a contratos de venda. Na prática, as associações têm acesso a capital de giro para viabilizar o fornecimento da produção, superando gargalos históricos relacionados à escala produtiva, logística, previsibilidade de oferta e acesso a crédito — desafios recorrentes enfrentados por comunidades extrativistas na região.

A Conexsus apoia diretamente a estruturação dessas operações e a oferta do crédito educativo, a custo zero. O arranjo é potencializado também com parceiros estratégicos que aportam capital catalítico para mitigação de riscos e cobertura de custos operacionais de gestão e assistência técnica.

Um dos principais diferenciais do modelo é a utilização de uma conta escrow — conta vinculada e controlada na qual o comprador deposita o pagamento da produção, sendo um dos instrumentos de mitigação de risco. Os recursos são liberados conforme as condições previamente acordadas entre as partes. O mecanismo aumenta a segurança e a transparência das operações, além de garantir maior previsibilidade financeira tanto para produtores quanto para compradores.

Além do financiamento, o Arranjo da Borracha inclui ações de capacitação e fortalecimento organizacional, com foco em gestão, protocolos comerciais, boas práticas de mercado e adequação a padrões de rastreabilidade e indicadores de impacto socioambiental.

Na safra 2025/2026, passou a contar também com a implementação de um protocolo de gestão, que possibilitou desembolsos conforme a demanda de cada negócio comunitário participante. Os repasses ocorrem entre agosto e dezembro de 2025, de acordo com a dinâmica produtiva de cada associação. O processo é acompanhado pelo Veredas – Programa de Assessoria a Negócios Comunitários, responsável pelo monitoramento do uso dos recursos e pelo suporte à sustentabilidade das operações.

Ao incentivar a produção e comercialização da borracha nativa, a iniciativa contribui para a revitalização de uma cadeia produtiva histórica da Amazônia. O modelo integra conhecimentos tradicionais dos seringueiros às demandas atuais por produtos com impacto socioambiental positivo, fortalecendo a autonomia econômica das associações e ampliando a previsibilidade de renda das famílias.

“Entendemos o Arranjo da Borracha como caso exemplar de conexão entre negócios comunitários e empresas compradoras, onde o crédito educativo, acompanhado de assistência técnica e financeira, têm o potencial de fortalecer as organizações e expandir significativamente a sua capacidade de geração de renda. O Arranjo da Borracha tem nos inspirado e apoiado diretamente no desenvolvimento de outros arranjos envolvendo crédito e comercialização como estratégia para a ativação de cadeias de valor da sociobioeconomia amazônica”, afirmou Pedro Frizo, diretor de programas e inovação financeira da Conexsus.

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