Do preparo do solo à colheita, a produção agrícola depende de conhecimento técnico para garantir a qualidade dos alimentos, a produtividade no campo e a sustentabilidade. Em um cenário de crescente demanda por eficiência, inovação e competitividade, a atuação de profissionais habilitados é um dos pilares para alavancar o desenvolvimento do agronegócio brasileiro.
Nesse contexto, a responsabilidade técnica de engenheiros agrônomos é essencial para assegurar que as atividades sejam conduzidas em conformidade com a legislação e com critérios técnicos.
Mais do que uma exigência legal, ela contribui para a tomada de decisões mais eficientes e para a melhoria dos processos produtivos em toda a cadeia agropecuária.
Responsável legal
O inspetor-chefe do Crea-MG em Patos de Minas, engenheiro agrônomo José Benevides Romano, explica que todas as etapas da produção agropecuária precisam de um responsável técnico, que representa uma garantia para produtores e consumidores.
“A presença técnica qualificada do engenheiro agrônomo em todas essas etapas contribui diretamente para a segurança alimentar da população. Seu trabalho ajuda a reduzir perdas, aumentar a eficiência produtiva e garantir que os alimentos cheguem ao consumidor com mais qualidade e em maior quantidade”, ressalta o inspetor.
A atuação do engenheiro agrônomo está diretamente relacionada ao desempenho do agronegócio. Segundo José Benevides Romano, decisões baseadas em conhecimento científico e acompanhamento profissional tornam a produção mais segura e confiável.
“Como responsável técnico, o engenheiro agrônomo faz uma análise criteriosa das condições do solo, do clima, da água, das culturas e do sistema produtivo, indicando as práticas agrícolas mais adequadas para cada realidade, para tornar a atividade agropecuária mais eficiente, rentável e sustentável”, afirma o engenheiro.
Os resultados desse trabalho se refletem no desempenho do setor. Em Minas Gerais, o agronegócio registrou forte crescimento em 2025, com alta de 15,2% no Valor Bruto da Produção (VBP) e recorde histórico nas exportações, que ultrapassaram US$ 18,1 bilhões, de acordo com balanço anual da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg).
O café liderou as vendas externas e respondeu por mais da metade da receita do agro mineiro, seguido pelas cadeias da soja, do açúcar e das carnes. Os resultados reforçam o protagonismo do estado no cenário nacional e a relevância do agronegócio para a economia mineira.
Fiscalização
Para garantir que esse trabalho seja realizado por profissionais legalmente habilitados, o Crea-MG fiscaliza o exercício profissional em todo o estado. Isso contribui para que as atividades relacionadas ao agronegócio sejam executadas em conformidade com a legislação e as normas técnicas.
A atuação do Conselho protege a sociedade e fortalece o exercício profissional nas áreas de engenharia, agronomia e geociências.
O inspetor-chefe do Crea-MG alerta que a ausência de responsável técnico pode trazer impactos econômicos, ambientais e sociais. Para o produtor rural, isso pode resultar em prejuízos, aumento dos custos de produção, falhas no controle de pragas e doenças e problemas legais.
No meio ambiente, também gera impacto, pois favorece o uso inadequado de insumos, a contaminação do solo e da água e a degradação de áreas produtivas. Já para os consumidores, compromete a segurança de alimentos produzidos ou armazenados sem acompanhamento técnico.
“Os riscos são econômicos, sociais e ambientais. Sem acompanhamento técnico, o produtor pode ter prejuízos, aumento dos custos e problemas legais. Além disso, o uso inadequado de insumos pode causar impactos ao meio ambiente, enquanto os consumidores ficam mais expostos a alimentos produzidos sem o controle técnico adequado”, detalha José Benevides Romano.

inspetor-chefe do Crea-MG
A importância da ART
A Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) é fundamental para garantir segurança jurídica e transparência.
Com valor de contrato, a ART formaliza a participação do profissional em uma atividade ou serviço técnico. Registrada junto ao Crea-MG, ela identifica o responsável pela execução do trabalho e comprova que a atividade está sendo conduzida por um profissional legalmente habilitado.
Além de formalizar a atuação do profissional, a ART traz benefícios para produtores rurais, consumidores e para a sociedade como um todo. De acordo com José Benevides Romano, o documento oferece segurança jurídica e reforça a qualidade dos serviços técnicos prestados.
“Para o produtor rural, ela representa o respaldo legal da contratação de um serviço técnico qualificado. Para o profissional, formaliza sua atuação, valoriza sua carreira e fortalece seu acervo técnico. Já para a sociedade, contribui para a qualidade e a confiabilidade das atividades agropecuárias, especialmente na produção de alimentos e no manejo adequado dos recursos naturais”, conclui o engenheiro.