Manejo de estresse hídrico: o que o Brasil pode aprender com a experiência do Chile em melhoramento genético

Enfrentando 15 anos de seca, Enza Zaden desenvolveu variedades com sistemas radiculares mais eficientes — estratégia que pode inspirar soluções para regiões brasileiras de escassez hídrica.
Foto: Aegro

Publicado em 12 de agosto de 2026 às 14h37

Última atualização em 25 de agosto de 2026 às 13h17

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A experiência da Enza Zaden no Chile, país que enfrenta uma crise hídrica prolongada de cerca de 15 anos, pode oferecer referências relevantes para regiões do Brasil que convivem com desafios semelhantes de disponibilidade de água, como áreas do semiárido nordestino e partes do Cerrado.

Segundo Roberto Johow, gerente da Enza Zaden no Chile, o cenário de escassez hídrica se tornou um dos principais motores de inovação genética da companhia no país andino. “Particularmente no Chile, experimentamos uma seca de 15 anos, o que gerou uma demanda por variedades que consigam produzir maiores rendimentos de forma eficiente, apesar da menor disponibilidade de água”, relata.

A resposta da empresa tem sido concentrar esforços de melhoramento no desenvolvimento de sistemas radiculares mais eficientes. “A maioria de nossas melhorias tem se concentrado em variedades com um sistema radicular mais robusto, capaz de transportar de forma eficiente os nutrientes que a planta necessita”, explica Johow, acrescentando que esse critério já orienta todos os novos lançamentos da empresa para a zona central do Chile.

Embora as condições edafoclimáticas do Brasil sejam distintas das do Chile, o princípio de investir em melhoramento genético voltado à eficiência no uso da água é considerado, por especialistas do setor, uma tendência global que deve ganhar ainda mais espaço frente ao avanço das mudanças climáticas — inclusive em programas de melhoramento conduzidos por empresas que atuam simultaneamente nos dois países.

A Enza Zaden reforça que sua estratégia de pesquisa é global, com investimento contínuo em tecnologia de ponta para adaptar variedades às condições de produção de diferentes regiões — o que inclui, potencialmente, ganhos de eficiência hídrica que podem ser direcionados também ao portfólio destinado ao mercado brasileiro.

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