Com bom nível no solo o potássio pode ser dispensado na adubação do cafeeiro

O potássio pode ser dispensado na adubação do cafeeiro, dependendo do teor em que se encontra no solo.
Café - Foto: Shutterstock

Publicado em 31 de janeiro de 2021 às 14h33

Última atualização em 31 de janeiro de 2021 às 14h33

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José Braz Matiello jb.matiello@gmail.com

Lucas Bartelega Engenheiros agrônomos – Fundação Procafé

Bruno D.M. MeneguciEngenheiro agrônomo e bolsista – Fundação Procafé

Café – Foto: Shutterstock

O potássio pode ser dispensado na adubação do cafeeiro, dependendo do teor em que se encontra no solo. Se estiver adequado, não é preciso adubar com adubos potássicos, ou, em caso de níveis um pouco mais baixos, pode-se reduzir sua dosagem

Para reduzir ou eliminar/dispensar a adubação potássica, é preciso providenciar a análise química do solo. Com base neles, se os teores estiverem acima de 120-160 ppm ou se o potássio estiver acima de 5% da CTC, ele deve ser dispensado.

Relação com a produtividade

O potássio é essencial na produtividade, sendo o mais importante, depois do nitrogênio, porém, em excesso ou desequilíbrio com o magnésio e cálcio, pode reduzir essa produtividade.

Os erros mais frequentes observados partem da falta de segurança na recomendação de retirada do potássio, conforme os teores desse nutriente já estejam adequados no solo.

A retirada do potássio, nos casos recomendados, pode economizar bastante na adubação. Por exemplo, se em uma lavoura fosse utilizada, normalmente, uma dose de 400 kg de K2O por hectare, isso representaria cerca de 660 kg de cloreto de potássio, com custo aproximado de R$ 1.300 – R$ 1.400,00/ha, que seriam economizados.

Equilíbrio

É bem conhecida a característica do potássio de ficar retido nas cargas do solo e, portanto, armazenado e disponível para as plantas. Por esta razão, a avaliação desta disponibilidade, mediante a análise química, é importante para a indicação adequada na adubação com esse nutriente.

As pesquisas realizadas, com diferentes níveis de K aplicados em cafeeiros, tem mostrado falta de resposta, e até respostas negativas na produtividade, quando do uso de doses de K2O além daquelas adequadas.

Pesquisas

Resultados de alguns ensaios mais antigos sobre o efeito de doses podem ser observados nas tabelas 1 e 2 e, recentemente, novo trabalho foi realizado para adicionar mais informações sobre o uso de potássio em lavouras cujo solo já acumula bons níveis de K.

Na tabela 1 pode-se verificar que a produtividade dos cafeeiros aumentou entre as doses de zero a 200 kg de K2O por hectare e se manteve, sem aumento, para a dose de 400 kg, em que os teores de K no solo já estavam acima de 138 mg/dm3.

Na tabela 2 observa-se que nos três níveis de K aplicados, em que o teor do nutriente estava muito alto no solo, acima de 198 ppm, a produtividade, ao invés de aumentar, diminuiu, provavelmente por desequilíbrio.

Tabela 1 – Produção média (em sc/ha, em seis safras (1982-87) e teores de K no solo em cafeeiros sob quatro níveis de K2O – Três Pontas (MG) – 1987 – Catuaí, espaçamento 2,0 x 1,0 m

Parâmetros avaliados Kg de K2O por ha/ano
0 100 200 400
Produtividade (scs/ha) 21,0 c 32,4 b 37,9 a 39,0 a
K no solo (mg/dm3) 36,0 d 85,0 c 138,0 b 185,0 a

Fonte: Adaptado de Viana et alli – Anais 14º CBPC,1987, p. 170-4.

Tabela 2 – Produção de café na 1ª safra útil após as adubações e teores de K no solo, em ensaio de doses de K2O, M. Soares (MG), 2004

Parâmetros avaliados Kg de K2O por ha/ano
0 100 200 400
Produtividade(scs/ha) 65,6 a 50,8 b 56,9 b 51,9 b
K no solo (mg/dm3) 70,0 b 198 a 242 a 220 a

Fonte: Adaptado de Matiello et alli – Anais 30º CBPC,2004, p. 35

Visando oferecer mais subsídios para a recomendação de adubação potássica, considerando os níveis encontrados em análise de solo, foi instalado ensaio, recentemente, na FEX Varginha, onde o solo apresentava os parâmetros de fertilidade conforme tabela 3.

Foi escolhido, para o ensaio, propositadamente, um talhão de cafeeiros da variedade Acauã, no espaçamento de 3,5 x 0,5 m, com  oito anos de idade,  que vinha recebendo adubações potássicas usuais.

Assim, apresentava solo com nível alto de potássio, correspondente a 232 ppm ou 6,55% da CTC (tabela 3). Foi testada uma dose baixa de N e uma dose alta, esta isolada ou em combinação com potássio.

Os resultados obtidos na safra estão inseridos ao lado dos tratamentos, na tabela 4. Verifica-se que a combinação de 300 kg de N e 300 kg de K2O/ha não provocou aumento de produtividade em relação à aplicação exclusiva do N. Conclui-se, assim, que, em caso de níveis adequados de K no solo, pode ser dispensada a adubação potássica.

Tabela 3. Caracterização química do solo antes da aplicação dos tratamentos. Fazenda Experimental de Varginha (MG), 2019.

Amostra pH P K Ca Mg Al H + Al T Mg/T K/T Ca/T V
 (H2O) (mg/dm3)  (Cmolc/dm3)  %  %  %  %
Ensaio Potássio FEX 5,7 43 232 2,85 1,39 0,00 4,23 9,07 15,38 6,55 31,42 53,4

Tabela 4 – Produtividade, na safra 2020, com níveis de adubação nitrogenada exclusiva e combinada com potássio, em lavoura com alto teor de potássio no solo. Fazenda Experimental, Varginha (MG), 2020.

Tratamentos Produtividade (sacas/ha)
100 kg de N/ha 45,7 b
300 kg de N/ha 57,9 a
300 kg de N/ha + 300 kg de K2O//ha 59,8 a
C.V.  (%) 20,4

Fonte tabelas 3 e 4 – Pasta de Ensaios da FEX Varginha

N =100 kg/ha N =300 kg/ha N = 300 kg/ha e K=300 kg/ha

Podem ser observados os aspectos das plantas depois da colheita no ensaio (também depois de estresse hídrico). A parcela de cafeeiros que recebeu dose baixa de N, apesar da menor produção, sentiu mais os efeitos. Já na dose alta de N, com ou sem K, não se observa diferença entre essas duas.

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