Novas tarifas americanas trazem mudanças para os mercados de soja e milho 

Medidas anunciadas por Trump elevam tensões comerciais globais e trazem impactos diretos aos mercados agrícolas, com mudanças na competitividade, na intenção de plantio e no setor de biocombustíveis
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Na última quarta-feira, 2 de abril, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um novo e agressivo regime tarifário, marcando o que chamou de “Dia da Libertação” econômica americana. A medida impõe tarifas “recíprocas” de pelo menos 50% do valor das tarifas aplicadas por outros países a bens norte-americanos, configurando a maior alta tributária dos EUA em 95 anos — comparável apenas às de 1930 e 1828, que historicamente antecederam depressões econômicas. 

O impacto da decisão já se faz sentir nos mercados financeiros e de commodities. Índices como DXY, Dow Jones, S&P500 e o ouro registraram volatilidade imediata. Para o setor agrícola, os efeitos ainda são de difícil leitura, mas especialistas apontam para uma perda de competitividade dos EUA no mercado global, com possível redirecionamento da demanda para origens mais vantajosas em termos de custo e tributação.
 

A situação para o mercado de soja e milho  

Para commodities agrícolas como soja e milho, os efeitos do novo pacote tarifário americano são complexos. No caso da soja, a China — principal compradora global — já reduziu sua dependência da oleaginosa norte-americana em 35% no último ano, e a tendência é que essa redução continue. Com uma safra recorde no Brasil, o país sul-americano vem ganhando participação no mercado internacional, o que tende a aumentar os estoques dos EUA e pressionar os preços na bolsa de Chicago (CBOT) para níveis mais competitivos. 

O cenário do milho segue a mesma lógica. A boa safra brasileira, somada à menor demanda internacional — especialmente da China, que reduziu suas importações de 23 milhões para apenas 8 milhões de toneladas neste ano – pode resultar em maior disponibilidade interna nos EUA, o que também pode pressionar os preços do cereal. 

Apesar dos primeiros sinais, ainda é cedo para dimensionar todos os impactos do novo regime tarifário. O mercado permanece em busca de equilíbrio e os países analisam como irão reagir. Já há indícios de resposta: a China anunciou tarifas retaliatórias de 34% sobre todas as importações americanas a partir de 10 de abril, incluindo a soja. Ainda não está claro se essa nova alíquota substituirá os 10% já em vigor ou se será somada, elevando a tarifa total para 44%. Com a inclusão de outros impostos — como o VAT de 9% e uma tarifa de 3% — o custo efetivo pode chegar a cerca de 60%, o que deve agravar ainda mais a tendência de substituição da soja americana pela brasileira. 

Biocombustíveis nos EUA  

Nos Estados Unidos, o estado de Illinois elevou o mandato de mistura de biodiesel no diesel fóssil de 14% para 17% a partir de 1º de abril, com planos de longo prazo para atingir 20%, embora ainda sem data definida. 

Paralelamente, uma coalizão formada por grupos do setor de petróleo e biocombustíveis pressiona a Agência de Proteção Ambiental (EPA) para aumentar os mandatos de diesel de biomassa para uma faixa entre 5,5 e 5,75 bilhões de galões, em comparação com os atuais 3,35 bilhões. A alegação é de que a capacidade de produção da indústria está muito aquém de seu potencial. Essa mudança regulatória pode adicionar um fator positivo à demanda por soja, oferecendo algum suporte aos preços da oleaginosa no médio prazo.

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