Adubação foliar em milho utilizando fertilizantes multinutrientes

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Publicado em 28 de dezembro de 2017 às 07h40

Última atualização em 15 de maio de 2025 às 16h02

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Antônio Marcos Coelho

Pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo

antoniomarcos.coelho@embrapa.br

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No Brasil, a adubação foliar utilizando fertilizantes multinutrientes na cultura do milho tem se intensificado nos últimos anos, tendo contribuído para isso os seguintes fatores: o desenvolvimento de híbridos com elevado potencial produtivo e com maior exigência nutricional; correção de deficiências eventuais; aproveitamento de operações para aplicação de defensivos e a grande disponibilidade no mercado de fertilizantes contendo vários nutrientes.

As seguintes condições têm levado a um agravamento geral das deficiências de micronutrientes, tornando-se uma obrigatoriedade as análises de solo e planta, visando um adequado diagnóstico das suas necessidades: no caso específico dos micronutrientes, o uso de fórmulas de fertilizantes de alta concentração, principalmente em nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), reduzindo a oferta de micronutrientes, como impurezas; o avanço da fronteira agrícola para os solos ácidos e pobres – inclusive em micronutrientes – dos Cerrados (com exceção do manganês); a correção de acidez com a elevação do pH do solo, diminuindo a disponibilidade (com exceção do molibdênio) dos micronutrientes zinco, boro, cobre, ferro e manganês, originalmente deficientes, podendo diminuir até 100 vezes a disponibilidade de manganês e zinco, além de reduzir a atividade do cobre e de ampliar os riscos de perdas de boro por lixiviação.

Determinar as fontes, doses e épocas de aplicação mais adequadas, bem como verificar possíveis efeitos fitotóxicos às plantas, pela aplicação de fertilizantes multinutrientes, pode auxiliar sobremaneira no planejamento da adubação.

Como diagnosticar a necessidade de adubação foliar

Sintoma de Phaeosphaeria + deficiência de fósforo - Crédito Miriam Lins
Sintoma de Phaeosphaeria + deficiência de fósforo – Crédito Miriam Lins

Considerando que na cultura do milho a aplicação de nutrientes via foliar normalmente é utilizada para correção de deficiências nutricionais observadas no campo, principalmente na fase inicial de desenvolvimento das plantas, período vegetativo de quatro a 10 folhas completamente desenvolvidas, a diagnose visual constitui ferramenta primordial.

Nessa fase, a análise foliar apresenta problemas operacionais, como o tempo gasto na coleta de folhas no campo, o envio ao laboratório e o recebimento dos resultados, o que demanda tempo, não permitindo, assim, a tomada de decisão para a correção do problema em prazo hábil. Por outro lado, os resultados da análise foliar de plantas de milho, obtidos nessa fase da cultura, não apresentam respaldo de dados de pesquisa para sua interpretação.

Assim, os sintomas de deficiências nutricionais são, no campo, um elemento auxiliar na identificação da carência nutricional. No entanto, para a identificação da deficiência com base na sintomatologia, é necessário que o técnico tenha razoável experiência de campo, uma vez que deficiências nutricionais, sintomas de doenças e distúrbios fisiológicos podem ser confundidos.

Para um preciso diagnóstico é importante obter informações adicionais, as quais incluem: condições climáticas, análises de solo, aplicação de agroquímicos (fertilizantes, herbicidas, inseticidas, etc.).

Os fertilizantes multinutrientes

Com adubação foliar, as deficiências podem ser corrigidas durante a fase de crescimento - Crédito Ana Maria Diniz
Com adubação foliar, as deficiências podem ser corrigidas durante a fase de crescimento – Crédito Ana Maria Diniz

A adubação foliar, utilizando fertilizantes multinutrientes, não substitui total ou parcialmente a quantidade dos nutrientes NPK recomendada para aplicação por ocasião da semeadura ou em cobertura na cultura do milho.

Em culturas extensivas, como o milho, com maiores exigências em nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), haveria necessidade de um grande número de aplicações foliares para suprir a demanda destes nutrientes, o que tornaria a prática inviável.

Neste caso, a adubação deve ser via solo. A adubação foliar pode ser utilizada para a correção de deficiências eventuais (suplementar), aproveitando-se de outras operações para aplicações de inseticidas e fungicidas. Nas condições brasileiras, a recomendação generalizada de aplicação via foliar de macronutrientes (NPK) em pequenas doses raramente tem encontrado respaldo nas pesquisas.

Entretanto, em função da pequena quantidade aplicada, seu custo é relativamente baixo, e por isso muitos agricultores se utilizam da prática sem a mínima segurança a respeito do real benefício.

Para os micronutrientes, por exemplo, o zinco (Zn), o boro (B), o manganês (Mn), etc., as exigências nutricionais do milho são em pequenas quantidades e, consequentemente, com menor número de aplicações, normalmente duas a três, no máximo, o que possibilita sua utilização com grande eficiência, principalmente para correção de deficiências eventuais observadas no campo.

Na adubação foliar, a resposta à aplicação é rápida - Crédito Shutterstock
Na adubação foliar, a resposta à aplicação é rápida – Crédito Shutterstock

Fase ideal para aplicar

Para a cultura do milho, a fase ideal para aplicação de nutrientes via foliar compreende os estádios de desenvolvimento vegetativo de quatro e sete folhas desenvolvidas (V4 e V7). Este período é conhecido como a “janela ideal para aplicação via foliar“, principalmente para os micronutrientes, conforme ilustrado na Figura 1.

 

Essa matéria completa você encontra na edição de janeiro 2018 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua para leitura integral.

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