A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) lançou o Estudo Setorial 2026, uma das principais publicações da entidade, que reúne informações sobre a abrangência do setor industrial madeireiro nacional, sua contribuição para a balança comercial e dados socioeconômicos. O material também traz números específicos de cada segmento de produtos, apresentando uma visão dos cenários mundial e nacional, da produção, do consumo interno e das exportações, entre outros aspectos.
Segundo Paulo Pupo, superintendente da Abimci, os indicadores divulgados no Estudo Setorial demonstram que a indústria de madeira processada mantém papel relevante na geração de empregos no país. “Em 2024, a indústria madeireira foi responsável por 173,3 mil postos de trabalho. Quando computamos toda a indústria de madeira sólida, que engloba também a indústria moveleira, o número chega a 376 mil vagas. Os estados do Paraná e de Santa Catarina se destacam entre os principais polos empregadores, refletindo a forte presença industrial nessas regiões”, diz Pupo.
Ele reforça que o setor exerce papel significativo no desenvolvimento econômico e social do país. Entre os principais produtos de madeira sólida exportados pelo Brasil estão compensados, madeira serrada, molduras, portas de madeira, pisos e pellets. Em relação aos volumes exportados em 2025, os resultados apresentados indicam que alguns produtos foram impactados pelas tarifas norte-americanas impostas no ano passado, mas o setor mantém sua competitividade no ambiente internacional.
O Estudo Setorial também traz um panorama das florestas no mundo, que ocupam 4,1 bilhões de hectares, dos quais 93% são de florestas nativas e 7% de plantadas. “O Brasil concentra 12% da cobertura florestal global, com 497 milhões de hectares, o equivalente a 60% do território nacional. Desse total, a maior parte é composta por florestas nativas, enquanto as plantadas, principalmente de eucalipto (8,8 milhões de hectares) e pinus (1,9 milhão de hectares), são responsáveis pela base de suprimento da indústria de madeira processada mecanicamente”, destaca o superintendente da Abimci.
Os dados apresentados trazem uma visão geral dos cenários que impactam as atividades madeireiras no Brasil e no mundo. “Eles nos permitem compreender os desafios atuais, que são abrangentes e complexos, seja no âmbito comercial, da produção, do suprimento, bem como gargalos logísticos, cenários econômicos e atração de investimentos, entre tantos outros temas. Essas informações ajudam na construção de estratégias, ações e agendas de suporte ao desenvolvimento dos negócios e à sustentabilidade das empresas madeireiras e de base florestal do Brasil”.
O Estudo Setorial 2026 da Abimci está dividido em seis capítulos: Institucional, Tendências e Perspectivas Macroeconômicas, Floresta, Indústria, Mercado e Agendas da Abimci. O documento reúne ainda dados, análises e indicadores sobre cada um dos segmentos de produtos madeireiros representados pela associação.
Na sequência, são apresentados alguns números do setor. As informações completas e detalhadas sobre cada segmento e sobre o setor como um todo estão disponíveis na íntegra da publicação.
Madeira serrada – Em 2024, o Brasil produziu 8,0 milhões de metros cúbicos de madeira serrada de pinus. O produto tem ganhado cada vez mais participação no mercado internacional, com mais de 2,9 milhões de metros cúbicos exportados em 2025. Em relação à produção de madeira serrada de folhosas, incluindo o eucalipto, o Brasil registrou 1,2 milhão de metros cúbicos em 2024. Em 2025, as exportações somaram 367,6 mil metros cúbicos.
Compensado – O compensado produzido no Brasil é predominantemente de madeira de pinus, sendo amplamente utilizado e comercializado no mercado global. O país ocupa a quarta posição entre os maiores produtores mundiais, com produção de 3,5 milhões de metros cúbicos em 2024, e é o maior exportador mundial do produto, com 2,3 milhões de metros cúbicos exportados em 2025. O Paraná, com 67%, e Santa Catarina, com 33% desse montante, destacaram-se como os principais estados exportadores. A produção brasileira de compensado de folhosas registrou 270 mil metros cúbicos em 2024. As exportações atingiram 117,9 mil metros cúbicos em 2025.
Portas – O segmento de portas de madeira tem registrado evolução constante nos últimos anos, com investimentos em tecnologia de produção, equipamentos e na qualidade dos insumos para atender às exigências do mercado. Um dos fatores que contribuíram para essa evolução foi a implementação do Programa Setorial da Qualidade de Portas de Madeira para Edificações (PSQ-PME), desenvolvido e coordenado pela Abimci, com foco na qualidade e na padronização dos produtos em conformidade com as normas técnicas. Em 2024, foram produzidas 8,2 milhões de unidades de portas de madeira. No ano seguinte, as exportações chegaram a 132 mil toneladas.
Molduras – Entre 2017 e 2024, a produção de molduras registrou crescimento aproximado de 19%. Em 2024, o Brasil produziu cerca de 700 mil metros cúbicos do produto. O país se consolidou como o maior exportador mundial, com 18% do total exportado globalmente. Em 2025, foram exportadas 138,6 mil toneladas de molduras, sendo 97% desse total destinado aos Estados Unidos. O segmento está em constante monitoramento da recuperação da demanda norte-americana na conjuntura pós-tarifação, focando na manutenção de sua competitividade e relevância nesse mercado.
Pisos – A indústria brasileira de pisos de madeira abrange diferentes tipos de produtos, com destaque para o piso maciço (sólido) e o piso engenheirado. Em 2025, foram produzidos 6,5 milhões de metros quadrados. Os Estados Unidos se mantêm como o principal destino, absorvendo cerca de 50% do volume exportado. No mesmo período, as exportações totalizaram 30,5 mil toneladas. Os pisos de madeira brasileiros são reconhecidos internacionalmente pela qualidade, mantendo competitividade e potencial de retomada nos mercados externos.
Pellets – A produção brasileira de pellets tem apresentado crescimento nos últimos anos. O volume é dividido entre o mercado externo e a demanda interna. O segmento tem direcionado esforços para expandir o fornecimento para diversos setores, como o agronegócio (secagem de grãos e aquecimento de aviários), redes hoteleiras e a indústria alimentícia. Em 2025, o Brasil exportou 449 mil toneladas, e a Itália é o maior comprador do pellet brasileiro, absorvendo quase 70% do volume exportado.