Fazenda brasileira aplica novo conceito de produção de lúpulo

Planta típica de regiões frias começa a ser produzida em larga escala no país, um desafio vencido pela Mundo Hop. Cervejarias mineiras já estão trocando lúpulo importado pela produção local.

Publicado em 8 de setembro de 2023 às 16h28

Última atualização em 8 de setembro de 2023 às 16h28

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Gabriel Purri e Thiago Fenelon, cofundadores da Mundo Hop
Rafaela Nassam/Divulgação

O Ministério da Agricultura e Pecuária acaba de publicar o Anuário da Cerveja 2022, que tem resultados animadores para a economia. O setor cervejeiro cresceu 11,6%, com a abertura de 180 novos estabelecimentos, totalizando 1.729 cervejarias no Brasil. Acompanhando este mercado, temos o lúpulo, planta essencial à fabricação de cerveja, mas pouco produzida no país até então. Em 2023 vimos a Mundo Hop começar a mudar esse cenário, sendo a primeira produtora de lúpulo em larga escala do país.

De acordo com o anuário, a balança comercial brasileira no mercado de cerveja registra um superávit (vendeu mais do que comprou) de US$ 100.038.646. Ainda assim, observa-se que o produto nacional exportado é menos valorizado que o importado. O preço médio da cerveja brasileira exportada foi de 0,60 US$/Kg, enquanto o valor da cerveja importada foi de 0,87 US$/Kg, o que representa uma desvantagem de 31% no valor por cada quilograma da bebida.

Para Gabriel Purri, sócio-fundador da Mundo Hop, uma das explicações possíveis é a baixa qualidade que o lúpulo geralmente usado no Brasil tem. “Por ser uma planta que se adapta bem em regiões mais frias, 99% do lúpulo usado no país é importado. As safras lá fora são anuais, restando para nossos fabricantes de cerveja um lúpulo de menor qualidade muitas vezes colhidos há mais de dois anos, o que obviamente impacta no sabor e no preço da bebida”, comenta.

Em busca de mudar esse cenário, Purri e seu sócio Thiago Fenelon investiram em pesquisa para desenvolver uma técnica de cultivo que permitisse ao lúpulo crescer em solo brasileiro – com altíssima qualidade e em larga escala – e ainda aumentar o número de colheitas. Até o momento, já foram investidos mais de R$ 3 milhões pela empresa para que o Brasil ocupe o posto almejado de produtor de lúpulo. A estimativa é de investirem mais cerca de R$ 2 milhões até o final de 2024 para expansão e melhorias .

A fazenda da Mundo Hop, localizada em Mateus Leme, Minas Gerais, é capaz de produzir 15 toneladas de lúpulo ao ano, em três safras, com sete variedades: Comet, Cascade, Chinook, Saaz, Triumph, Triple Pearl e Zeus. “Temos conseguido aumentar o número de safras, nos diferenciando globalmente dos outros produtores. Isso significa que temos lúpulo fresco o ano inteiro, resultando em cervejas ainda melhores e podendo elevar o preço da bebida para exportação”, explica Fenelon.

Diversas cervejarias brasileiras já estão trocando o lúpulo importado pelo lúpulo da Mundo Hop, como as marcas Capapreta, Caraça, Krug Bier, Viela, São Sebastião, Tarin e Verace. Produzido com cuidado e alta tecnologia, o lúpulo da Mundo Hop passa por uma seleção rigorosa, é levado para peletização em máquina própria, desenvolvida especificamente para atender à empresa, e embalado em atmosfera modificada, chegando em perfeitas condições às cervejarias. A expectativa dos sócios é escalar o negócio para atender fabricantes em todo o Brasil e até mesmo cervejarias de outros países. 

Sobre a Mundo Hop – É a maior produtora de lúpulo do Brasil, criada em 2019 pelos empreendedores belo-horizontinos Gabriel Purri e Thiago Fenelon. Sua fazenda de 4 hectares, localizada em Mateus Leme, Minas Gerais, é capaz de produzir até 15 toneladas de lúpulo ao ano, em três safras, com sete variedades: Comet, Cascade, Chinook, Saaz, Triumph, Triple Pearl e Zeus. A Mundo Hop se caracteriza pela inovação ao produzir em terras brasileiras e em larga escala uma planta típica de regiões frias e por um lúpulo de altíssima qualidade e frescor.

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