Exportações de madeira caem 8% no primeiro semestre

Apesar da tímida reação em junho, o acumulado do ano está abaixo do mesmo período do ano passado. Tarifas, dólar e fretes impactam diretamente o resultado.
Madeira - Crédito: Ana Maria Diniz
Acompanhe tudo sobre Madeira e muito mais!

Os dez produtos de madeira acompanhados pela WoodFlow apresentaram queda de 6% em volume e 8% em valor no primeiro semestre de 2026, comparado ao mesmo período do ano anterior. Para o CEO da WoodFlow, Gustavo Milazzo, as reduções são reflexo de políticas tarifárias dos Estados Unidos, comportamento do dólar e guerras que aumentam os custos de produção e transporte, tornando nosso produto menos competitivo.

De acordo com os dados extraídos do portal ComexStat, de janeiro a junho foram exportados US$ 855,2 milhões, enquanto no ano passado nesse período a soma foi de US$ 929,5 mi. Em junho, o montante comercializado com o exterior foi de US$ 154,4 mi, muito parecido com o valor registrado em maio, que foi de US$ 155 mi.

Já na comparação em volume, a soma de junho foi de 624,1 mil metros cúbicos, 6% a mais que os 589 m3 de maio. Na somatória do semestre, saímos de 3,6 milhões de m3 em 2025 para 3,4 mi m3 em 2026.


Fonte: WoodFlow, com dados ComexStat.

“Os produtores de madeira brasileiros têm feito sua tarefa de casa. Investindo em diversificação de produtos e de mercados. Porém os EUA ainda são nosso principal cliente. De todo o montante exportado em 2026, 24,7% foram para aquele país. Por isso somos tão suscetíveis à política tarifária em vigor. O setor espera maior mobilização das autoridades para que possamos reduzir as tarifas e restabelecer o fluxo de vendas, melhorando assim a nossa rentabilidade”, disse Gustavo.

Outro mercado relevante para a madeira brasileira é a União Européia, nosso principal cliente em compensado de pinus, por exemplo. Para estes clientes, os produtores nacionais devem estar atentos à entrada em vigor da nova legislação para produtos como madeira, o EUDR.

A Regulamentação Européia para produtos livres de desmatamento passará a valer já em dezembro deste ano e muitos pedidos que entram agora já precisam estar de acordo com as normas. “Por lá, eles já reabriram o sistema para que as empresas possam montar as suas diligências e comprovar que a matéria prima não é oriunda de áreas desmatadas após 2020. O produtor que se antecipar, terá vantagem competitiva neste mercado”, acrescentou o executivo.

Após um primeiro semestre tenso e recheado de altos e baixos, tanto em exportação quanto no câmbio do dólar, os madeireiros olham com atenção para o futuro. “As empresas devem continuar a diversificação, mirando em novos clientes e produtos. Sem esquecer do mercado interno que pode ser um grande consumidor a ser desenvolvido”, finalizou Milazzo.

Participe do Nosso Canal no WhatsApp

Receba as principais atualizações e novidades do agronegócio brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pesquisar

Últimas publicações

1

Tecnologia não substitui a escuta, o próximo nível do agro passa por entender melhor cada realidade

2

Com novidades no portfólio, Bayer apresenta soluções integradas para a cotonicultura no 15º Congresso Brasileiro do Algodão

3

Curso de Gestão de Empresas Pecuárias aborda margem e rentabilidade do negócio

4

Feedlot Summit Brazil 2026: Eficiência na pecuária deixa de ser apenas produzir mais e foca passa margem de lucro, qualidade de carcaça e gestão

5

Mercado de bioinsumos deve fechar 2026 com alta de até 7% em valor e 10% em volume

Assine a Revista Campo & Negócios

Tenha acesso a conteúdos exclusivos e de alta qualidade sobre o agronegócio.

Publicações relacionadas

agroindustria (Pequeno)

Agroindústria desacelera em julho e tem contração de –2,9%, ante o mesmo mês de 2025

ics

Inscrições para o Prêmio iCS de Economia e Clima são prorrogadas até o dia 2 de outubro

rios_cienciaufpr-2

Mais da metade das orquídeas pode estar ameaçada de extinção, diz estudo

Farmer in tractor preparing land with seedbed cultivator as part of pre seeding activities in early spring season of agricultural works at farmlands. Drone photo

Vazio sanitário: o intervalo entre safras que antecede uma nova lavoura