Fixação Biológica de Nitrogênio – Mitos e verdades

Inicialmente, cabe relembrar o que é o processo de fixação biológica do nitrogênio (N) e a importância dele para a cultura da soja no Brasil. A soja é muito rica em proteínas, que têm como base o N.

Publicado em 9 de maio de 2019 às 10h59

Última atualização em 9 de maio de 2019 às 10h59

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Autora

Mariangela Hungria
Pesquisadora da Embrapa Soja

Inicialmente, cabe relembrar o que é o processo de fixação biológica do nitrogênio (N) e a importância dele para a cultura da soja no Brasil. A soja é muito rica em proteínas, que têm como base o N.

Desse modo, para produzir proteínas a soja tem uma alta demanda em N. As duas principais fontes para suprir a soja seriam o N proveniente de fertilizantes e a fixação biológica do nitrogênio (FBN).

A soja é uma leguminosa que possui a capacidade de se associar a algumas bactérias específicas, que possuem uma enzima capaz de capturar o nitrogênio gasoso (N2) e transformá-lo em amônia, que a seguir será disponibilizada em diversas formas nitrogenadas para a planta.

Mitos e verdades

Existem alguns mitos que, atualmente, representam uma grande ameaça aos benefícios da fixação biológica do nitrogênio à cultura da soja, resultantes de décadas de pesquisa. Dentre os principais mitos, têm-se:

† Não é preciso inocular “áreas velhas”, tradicionalmente cultivadas com soja e que já receberam inoculantes: não é verdade, pois mais de 300 ensaios de pesquisa demonstraram que, em média, a reinoculação anual resulta em um incremento médio de 8%, o que significa muito lucro para o agricultor;

† As bactérias não conseguem suprir as necessidades de genótipos altamente produtivos, sendo necessário aplicar N-fertilizante: isso não é verdade, pois a pesquisa tem demonstrado, em todas as situações investigadas (diferentes sistemas de preparo do solo, rotação de culturas, ciclos de planta, hábitos de crescimento, genótipos transgênicos e convencionais) que as bactérias disponíveis nos inoculantes conseguem suprir todo o N necessário para altos rendimentos. Mas, é claro, lembrando que o agricultor precisa fazer a reinoculação anual, de maneira adequada;

† Posso economizar fazendo meu próprio inoculante: de maneira nenhuma, pois o inoculante, embora seja um insumo barato, requer alta tecnologia e ambiente estéril para ser produzido. Nas análises que temos realizado de “inoculantes caseiros”, observamos que, inclusive, existe risco à saúde, pois vários patógenos humanos têm sido detectados, além de outros contaminantes e, em geral, poucos ou nenhum rizóbio;

† Não vale a pena inocular, porque existe incompatibilidade com agroquímicos e eu tenho que tratar minhas sementes com agrotóxicos e micronutrientes: isso pode ser verdade, mas não inocular vai levar a prejuízos. As alternativas já confirmadas pela pesquisa são a de usar concentração elevada de bactérias e semear o mais depressa possível, ou inoculação no sulco, com 2,5 a três vezes a dose recomendada para as sementes. Em relação ao cobalto (Co) e molibdênio (Mo), eles podem ser aplicados via foliar, na mesma concentração que seriam aplicados nas sementes, desde que até no máximo 30 dias após a emergência

Contribuições para a soja

Talvez o problema mais sério que a FBN enfrenta é o do crescimento do tratamento industrial e “on farm” de sementes, com tempo de armazenamento longo. Infelizmente, todos os testes que temos feito indicam morte acentuada das bactérias a partir de 5-10 dias.

Em nenhum caso encontramos boa sobrevivência em períodos superiores a isso. Em prazos maiores, de 30, 45 dias, com frequência temos observado zero de sobrevivência.

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