Especialistas alertam sobre perdas bilionárias

Para minimizar os impactos do clima como secas e enchentes, representantes do setor analisam soluções para colheitas da América do Norte, Brasil e Sul da Europa.

Publicado em 23 de janeiro de 2024 às 08h00

Última atualização em 23 de janeiro de 2024 às 08h00

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As mudanças climáticas estão deixando uma marca preocupante na agricultura global, com secas e estresse hídrico causando perdas significativas em diversas regiões. Em uma mesa redonda promovida pela Elicit Plant, na França, especialistas debateram as condições enfrentadas por agricultores na América do Norte, Brasil e na Europa.

Painel Água
Crédito: Elicit Plant / Divulgação

O CEO da DunhamTrimmer, Mark Trimmer, especializada em biosoluções nos Estados Unidos, alertou para a frequência crescente e a intensidade das secas na América do Norte. “Mesmo produtores com acesso à irrigação estão enfrentando perdas severas devido às secas generalizadas, que não se limitam mais a regiões específicas”, detalha.

Já na Espanha, a situação é ainda mais crítica, conforme relato do CEO da Lainco Agro & Sirius Agrobusiness Consulting, Francesc Llauradó. O aumento das secas resultou em perdas consideráveis para os agricultores, totalizando 8 bilhões de euros em 2022 e prevendo um aumento para cerca de 12 bilhões de euros em 2023. “As previsões sombrias indicam que 75% das terras agrícolas espanholas podem se tornar desertas nas próximas quatro a cinco décadas, levando os agricultores a adotar medidas como consolidação de fazendas e melhorias nos sistemas de irrigação”, reforça.

No Brasil, o maior produtor mundial de soja e terceiro maior produtor de milho, a situação é semelhante, com perdas estimadas em 30 bilhões de euros devido a secas severas nas últimas safras. Felipe Sulzbach, diretor da Elicit Plant Brasil, destaca a variação de comportamento climático em diferentes regiões, evidenciando a necessidade de adaptação e soluções específicas. “O impacto global das mudanças climáticas é acentuado por extremos e riscos climáticos imprevisíveis”, ressalta. O exemplo citado por Sulzbach inclui uma seca seguida de chuvas intensas, resultando em inundações repentinas no Brasil. “Na América do Sul, os agricultores estão se esforçando para se adaptar a um clima cada vez mais volátil”, complementa.

Diante desse cenário desafiador, a especialista em biosoluções, Pam Marrone, enfatiza a importância do gerenciamento do estresse hídrico. Ela elogia a abordagem da Elicit Plant, uma startup de agritech, que se destaca ao focar no desenvolvimento de fitoesteróis como solução para esse problema. “A escassez de recursos hídricos é uma questão global, e os fitoesteróis apresentam uma perspectiva inovadora para manter ou aumentar a produtividade nas lavouras”, avalia.

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