Brasil na fronteira climática: desastres naturais nos últimos meses sinalizam alerta

Relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) revela que mais de 300 cidades brasileiras foram afetadas por tragédias climáticas em 2023; neste ano, só no Rio Grande do Sul, 458 municípios foram atingidos
Créditos Marinha do Brasil
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Inundações no Rio Grande do Sul [Marinha do Brasil/RS]

Antes da atual tragédia climática que devastou o Rio Grande do Sul, cientistas de diversas partes do Planeta já estavam de olho no Brasil. Em 2023, o país tinha enfrentado 12 eventos climáticos extremos, incluindo cinco ondas de calor, três chuvas intensas, uma onda de frio, uma inundação, uma seca e um ciclone. Segundo o relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), mais de 300 cidades tiveram impactos significativos em várias regiões do país no ano passado. Já nas últimas semanas, somente no Rio Grande do Sul, 458 municípios foram afetados pelas enchentes que viraram notícias em todo o mundo.

Vale destacar que o ano de 2023 foi marcado como um dos mais quentes já registrados na história, aproximando a Terra do seu “limite seguro”. Em julho do ano passado, por exemplo, a Amazônia foi atingida por uma onda de calor, considerada sem precedentes, que contribuiu para uma das piores secas registradas. O nível do Rio Negro caiu para 12,70m, o mais baixo desde 1902. Também foram registrados 22.061 focos de incêndio em outubro de 2023, pior número registrado na Amazônia desde 2008, afetando a qualidade do ar para os cidadãos de Manaus (AM).

Especialistas alertam que esse tipo de evento deve se tornar cada vez mais frequente, à medida que a crise climática global se aprofunda. “Estamos diante de um choque de realidade triste, mas que precisa ser encarado. O momento chegou, e a população sente os efeitos devastadores dessas mudanças climáticas”, afirma Gustavo Loiola, professor e consultor em ESG e Gerente do PRME da ONU. O especialista explica que para lidar com essa situação, duas frentes de ação são essenciais: a redução de emissões de gases do efeito estufa e a adaptação aos impactos já em curso.

Segundo Gustavo, o processo de eletrificação, o investimento em energias renováveis e a adoção de uma economia verde são algumas das medidas necessárias para mitigar as causas da crise climática. “Ao mesmo tempo, é fundamental que a sociedade se prepare para enfrentar os impactos que já estão acontecendo. Isso envolve a construção de infraestruturas mais resilientes e o uso inteligente dos recursos naturais. Só assim poderemos construir um futuro mais sustentável e resiliente para todas as comunidades”, completa Loiola.

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