Simpósio de Sementes Florestais aponta caminhos para restauração dos biomas

Especialistas debateram inovação genômica, bioeconomia e o protagonismo comunitário na restauração em larga escala.

Publicado em 11 de setembro de 2026 às 05h56

Última atualização em 20 de setembro de 2026 às 19h48

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Da alta tecnologia de análise genética ao saber tradicional das comunidades extrativistas, o XIII Simpósio Brasileiro de Sementes Florestais colocou a restauração ambiental, a bioeconomia e a inovação no centro do debate sobre o futuro dos biomas nacionais.

Como parte da programação do XXIII Congresso Brasileiro de Sementes (CBSementes), o encontro reuniu, na semana passada, em Foz do Iguaçu, pesquisadores, gestores públicos e lideranças do setor.

A solenidade de abertura foi conduzida por Fernando Henning, presidente da Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes (Abrates), ao lado de Geângelo Calvi, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e vice-coordenador do Comitê Técnico de Sementes Florestais (CTSF).

Ambos expressaram profundo agradecimento a todos os pesquisadores e colaboradores envolvidos no planejamento do simpósio.

A coordenadora do evento e do CTSF, Bárbara Dantas, que não pôde comparecer presencialmente por estar em missão oficial na 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP 17), na Mongólia, enviou uma mensagem em vídeo ao público presente.

A programação técnica teve início com a primeira mesa-redonda, que abordou o tema “Sementes, bioeconomia e justiça climática: caminhos para o desenvolvimento sustentável”, sob moderação de Fátima Piña-Rodrigues, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Em sua fala inicial, a moderadora destacou o papel social da semente florestal ao afirmar que “a semente florestal é, antes de tudo, uma semente social, capaz de conectar redes comunitárias e transformar vidas por meio da geração de renda”.

Na sequência das exposições, o engenheiro florestal Danilo Urzedo, da University of Western Australia, participou por vídeo ao apresentar a palestra “Soluções para a lacuna global na oferta de sementes nativas: 40 anos de lições em 150 países”, destacando que “superar o gargalo na oferta global de sementes nativas exige integrar os saberes locais com tecnologias de escala e políticas públicas contínuas”.

Logo após, Giovanna Bernardes, da organização Caminhos das Sementes, discorreu sobre os desafios operacionais e logísticos da restauração em larga escala, ressaltando que “restaurar ecossistemas em grande escala não é apenas plantar árvores, mas garantir uma cadeia produtiva de sementes forte, estruturada e socioambientalmente justa”.

A dimensão social e de gênero no campo foi aprofundada por Alcilene Cardoso, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), que reforçou que “as mulheres e as comunidades tradicionais são o coração da cadeia de sementes nativas, liderando a conservação e garantindo a biodiversidade dos nossos biomas”.

Encerrando o primeiro bloco, Claudia Maria Carneiro Kahwage, da Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas/PA), destacou que “as biojóias mostram que a floresta em pé e a semente conservada geram valor, beleza e autonomia econômica para as comunidades amazônicas”.

A segunda mesa-redonda do dia, moderado por Elza Alves Corrêa, da Unesp Registro, foi dedicada às novas abordagens na análise de sementes florestais.

A pesquisadora Lausanne Soraya de Almeida, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), detalhou metodologias modernas para avaliação de qualidade e enfatizou que “o uso do raio-X, do infravermelho próximo e das análises multiespectrais revolucionou a avaliação da qualidade, permitindo diagnósticos precisos e não destrutivos em sementes florestais”.

Dando sequência ao tema técnico, Thomas Bruno Michelon, da empresa Nova Spectra, apresentou aplicações práticas na indústria, assinalando que “a tecnologia multiespectral traz modelos práticos de controle de qualidade que automatizam e agregam valor direto à rotina industrial”.

Já o pesquisador Jailton de Jesus Silva, da Facepe/Embrapa Semiárido, expôs as adequações do teste de tetrazólio para espécies do Semiárido, sublinhando que “os avanços metodológicos no teste de tetrazólio nos permitem superar as limitações da dormência e avaliar a viabilidade de sementes nativas da Caatinga com alta precisão”.

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