Ação e reação dos defensivos agrícolas nas lavouras brasileiras

Fotos Jacto

Publicado em 30 de setembro de 2018 às 07h40

Última atualização em 30 de setembro de 2018 às 07h40

Acompanhe tudo sobre Aminoácido, Defensivo, Ferrugem, Grãos, Herbicida, Oliveira, Phakopsora pachyrhizi e muito mais!

Tulio Teixeira de Oliveira

Engenheiro agrônomo e diretor executivo da AENDA

aenda@aenda.org.br

 Fotos Jacto
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Durante as discussões no MAPA a respeito da reavaliação agronômica, ressurgiu a necessidade de colocar um conhecimento agronômico mais próximo do usuário dos produtos fitossanitários.

Chegou-se à conclusão que o modo de ação dos pesticidas precisava ser mais difundido para que o agricultor pudesse ajudar efetivamente na luta contra a adaptação que as pragas desenvolvem contra a presença de determinado defensivo na lavoura. Isso ficou mais evidente no caso do fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem asiática da soja, quando foi constatado que diversos fungicidas não estavam mais funcionando. Aliás, fato que motivou a citada Reavaliação Agronômica.

Considerando que o fenômeno estava acontecendo no principal cultivo do País, fez-se urgente um contra-ataque imediato.Cada ingrediente ativo age em um sítio específico da praga, desencadeando processos bioquímicos ou biofísicos que levam o organismo-praga à falência funcional e morte.

Apenas para ilustrar o artigo, daremos exemplo do modo de ação de um fungicida. O Tebuconazole é um fungicida do grupo Triazol, e como tal é um inibidor da biossíntese do ergosterol, importante lipídio para a formação da membrana de fungos. A inibição da formação do ergosterol leva ao colapso da célula fúngica.

O fungo da ferrugem da soja tem um forte poder de adaptação, que pode ocorrer por alguns processos, sendo o mais comum a sobrevivência de alguns indivíduos sob ataque de um fungicida, certamente por terem, de forma natural, um mecanismo de bloqueio daquela substância.

Estes indivíduos se multiplicam e começa um cenário de “resistência“ ao dito fungicida.Porém, se for aplicado um produto com um determinado modo de ação e na segunda aplicação for utilizado outro ingrediente ativo com modo de ação ou mecanismos de ações diferentes, é certo que os artifícios de sobrevivência da praga serão dificultados.

Daí para frente

 Cada ingrediente ativo age em um sítio específico da praga
Cada ingrediente ativo age em um sítio específico da praga

O assunto se complicou mais um pouco quando se percebeu que fungicidas quimicamente diferentes, mas com modos de ação semelhantes, também podem ter perda de eficácia. Isso é a chamada resistência cruzada. E mais, em raros casos detectou-se a resistência múltipla, ou seja, a praga conseguiu adaptação mesmo a produtos com modos de ação diferentes. A lição aprendida foi: o modo de ação de uma e outra aplicação deve ser bem diferente mesmo.

Existem muitos Modos de Ação (MoA) dos fungicidas. Podem agir na síntese de ácidos nucléicos, na divisão celular, na respiração, na síntese de aminoácido e proteínas, na síntese da metionina, na ruptura da membrana e tantas mais.

Você pode saber mais sobre quais são os modos de ação acessando o site do FRAC (www.frac-br.org). Para herbicidas digite HRAC e para inseticidas IRAC.

Rotulação

O Ministério da Agricultura decidiu que os rótulos dos produtos trouxessem bem à vista o modo de ação, para que o usuário possa transformar em rotina a rotação de produtos com ação diferenciada sobre a praga da vez em sua lavoura. É uma tática de popularização de um conhecimento científico que certamente vai trazer resultados positivos. Parabéns ao MAPA.

Essa matéria completa você encontra na edição de setembro de 2018 da Revista Campo & Negócios Grãos. Adquira o seu exemplar para leitura completa.

 

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