Café solúvel: exportação do Brasil cai em volume, mas tem receita recorde

Nível de embarques foi impactado por cotações elevadas da matéria-prima, guerra entre Rússia e Ucrânia, cenário econômico global e gargalos e altos custos logísticos; receita sobe com patamares mais elevados de preços do produto
Hortifrúti julho 2014
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De acordo com dados do relatório estatístico da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), as exportações nacionais do produto somaram o equivalente a 3,719 milhões de sacas de 60 kg em 2022, apresentando queda de 9,1% na comparação com 2021. Em receita, contudo, os embarques alcançaram faturamento recorde de US$ 705,7 milhões, avançando 24,5% frente aos US$ 566,7 milhões obtidos no ano retrasado.

“O recuo registrado no volume reflete o cenário econômico mundial, afetado pela pandemia da Covid-19, os gargalos e os altos custos logísticos, os elevados preços da matéria-prima no Brasil, além dos impactos causados pela guerra entre Rússia e Ucrânia”, justifica o diretor de Relações Institucionais da Abics, Aguinaldo Lima.

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A receita cambial recorde, conforme ele, resulta dos maiores preços do solúvel no mercado, mas não implica mais renda ao segmento. “A matéria-prima, cafés arábicas e canéforas, alcançou níveis de preço nunca antes vistos e, em determinados momentos, os valores, no Brasil, descolaram drasticamente para cima das cotações globais, deixando oportunidades comerciais para que países concorrentes ocupassem os espaços deixados pelas indústrias brasileiras, que tiveram seu caixa diretamente impactado”, revela.

“Clientes perdidos nessas condições impõem perdas difíceis de serem revertidas, prejudicando tanto a indústria, quanto os produtores brasileiros”, completa Lima.

PRINCIPAIS DESTINOS
O café solúvel brasileiro foi exportado para 100 países em 2022. Os EUA lideram o ranking, adquirindo o equivalente a 768.951 sacas, o que representa evolução de 8,4% sobre 2021. Na sequência, vêm Argentina, com 302.850 sacas (-14,6%); Indonésia, com 268.250 sacas (-3,3%); Japão, com 187.944 sacas (-30,3%); e Polônia, com 181.171 sacas (+11,4%).

Como reflexo dos impactos causados pelo conflito no Leste Europeu, a Rússia, que tradicionalmente ocupava a segunda colocação no ranking, desceu para o oitavo lugar, com suas importações caindo 64,5% na comparação com 2021, para 135.108 sacas. A Ucrânia, sétimo principal destino do solúvel brasileiro no ano retrasado, sequer figurou no top 15 em 2022.

Do lado positivo, entre os principais parceiros comerciais no ano passado, merecem destaque as exportações realizadas para Finlândia e Alemanha. Os finlandeses, sextos no ranking, elevaram as importações do produto nacional em 432,5%, para 157.276 sacas. Já os alemães adquiriram 97.844 sacas, com crescimento de 149,4% ante 2021, e ocuparam a 11ª posição.

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CONSUMO INTERNO RECORDE
O consumo de café solúvel no Brasil foi de 998.668 sacas em 2022, avançando 1,4% sobre o ano antecedente e alcançando o maior nível histórico. Como resultado dos investimentos e trabalhos de promoção realizados pela Abics e suas associadas, desde 2016 os brasileiros aumentam, anualmente, o nível consumido da bebida.

“As indústrias ampliam, a cada ano, suas plantas fabris e a diversidade de produtos, o que, aliado às ações que desenvolvemos por meio da campanha ‘Descubra Café Solúvel’, nas redes sociais e junto a profissionais de barismo e cafeterias, gera um crescimento vigoroso, proporcionando maior percepção das qualidades e da versatilidade do café solúvel pelos consumidores brasileiros”, conclui Aguinaldo Lima.

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