Água na medida: o futuro sustentável da irrigação em HF

Estudos apontam que sistemas inteligentes podem reduzir o consumo de água em até 30%, ao mesmo tempo em que aumentam a produtividade em 15% a 25%.

Publicado em 1 de agosto de 2025 às 07h00

Última atualização em 4 de agosto de 2025 às 07h11

Acompanhe tudo sobre Irrigação e muito mais!

No atual cenário agrícola, marcado por exigências crescentes de produtividade, uso racional de recursos e responsabilidade socioambiental, a irrigação inteligente e sustentável tem se consolidado como uma das principais estratégias de inovação no campo.

Trata-se de um conjunto de práticas e tecnologias que, integradas, promovem o uso eficiente da água e da energia, garantindo não apenas a viabilidade econômica das lavouras, mas também a preservação ambiental e a resiliência dos sistemas produtivos.

A evolução do sistema

Um sistema de irrigação é considerado inteligente quando é capaz de operar de forma automatizada e responsiva, utilizando dados em tempo real para ajustar o fornecimento hídrico de acordo com as necessidades específicas das plantas, das condições climáticas e da umidade do solo.

Essa inteligência operacional, muitas vezes integrada a plataformas digitais e sensores, permite que o agricultor tome decisões mais precisas e assertivas, reduzindo desperdícios e otimizando insumos.

Tecnologias ditam as regras

Dentre as tecnologias mais relevantes nesse contexto, destacam-se os sensores de umidade do solo, as estações meteorológicas conectadas, os sistemas de telemetria, os softwares de gestão agronômica e os sistemas de automação controlados por inteligência artificial.

Essas ferramentas, além de monitorarem continuamente o ambiente agrícola, possibilitam que a irrigação ocorra no momento ideal, na quantidade exata e no local certo. O resultado é uma significativa economia de água e energia elétrica, aliando produtividade com sustentabilidade.

O monitoramento em tempo real é um dos pilares dessa nova era da irrigação. Com ele, o produtor não depende mais de estimativas ou intervenções manuais. A resposta do sistema é imediata às variações climáticas ou às alterações nas necessidades hídricas das plantas, permitindo um manejo mais eficiente e seguro.

Além disso, a coleta e análise de dados ao longo do tempo possibilitam a construção de históricos produtivos, fundamentais para o planejamento de safras e o uso estratégico dos recursos naturais.

Shutterstock

Automação invade o campo

Outro avanço que tem transformado a realidade do campo é a utilização de baterias e painéis solares em sistemas de irrigação, conferindo autonomia energética a propriedades localizadas em regiões remotas, onde o acesso à rede elétrica é limitado ou inexistente.

Essa independência energética, além de reduzir os custos operacionais, permite a continuidade das atividades mesmo em situações adversas, contribuindo para a segurança alimentar e o fortalecimento das cadeias produtivas locais.

Na prática, a adoção de sistemas de irrigação inteligentes tem gerado impactos expressivos sobre a produtividade e a rentabilidade das propriedades rurais. Reduções nos custos com energia elétrica, menor consumo de água, aumento do rendimento por área e melhoria na qualidade dos produtos são alguns dos benefícios mais reportados pelos produtores.

Além disso, o monitoramento e a automação reduzem a necessidade de mão de obra especializada, otimizando os processos e diminuindo riscos operacionais.

A irrigação de precisão, por sua vez, é uma aliada estratégica no atendimento às exigências ambientais e econômicas que cercam o agronegócio moderno. Ela promove o uso racional dos recursos naturais, minimiza os impactos sobre os corpos hídricos e o solo e contribui para o cumprimento de normas ambientais e certificações exigidas por mercados cada vez mais exigentes e conscientes.

Produtor operando sistema de irrigação inteligente com sensores e conectividade 5G

Culturas em destaque

Entre as culturas de hortaliças e frutas (HF), destacam-se aquelas de maior sensibilidade ao estresse hídrico e às variações ambientais, como o morango, o tomate, a alface, a cenoura e o melão.

Essas espécies apresentam alta resposta produtiva à irrigação precisa e eficiente, o que justifica os investimentos em tecnologia. Nessas culturas, pequenas variações na lâmina de irrigação ou no momento de aplicação podem comprometer não apenas a produtividade, mas também a qualidade comercial do produto final.

