Nova geração de fertilizantes foliares, quais as vantagens para a cana?

Publicado em 12 de abril de 2020 às 18h56

Última atualização em 12 de abril de 2020 às 18h56

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Autores

Bruno Nicchio
Pós-doutorado em Agronomia – Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
.bruno_nicchio@hotmail.com
Marlon Anderson Marcondes Vieira
Mestrando em Agronomia – UFU
Gustavo Alves Santos
KP Consultoria
Hamilton Seron Pereira
Professor titular – UFU
Gaspar Henrique Korndörfer
Professor aposentado – UFU

A nova geração de fertilizantes foliares disponibiliza ingredientes ativos que podem promovem maior eficiência nos processos metabólicos da planta, contribuindo para que ela consiga expressar seu máximo potencial genético.

Os macro e micronutrientes desempenham função importante no desenvolvimento e produtividade das culturas agrícolas e sua aplicação foliar pode ser considerada uma ótima alternativa de adubação suplementar da cana-de-açúcar.

Nutrição de ponta

Um fator que tem influenciado o aumento na produtividade das culturas é o uso de fertilizantes minerais, entretanto, o elevado custo de processamento, produção e importação de fertilizantes torna a competitividade das comodities agrícolas brasileiras no mercado internacional um grande desafio.

Com isso, o manejo da adubação é de grande importância para a cultura, tendo em vista sua relevância no cenário econômico nacional.

A aplicação via foliar de nutrientes às plantas não é uma prática nova, sendo conhecida há mais de 100 anos, ainda que, só recentemente, venha sendo estudada mais a fundo, comparado a outros métodos de adubação.

Pequenos apenas na quantidade

Muitos produtores aplicam macronutrientes (N, P e K) via fertilização, todavia, os micronutrientes têm sido ignorados. Apesar de requeridos em pequenas quantidades, os micronutrientes são muito significativos para as plantas, atuando significativamente no crescimento, desenvolvimento e produtividade de culturas como cana-de-açúcar, milho, soja, sorgo, algodão, pastagens, citros, frutíferas, entre outras, podendo sua deficiência retardar o crescimento e produção das plantas.

A aplicação foliar de micronutrientes pode ser de seis a 20 vezes mais eficaz em relação à aplicação no solo. No entanto, são necessários cuidados com relação às doses, apesar do efeito residual reduzido, pois elevadas concentrações podem causar fitotoxidez às plantas.

Recomendações

A maneira que as soluções nutritivas penetram nas folhas pode ser controlada por alguns fatores, tais como condições ambientais e práticas comuns de manejo da fertilidade do solo. Além disso, a absorção via radicular é melhorada devido à utilização da adubação foliar. Mesmo assim, apesar de todos os conhecimentos e vantagens, o uso de macro e micronutrientes em pulverização foliar apresentam restrições.

A utilização de sais solúveis, como NPK, deve ser feita em baixa concentração, sendo necessárias várias aplicações para atingir a adequada quantidade de nutrientes nas plantas capaz de afetar significativamente a produtividade. Os ganhos de produtividade podem trazer renda extra ao produtor, já que as quantidades aplicadas são pequenas comparadas à fertilização via solo.

Nos últimos anos, o Grupo de Pesquisa em Silício na Agricultura (GPSi), da Universidade Federal de Uberlândia, liderado pelos professores Gaspar H. Korndörfer e Hamilton S. Pereira, tem buscado avaliar os efeitos da fertilização foliar na produtividade de culturas agrícolas como a cana-de-açúcar.

Em experimentos desenvolvidos nos Estados de Minas Gerais e São Paulo, observou-se que aplicação foliar de macronutrientes (150 e 180 dias após a rebrota da cana), como nitrogênio (N) e enxofre (S), e micronutrientes como zinco (Zn), boro (B), cobre (Cu), manganês (Mn) e molibdênio (Mo) aumentaram a produção de açúcar em até 16,8 t ha-1 para a variedade RB 85-5536, conforme a figura 1, além de incrementar os teores foliares de nutrientes para a variedade RB 86-7515.

 Resultados semelhantes foram verificados por Mellis et al. (2016), ao avaliarem a aplicação de micronutrientes (Zn, Mn, Cu, B e Mo) em experimentos com cana-de-açúcar no Estado de São Paulo, com incrementos significativos entre nove e 18 toneladas de colmos por hectare.

Silva et al. (2017) observou incrementos na produção de colmos de 11 e 13 t ha-1 em duas socas consecutivas de cana-de-açúcar (variedade RB 96-7515) quando aplicou-se via foliar aos 60 dias após o brotamento, microrganismos fixadores de N com Mg em sua composição. Hervatin (2018), ao avaliar a aplicação de micronutrientes e maturador via foliar em cinco variedades de cana-de-açúcar, relatou um ganho de 13 t ha-1 contra o tratamento controle.

Abd El-Hadi (2015), ao avaliar a aplicação de macro (N, P e K) e micronutrientes (Zn, Fe e Mn) via foliar em cana-de-açúcar cultivada no Egito durante três cortes, confirmou incrementos na produção de colmos em até 20% e de açúcar até 30%. No Paquistão, Ismail et al. (2016) encontrou resposta significativa na produção de colmos de cana-de-açúcar em função da aplicação foliar tardia de macro e micronutrientes (69,5 t ha-1 de TCH) em comparação com o controle (62,18 t ha-1 de TCH), trazendo benefícios para a próxima soqueira de cana.

Doses

Com relação às doses de fertilizantes foliares a serem aplicadas, deve-se considerar o produto escolhido, pois cada empresa trabalha com dosagens e épocas de aplicação diferentes para cada cultura, já que os produtos existentes no mercado apresentam grande variação.

Outro fato a ser considerado é a necessidade de se avaliar mais detalhadamente a época correta de aplicação (estudos demonstrando resultados entre 60 e 200 dias após brotação), já que os resultados de pesquisa na aplicação foliar em cana no Brasil ainda são escassos e inconclusivos.

De modo geral, a eficácia da adubação foliar pode variar dependendo da espécie, idade, estágio fenológico da cultura, bem como características dos produtos como sais, complexos ou quelatos. Por isso, é sempre importante avaliar os fatores citados com auxílio de técnico especializado para tomada de decisão quanto de fertilizantes foliares.

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