MIPD no abacaxizeiro: como fazer?

Em 2020 foram produzidos 2,4 milhões de toneladas no Brasil, com uma área de cultivo de 64,8 mil hectares.
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Franciely da Silva Ponce
Engenheira agrônoma e doutora em Agronomia/Horticultura- FCA/UNESP
francielyponce@gmail.com
Claudia Aparecida de Lima Toledo
Engenheira agrônoma e doutoranda em Agronomia/Proteção de Plantas – FCA/UNESP
claudia.lima.toledo@gmail.com

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de abacaxi (Ananas comosus L. (Bromeliaceae)) Mernil. Em 2020 foram produzidos 2,4 milhões de toneladas, com uma área de cultivo de 64,8 mil hectares.

A maior parte da produção é direcionada ao abastecimento do mercado interno, no entanto, 4,9 milhões de quilos da fruta foram exportados em 2020, o que representou um crescimento de 110% em relação ao ano anterior, gerando uma receita de mais de 2,8 milhões de dólares (Abrafrutas, 2020).

As cultivares mais utilizadas no Brasil são o abacaxi Pérola, o Havaí e recentemente tem se intensificado as pesquisas com a cultivar Imperial, devido à resistência à fusariose (Fusarium guttiforme), a principal doença do abacaxizeiro.

Em destaque

Os principais problemas fitossanitários da cultura do abacaxi são: a fusariose, murcha (Pineapple mealybug wil associated virus) promovida por infestação de cochonilha (Dysmicoccus brevipes, Hemiptera: Pseudococcidae), ácaro alaranjado (Dolichotetranychus floridanus (Acari: Tenuipalpidae)), broca-do-fruto (Strymon megarus (Lepidoptera: Lycaenidae)) e broca-do-talo (Castnia invaria volitans (Lepidoptera:Castniidae)).

Cuidados pré-plantio

O abacaxi é plantado a partir de mudas provenientes da própria lavoura.. Dentre os cuidados pré-plantio devemos destacar a seleção das mudas – não utilizar mudas infestadas com cochonilha ou qualquer outra praga, priorizando as mudas saudáveis, sem sinais de fusariose ou doenças.

O preparo das mudas começa no campo, pelo seccionamento dos talos. Assim que colhidos os frutos, as mudas passam pela remoção das folhas, em que são preservadas as bainhas.

No viveiro de mudas remove-se as bainhas e as mudas devem ser vistoriadas afim de eliminar aquelas infestadas ou contaminadas, transplantando para o substrato apenas as que apresentarem qualidade.

A cultivar Imperial apresenta boa resistência à fusariose, no entanto, devido a características como menor tamanho, quando comparado aos frutos da cultivar Pérola e Havaí, o produtor deve realizar um estudo de mercado, antes da tomada de decisão.

Outra opção seria a utilização de mudas micropropagadas isentas de doenças e pragas, no entanto, haverá o aumento considerável dos custos com a implantação da lavoura.

Amostragem

O monitoramento deve ser realizado semanalmente ou a cada duas semanas. O caminhamento no talhão deve ser feito em zigue-zague, amostrando-se 10% das plantas. No caso da cochonilha, por se tratar de um inseto vetor, o nível de controle adotado é presença ou ausência.

A destruição de restos culturais é uma das táticas mais eficientes na infestação de ácaros e cochonilhas. Da mesma forma, recomenda-se a retirada das plantas infestadas com a broca-do-talo, afim de evitar o aumento da infestação na área de cultivo.

O controle químico é uma ferramenta a mais no manejo de pragas do abacaxizeiro, mas não tem muitos produtos registrados para o controle das pragas citadas acima. Segundo o Agrofit (2022), os produtos registrados para cochonilha (Dysmicoccus brevipes), ácaro (Dolichotetranychus floridanus) e broca-do-fruto (Strymon megarus) são cerca de sete.

Como mencionado anteriormente, o controle químico é uma ferramenta a mais no manejo de pragas do abacaxizeiro, no entanto, no caso das brocas o controle biológico evita que o dano ocorra, preservando a integridade da planta e do fruto.

Para o controle da broca dos frutos, muitos produtores adotam a cobertura dos frutos com jornal assim que a floração finaliza, no entanto, a prática requer muita mão de obra e em lavouras orgânicas o jornal não pode ser utilizado devido à tinta da impressão.

Controle biológico

Para o controle da broca-dos-frutos e broca-do-talo, pode-se adotar o controle biológico utilizando-se parasitoides de ovos do gênero Trichogramma. Estudos realizados utilizando Trichogramma pretiosum e Trichogrammatoidea annulata De Santis na dosagem de 100 mil (cada) resultaram em controle efetivo da broca dos frutos, com custo até 50% menor que o uso de inseticidas químicos.

A liberação de Trichogramma spp. promove o controle dos ovos das pragas na área, evitando que as lagartas emerjam e realizem os danos no fruto ou no talo das plantas. O controle biológico com Trichogramma spp. é realizado periodicamente a partir do monitoramento da área de cultivo.

Além de evitar que os danos ocorram por controlar a praga ainda em fase de ovo, não há período de carência, por se tratar de um biológico. Além disso, o uso do controle biológico é compatível com o sistema de cultivo orgânico, facilitando a exportação.

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