Diante desse cenário, investir em irrigação inteligente e sustentável deixou de ser uma opção e passou a ser uma exigência técnica e mercadológica. A inovação no manejo hídrico é hoje um diferencial competitivo que posiciona o produtor rural como protagonista de uma agricultura mais eficiente, resiliente e comprometida com o futuro do planeta.

Segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), a agricultura irrigada representa cerca de 72% da demanda hídrica do país. Neste cenário, tornar o uso da água mais eficiente não é apenas uma questão técnica, mas também estratégica para garantir a segurança hídrica e alimentar.

Estudos apontam que sistemas inteligentes podem reduzir o consumo de água em até 30%, ao mesmo tempo em que aumentam a produtividade em 15% a 25%, especialmente em cultivos de ciclo curto.

No aspecto energético, a utilização de painéis fotovoltaicos integrados aos sistemas de bombeamento tem sido cada vez mais comum. Além de garantir autonomia, essa fonte renovável permite uma economia de até 70% nos custos com energia elétrica. Há ainda incentivos fiscais e linhas de crédito específicas para aquisição de tecnologias sustentáveis, como os oferecidos pelo Programa ABC+ do Plano Safra.

Integração de sensores e análise de dados para irrigação de precisão em larga escala / Fábio Olivieri

Popularização dos sistemas

Além do uso de sensores e automação, plataformas baseadas em internet das coisas (IoT) têm se popularizado entre produtores de médio porte. Dispositivos conectados fornecem dados sobre temperatura, umidade relativa do ar, radiação solar e condutividade elétrica do solo, permitindo ajustes precisos na irrigação e fertilização (fertirrigação), otimizando também o uso de nutrientes.

Para garantir o sucesso na implementação da irrigação inteligente, é recomendável iniciar com um diagnóstico da área produtiva, considerando tipo de solo, topografia, necessidades hídricas da cultura e disponibilidade de recursos financeiros.

A assistência técnica especializada tem papel fundamental nesse processo, ajudando o produtor a selecionar o sistema mais adequado, seja por gotejamento, aspersão, pivô central ou microaspersão, conforme a cultura e o ambiente.

Caso a caso

A cultura do morango, por exemplo, tem sido uma das mais beneficiadas por sistemas de irrigação inteligente em ambiente protegido. A irrigação por gotejamento associada ao controle automático da fertirrigação tem proporcionado ganhos expressivos de produtividade e qualidade, com frutos mais uniformes, maior teor de açúcares e menor incidência de doenças.

Já em hortaliças folhosas, como alface e rúcula, o uso de sensores capacitivos e atuadores automáticos tem permitido colher até duas semanas mais cedo em relação ao manejo convencional, com economia superior a 40% em água.

Tais resultados se traduzem em ciclos mais curtos, maior frequência de plantios e incremento direto na receita bruta do produtor.

Autoria:

Luiz Fabiano Palaretti
Doutor em Recursos Hídricos e professor – UNESP/FCAV
luiz.f.palaretti@unesp.br 
Fabio Olivieri de Nobile
Doutor em Fertilidade do Solo e professor – Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos (UNIFEB)
fabio.nobile@unifeb.edu.br

Participe do Nosso Canal no WhatsApp

Receba as principais atualizações e novidades do agronegócio brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pesquisar

Últimas publicações

1

Crédito privado ganha protagonismo em meio aos desafios do agronegócio

2

Cultivo de hortaliças no inverno exige manejo para evitar perdas

3

A nova geopolítica do agronegócio: Competitividade passa a depender também da diplomacia e da estratégia 

4

Região do Cerrado Mineiro certificou 420 mil sacas e alcançou 27 mercados internacionais na Safra 2025/2026

5

Produção de pinhão será debatida em seminário em Cunha (SP)

Assine a Revista Campo & Negócios

Tenha acesso a conteúdos exclusivos e de alta qualidade sobre o agronegócio.

Publicações relacionadas

agro credito.jpg

Crédito privado ganha protagonismo em meio aos desafios do agronegócio

cultivo-hortalicas-inverno

Cultivo de hortaliças no inverno exige manejo para evitar perdas

Closeup of araucaria pine cone from Brazil with pine nuts.

Produção de pinhão será debatida em seminário em Cunha (SP)

Salsão Olimpo, da linha TSV Sementes
Agristar do Brasil

Peletização pode antecipar em até 15 dias a produção de mudas de salsão