O aumento das queimadas ao redor do mundo: entenda como a aviação agrícola pode ajudar

Com a mudança climática, só no Brasil, quase todos os biomas foram atingidos por queimadas em 2024. Focos de incêndio estão aumentando em todo o planeta e piloto agrícola brasileira é vítima nos EUA
Aviação agrícola - Crédito Shutterstock
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Aviação agrícola – Crédito Shutterstock

Na última quarta-feira (10), Juliana Turchetti, piloto agrícola brasileira, faleceu em decorrência de um acidente durante uma operação de combate florestal nos Estados Unidos. Além de ser uma referência na aviação agrícola, foi pioneira para mulheres na profissão e considerada uma heroína pelas autoridades norte-americanas.

Nos últimos anos, o planeta tem sofrido com o aumento expressivo das queimadas. Somente em 2024, todos os biomas brasileiros, com exceção do Pampa, registraram um aumento no número de incêndios, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Na Amazônia, foram detectados 12.696 focos de queimadas nos primeiros seis meses do ano — cerca de 76% a mais que em 2023 e o maior valor desde 2004.

Por muito tempo as queimadas estiveram ligadas às altas taxas de desmatamento, no entanto, esta percepção está mudando. Em 2024, a redução do desmatamento e o aumento dos focos de fogo sugerem que os incêndios estejam sendo causados pela crise climática e a grave seca que o país sofre desde 2023.

Paulo Villela, Gerente de Negócios da Perfect Flight, afirma que, infelizmente, a tendência é que o clima continue propício às queimadas. Segundo previsões, o período de seca deve se agravar entre agosto e outubro — atingindo o seu pico no mês de setembro.

O gerente da Perfect Flight, relembra a maior Operação de Combate a Incêndios já realizada no Estado de São Paulo, que ocorreu em setembro de 2020. “Este é um triste marco, que foi causado por secas de mais de 60 dias e calor excessivo, culminando em um incêndio devastador nas áreas de proteção permanente da Serra Paulista”, afirma.

Na época, o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil, a Polícia Militar e a Fundação Florestal de SP trabalharam durante dias na contenção do fogo. No entanto, com os múltiplos focos em áreas de difícil acesso, os órgãos se uniram à iniciativa privada para viabilizar o controle da situação, através do uso de tecnologias provenientes da aviação agrícola. 

“Em missões críticas como esta, o uso da tecnologia é fundamental para o sucesso do combate”, afirma Paulo. “Combinando recursos terrestres e aéreos, nos unimos em apoio, contando com a Prefeitura Municipal, o ICMBIO, a Fundação Florestal de SP, Sector Aircraft, Octans Aircraft, Seamax Aircraft e, claro, a Perfect Flight.”

Foram utilizadas seis aeronaves que transportaram mais de 628 mil litros de água. Pensando em ajudar outros locais que sofrem com esses mesmos problemas em épocas de estiagem, a Perfect Flight, viabilizou o uso de seu cadastro nacional de áreas de proteção. 

“Com ele, podem ser cadastradas APP, áreas de cultivo animal, povoados, etc. […] Assim, caso ocorram incidentes futuros nessas áreas, será possível solicitar à Perfect Flight o planejamento de voos para que os aviões possam identificar os pontos de combate pelo nome e localização exata, dando mais agilidade e eficiência no combate a ser realizado”, explicou o especialista.

Como a aviação agrícola pode ajudar?

Em 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro sancionou a Lei 14.406/22, que permite o uso da aviação agrícola no combate a incêndios florestais. O texto, que alterou o Código Florestal e a regulamentação do emprego da aviação agrícola, tem como objetivo auxiliar nas épocas de seca e queimadas no país.

“A frota agrícola costuma ficar ociosa durante a entressafra, que coincide com a temporada de seca. Com esta medida, a aviação agrícola passou a ter um papel fundamental no combate aos incêndios”, explicou Paulo. Foi a partir desta Lei que os planos de contingência para combate a incêndios florestais passaram a ter diretrizes específicas para a frota aeroagrícola. 

Além de incentivar programas de prevenção e combate, o texto ainda prevê a formação e treinamento de pilotos. “As aeronaves passaram a não só ter que atender às normas definidas pelo poder público, mas devem ser pilotadas apenas por profissionais qualificados.”

Ao destacar a importância e o impacto da aviação agrícola nas queimadas, Paulo relembra Juliana Turchetti. “Uma perda inestimável para a sociedade como um todo. Não só como uma profissional excelente, mas pela sua coragem e representatividade no setor”, afirma. A Perfect Flight teve o prazer de conhecer Juliana em 2021, em uma ação para o Dia dos Namorados junto com seu marido, que também é piloto. “Que sua trajetória sirva de inspiração para milhares de jovens ao redor do mundo”, conclui.

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