Estimativas para a safra 2020/21 de cana-de-açúcar

4ª revisão das estimativas para a safra 2020/21 de cana-deaçúcar no Centro-Sul
Cana - Crédito: Shutterstock

Publicado em 7 de agosto de 2020 às 09h00

Última atualização em 7 de agosto de 2020 às 09h00

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Autores

Matheus Costa – Analista de Inteligência de Mercado em Açúcar

Etanol Rafaela Souza – Estagiária em Inteligência de Mercado em Açúcar & Etanol

Cana – Crédito: Shutterstock

Ao longo dos próximos parágrafos, nós da Inteligência de Mercado da StoneX Brasil apresentaremos nossa 4ª revisão das projeções elaboradas para a safra sucroalcooleira de 2020/21 (abr-mar) no Centro-Sul do Brasil. Além de moldarem com maior precisão as expectativas para a temporada corrente, essa que tem apresentado dinâmica peculiar em meio à pandemia do novo coronavírus, os indicadores aqui apresentados serão fundamentais para a discussão do saldo global de açúcar. Como não poderia deixar de ser, as condições climáticas no cinturão canavieiro brasileiro continuaram sob os holofotes do mercado. No acumulado de junho e julho de 2020, as precipitações na região analisada totalizaram 46,3 mm, apresentando alta de 16,4% frente ao mesmo período do ano passado. Ainda assim, esse volume se posiciona 29,6% abaixo da média de 10 anos.

De modo geral, em muitas das principais regiões produtoras do Centro-Sul, a menor umidade ante à normalidade continuou pesando sobre as perspectivas de produtividade dos canaviais que serão colhidos no fim da temporada atual. Por isso, revisamos para baixo nossa projeção de moagem em 2020/21, para 595,3 milhões de toneladas, volume que apresenta queda de 0,4% no comparativo com a estimativa anterior, mas ainda assim, supera em 0,8% o patamar observado em 2019/20. É preciso destacar que a redução nas estimativas de moagem da matéria-prima foi limitada pelo desempenho climático em algumas mesorregiões específicas. Na área de Presidente Prudente e Assis, por exemplo, as precipitações superaram as expectativas, especialmente ao longo do mês de junho, o que ajudou a aliviar o estresse hídrico registrado nos meses anteriores.

O ATR médio, em sentido contrário à moagem, foi revisado para cima, uma vez que a qualidade das lavouras colhidas tem conseguido se sustentar em meio à menor umidade registrada no cinturão canavieiro brasileiro. Por isso, nós da StoneX Brasil estimamos que a concentração de açúcares na cana suba para 139,5 kg/t, valor que se posiciona 0,3 kg/t acima da última publicação e supera 2019/20 em 0,6%. Com isso, o ATR total – ou a disponibilidade de matéria-prima que é direcionada para a indústria – atingiu 83,0 milhões de toneladas, uma diminuição de aproximadamente 0,2% no comparativo com a estimativa anterior, publicada no início de junho. Ainda assim, a oferta de açúcares redutores totais em 2020/21 deve superar o nível observado em 2019/2020 em 1,5%.

O mix produtivo e os subprodutos da cana no Centro-Sul do Brasil Nesta que é a 4ª revisão das estimativas de safra para o Centro-Sul, mantivemos nosso share açucareiro inalterado em relação à projeção anterior, em 47,2%. Embora o mix acumulado de 2020/21 até a primeira metade de julho não esteja tão elevado em relação à safra 2017/18, por exemplo, quando o cinturão canavieiro registrou a maior produção histórica de açúcar, espera-se que a reversão para o etanol – tendência que é característica dos últimos meses do ciclo – seja menos acentuada.

A redução no volume de cana que será processada deve ter impacto limitado sobre a produção de açúcar por usinas do Centro-Sul na temporada atual, essa que deve atingir 37,3 milhões de toneladas. Comparativamente, esse valor representa uma diminuição de 0,2% em relação à projeção publicada no início de junho, mas supera o nível de 2019/20 em 39,5% – mantendo-se como novo recorde para a região. No tocante à produção de etanol de cana, esperamos que sejam produzidos 25,8 milhões de m³, volume que representa queda de 0,1% em relação à projeção anterior da StoneX e se posiciona 18,4% abaixo do patamar registrado em 2019/20. Especificamente, esperamos que sejam fabricados 18,0 milhões de m³ de hidratado (+3,6% e -18,7%, respectivamente) e 7,8 milhões de m³ de anidro (-7,7% e -17,7%).

É importante destacar que os números apresentados acima sinalizam ampliação da produção de etanol hidratado em detrimento do anidro no comparativo com a última publicação da StoneX. Essa alteração foi resultado de uma revisão negativa no mix do anidro: em termos práticos, o ajuste significa que do ATR total direcionado à fabricação de etanol, uma proporção menor será convertida em anidro – e, consequentemente, um share maior de hidratado será fabricado. A projeção de produção de etanol de milho, por sua vez, foi elevada em 5,2% frente à estimativa anterior, para pouco menos de 2,4 milhões de m³, superando a safra 2019/20 em 46,3%.

Em meio às perspectivas de retomada do consumo de combustíveis no médio e longo prazo, a StoneX projeta que a oferta total de milho no Brasil em 2019/20 (set-ago) possa atingir as 100 milhões de toneladas, o que, a depender das exportações e da evolução do consumo doméstico, poderá pesar sobre os preços no mercado interno e contribuir com a margem de produção do biocombustível a partir do cereal. Especificamente, nós da StoneX projetamos que cerca de 1,6 milhão de m³ de hidratado sejam produzidos, volume que representa alta anual de 33,3%. Para o anidro, as expectativas são de as destilarias fabriquem 796 mil m³ de anidro (+81,1%) em 2020/21 (abr-mar). Na 4ª revisão das estimativas da safra 2020/21 do Centro-Sul do Brasil, portanto, esperamos que a produção total de etanol fique em 28,2 milhões de m³, retração de 15,2% em relação à 2019/20.

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