Adubação nitrogenada no milho

Pesquisador da Fundação MT orienta o produtor com o objetivo de melhorar a produtividade da cultura na segunda safra

Publicado em 10 de julho de 2023 às 06h00

Última atualização em 15 de maio de 2025 às 16h06

Acompanhe tudo sobre Adubação, Milho e muito mais!

A adubação nitrogenada na cultura do milho está diretamente ligada à alta produtividade. É hoje uma das principais práticas que tem demonstrado resultados significativos nas pesquisas. Isso porque, geralmente, os solos com anos de agricultura possuem baixo teor de matéria orgânica e, portanto, não são suficientes para suprir as necessidades do grão e por isso precisam de suplementação. A Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT) tem buscado obter essas respostas com experimentos ao longo dos anos, tendo em vista que conhecimento é a melhor ferramenta disponível para obter sucesso nesta prática.

Para contextualizar, na safra 2020/21 houve atraso na semeadura da soja em função da irregularidade nas chuvas. Consequentemente, o plantio das culturas de segunda safra foi postergado, como é o caso do milho. Além disso, o engenheiro agrônomo e pesquisador de Solos e Sistemas de Produção, Felipe Bertol, pontua que o produtor encontrou dificuldade na aquisição de sementes de milho no mercado para áreas de algodão que, por janela, viraram milho. Por outro lado, o preço do grão estava atrativo e o dos fertilizantes nem tanto. Nesse cenário, é possível que o agricultor se pergunte qual será o investimento a ser feito em adubação nitrogenada e se vale a pena esse investimento.

Créditos: Divulgação

O primeiro ponto a ser levado em consideração é que existe um conjunto de fatores importantes para a operação, principalmente porque o Nitrogênio (N) é um dos elementos mais complexos a se manejar. “É preciso observar a fonte de onde se obterá o elemento, os seus prós e contras. A data de semeadura do milho e consequentemente com essa data, observar também o potencial produtivo daquela área”, pontua Bertol.

Por exemplo, se semeado na abertura da janela de milho segunda safra, quando há mais água disponível pelas chuvas, maior será seu potencial. Se o plantio foi realizado mais para o fim da janela, menor disponibilidade de água, então, consequentemente, menor é o potencial. Outro aspecto a ser levado em conta é a escolha do material genético e sua relação de resposta à adubação nitrogenada.

Na prática

Quando tratamos da prática de adubação e fertilização no milho safrinha em ambientes argilosos, o pesquisador diz que é necessário prestar atenção para: a fonte, o momento da aplicação e na dose. “Então pela lógica, se eu tenho um material genético mais responsivo ao Nitrogênio, com maior teto produtivo e a semeadura realizada mais cedo, maior será a resposta da adubação em produtividade”, detalha. Já quando este mesmo material genético é semeado mais tarde, automaticamente a resposta é menor, já que o insumo mais importante para a segunda safra é a água, que estará em menor quantidade. O detalhe é que por serem híbridos mais sensíveis, geralmente, as perdas por serem híbridos simples são maiores do que nos considerados mais rústicos, que são mais resistentes (geralmente híbridos duplos).

Ele ressalta que os híbridos mais rústicos, ainda assim, mesmo semeados em janela preferencial e com mais resistência, não conseguem competir com os mais sensíveis devido ao seu menor potencial produtivo por natureza.

Dose e fonte certa

A adubação nitrogenada é realizada em doses e é outro fator a ser levado em conta. “Se o produtor utilizar doses em áreas em que não se tem boas condições climáticas de produzir mais, ele está perdendo dinheiro”, esclarece Bertol. Falando da fonte do N, ele pondera que ao elencar prós e contras de cada uma, é possível saber como utilizá-las a seu favor. “Se for o caso de uma fonte de inibidor de urease (NBPT), com menor volatilização da ureia, eu tenho que encaixá-lo no melhor momento para que ele expresse esse recurso, geralmente no pico operacional e com maior volume de chuvas. Já que essas tecnologias têm custo mais elevado”, finaliza.

Participe do Nosso Canal no WhatsApp

Receba as principais atualizações e novidades do agronegócio brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pesquisar

Últimas publicações

1

Melhores práticas globais na agricultura e conservação de polinizadores

2

Manejo fisiológico no trigo: como ganhar até 423 kg/ha em anos de El Niño

3

Hortitec 2026 destaca inovação e oportunidades do setor hortifrutícola brasileiro

4

Caravana Frutas celebra primeiro embarque de uvas com tarifa zero para a União Europeia

5

Deep techs e biocombustíveis: tecnologias da Embrapa são destaque no AiTec da AgroBrasília

Assine a Revista Campo & Negócios

Tenha acesso a conteúdos exclusivos e de alta qualidade sobre o agronegócio.

Publicações relacionadas

Homem em campo de trigo verde fazendo manejo fisiológico no trigo com tablet e sensor de solo, ao lado de placa sobre ganho de produtividade no El Niño.

Manejo fisiológico no trigo: como ganhar até 423 kg/ha em anos de El Niño

Caminhões transportando contêineres em terminal logístico de exportação, com porto, guindastes, empilhadeiras e avião ao fundo, representando transporte internacional de cargas e comércio exterior.

Caravana Frutas celebra primeiro embarque de uvas com tarifa zero para a União Europeia

Especialista demonstra tecnologias da Embrapa e amostras de plantas oleaginosas para biocombustíveis no espaço AiTec da AgroBrasília.

Deep techs e biocombustíveis: tecnologias da Embrapa são destaque no AiTec da AgroBrasília

Construção do perfil do solo em lavoura cafeeira apresentada durante a Expocafé 2026.

Construção do perfil do solo ganha espaço na cafeicultura para aumentar resiliência produtiva