Projeto Restauração Ecológica vai recuperar 200 hectares de áreas degradadas 

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Um total de 200 hectares (o equivalente a cerca de 280 campos de futebol) será restaurado ecologicamente por meio de sistemas agroflorestais e do enriquecimento de áreas de capoeira nos municípios de Manaus, Itapiranga e São Sebastião do Uatumã, no Amazonas. A iniciativa faz parte do REP (Restauração Ecológica Produtiva) e é executada pelo Idesam, em parceria com a UFAM e o INPA, com apoio financeiro do Funbio, BNDES, Eneva e KfW. Em Manaus, o projeto conta ainda com a parceria da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), contribuindo para fortalecer o mercado da restauração florestal e gerar renda nos territórios envolvidos.

Em parceria com a SEMMASCLIMA, o projeto irá implantar cerca de 6.696 mudas de espécies nativas da região em fragmentos e margens de igarapé da área urbana da cidade, totalizando 22,86 hectares.

Como parte das estratégias de fortalecimento da gestão ambiental, o Idesam realizou em 2024 um diagnóstico técnico em áreas verdes degradadas da cidade cobrindo diferentes unidades de conservação do município, como o Parque do Mindu, APA Sauim de Manaus e Corredor ecológico do Mindu. O trabalho incluiu a caracterização botânica das áreas, o levantamento das espécies e formações vegetais e a análise do histórico de uso e ocupação. As informações geradas orientam ações de conservação, manejo sustentável e proteção dos ecossistemas dessas unidades de conservação.

“A gente vai implantar vinte e dois hectares de restauração aqui no entorno de Manaus, e com isso, o que a gente quer é restaurar ecologicamente essas áreas, trazer diversidade e ainda apoiar o desenvolvimento do Sauim-de-coleira que é uma espécie-chave, símbolo da cidade de Manaus”, explica o gestor de projetos do Idesam, Vinicius Bertin.

O início das atividades de restauração em Manaus foi marcado por um plantio simbólico realizado nesta quinta-feira, 15, em um fragmento próximo à Avenida das Torres, no bairro Nova Cidade. O ato contou com a participação do secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, François Mattos, do engenheiro florestal e diretor do DMCAP, Paulo Roberto de Faria Pinto, o Professor Marcelo Gordo da UFAM, além de representantes do Idesam – o diretor técnico André Vianna e o gestor de projetos Vinicius Bertin.

De acordo com André Vianna, diretor técnico do Idesam, esse plantio faz parte de um projeto em implementação há quase dois anos. “O projeto prevê a restauração de áreas degradadas de forma ecológica, mas também produtiva, no entorno de Manaus, São Sebastião do Uatumã e em Itapiranga”.

Proteção do sauim e comunidade

O projeto tem como objetivo ir até mais longe. Ao conservar fragmentos de floresta tropical na zona norte da cidade, cria-se um refúgio para a fauna e flora locais, os habitats se conectam e protegem o sauim-de-coleira (Saguinus bicolor), primata endêmico da área e que é classificado como criticamente ameaçado nas listas nacionais brasileiras de espécies ameaçadas de extinção.

O professor do Instituto de Ciências Biológicas da UFAM e coordenador do Projeto Sauim-de-Coleira, instituição que é parceria no projeto junto com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) fala de perspectivas para o envolvimento da comunidade com a recuperação ecológica da área de proteção ambiental.

“A recuperação dessas áreas verdes possibilita o retorno da fauna após o controle de espécies invasoras. Isso cria oportunidades para a implantação de trilhas em áreas de mata, algo que hoje não existe nessa região. São possibilidades que envolvem novas parcerias e a implantação futura de passagens de fauna, já que essa área era originalmente um único fragmento florestal, muito impactado pela construção da Avenida das Torres”, destaca.

O secretário municipal François reafirma a importância cooperação entre poder público, organizações e sociedade civil para a recuperação ambiental da cidade. “A gente sabe que Manaus é uma das cidades menos arborizadas e a gente tem que se unir, a perspectiva é que precisamos plantar, mas também incluir a sociedade que está em volta nesse projeto para que eles se envolvam”.

Além do compromisso de restaurar 200 hectares, desenvolver e fomentar o mercado da restauração na região de Manaus, Itapiranga e São Sebastião as atividades de campo também incluirão produção de mudas e capacitação das organizações comunitárias envolvidas no projeto.

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