Tecnologias para ampliar a produção de mandioquinha-salsa e batata-doce são temas de evento em Santa Catarina

Baroa lavada em Mal Floriano - ES - Crédito Embrapa Hortaliças

Publicado em 23 de outubro de 2015 às 13h03

Última atualização em 23 de outubro de 2015 às 13h03

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Baroa lavada em Mal Floriano - ES - Crédito Embrapa Hortaliças
Baroa lavada em Mal Floriano – ES – Crédito Embrapa Hortaliças

Para tratar dos pontos críticos da produção de mandioquinha-salsa e da batata-doce, técnicos da Embrapa participam do I Encontro sobre a cadeia produtiva destas culturas, que acontece no dia 29 de outubro em Irineópolis, SC, promovido pela Secretaria de Agricultura do Município em parceria com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e a participação da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) do Paraná.

As duas culturas têm em comum a forma de propagação realizada a partir de clones, ou seja, as mudas utilizadas para o plantio comercial são partes da planta matriz. No caso da mandioquinha, as mudas são os filhotes que em conjunto formam as touceiras, e na batata-doce são originadas de partes das ramas.

Esta forma de multiplicação possibilita a degenerescência do material propagativo, o que implica em acúmulo de doenças, como as viroses, explica Giovani Olegário da Silva, pesquisador da Embrapa Hortaliças, que atua na região de Santa Catarina, no Escritório de Canoinhas, da Embrapa Produtos e Mercado.

Para minimizar os problemas no desenvolvimento destas culturas, a Embrapa desenvolve pesquisas nessa área e incentiva a utilização de propágulos oriundos de plantas básicas isentas de doenças, além da aplicação de técnicas de manejo apropriadas com o objetivo de ampliar a área cultivada destes produtos no Brasil. Os frutos mais recentes destas pesquisas são as duas novas cultivares de mandioquinha-salsa BRS Rúbia 41 e BRS Catarina 64, lançadas em 2015.

A produção da mandioquinha-salsa, também conhecida como batata-baroa, se estende por 16 mil hectares nas regiões de Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Espírito Santo e São Paulo, sempre em áreas de altitude elevada e clima ameno.

A cultura tem alto valor de mercado, mas, sua produtividade média nacional (em torno de 10 t/ha) é considerada baixa, levando-se em consideração o potencial de uma lavoura mais tecnificada, que poderia alcançar entre 40 e 50 toneladas por hectare, afirma Giovani.

“O motivo para essa diferença de produtividade é que os produtores de mandioquinha-salsa muitas vezes não utilizam tecnologias como: irrigação, mudas de qualidade, tratamento e pré-enraizamento de mudas, adubação equilibrada e controle de doenças“, explica o pesquisador.

A batata-doce ocupa uma área aproximada de 48 mil hectares e uma produção anual estimada em 500 mil toneladas. A cultura é plantada em todas as regiões do país, mas, se adapta melhor em áreas tropicais. Ela está entre as seis hortaliças mais plantadas no Brasil. É considerada uma cultura rústica porque tem muita resistência a doenças e cresce em solos pobres e degradados.

Antonio Bortoletto, analista da Embrapa Produtos e Mercado em Canoinhas (SC), que fará palestra sobre a batata-doce no Encontro, explica que devido a estas características, normalmente os produtores não utilizam técnicas mais sofisticadas em sua produção, plantando mudas com baixa sanidade e praticando um manejo de produção e propagação pouco tecnificados. O resultado é uma produtividade média em torno de 10 t/ha, enquanto o potencial produtivo das cultivares mais modernas superam a marca de 50 a 60 t/ha.

Para evitar a perda da qualidade fitossanitária em ambas as culturas é necessário a limpeza do material propagativo em laboratório pela técnica biotecnológica da cultura de meristemas, que possibilita a obtenção de plantas isentas de patógenos causadores de doenças, detalha Bortoletto.

A Embrapa possui protocolos de laboratório para esta técnica e mantém plantas básicas livres de doenças em seus centros de pesquisa e escritórios de negócios, visando o fornecimento de material de elevada sanidade para as empresas licenciadas na produção e comercialização de mudas destas espécies.

Nelson Pires Feldberg, gerente do Escritório de Canoinhas, da Embrapa Produtos e Mercado, explica que a atuação dos escritórios se dá na formação de parcerias e na identificação de licenciados para a produção e comercialização das tecnologias da empresa, além da participação em diversas atividades relacionadas, como palestras em eventos e condução de unidades de validação.

As ramas e mudas de batata-doce e os propágulos de mandioquinha-salsa são comercializados por licenciados e algumas unidades da Embrapa. Para informações acesse embrapa.br/cultivares .

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