Tecnologia Seagard: extrato de algas auxilia no desenvolvimento do café

Estudo conduzido pela C3 Consultoria, em Araxá (MG), demonstra que bioestimulantes à base de algas marinhas podem reduzir efeitos do estresse hídrico e favorecer o crescimento do cafeeiro em fase de formação.
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O estresse hídrico é um dos principais fatores que limitam o desenvolvimento e a produtividade do cafeeiro. A deficiência de água interfere em processos fisiológicos fundamentais, como fotossíntese, absorção de nutrientes e crescimento vegetal.

Em condições de déficit hídrico, ocorrem alterações metabólicas e fisiológicas que comprometem o desempenho das plantas e podem afetar diretamente o potencial produtivo da cultura.

Nesse cenário, produtos bioestimulantes à base de extratos de algas marinhas têm ganhado espaço na agricultura por sua capacidade de aumentar a tolerância das plantas ao estresse hídrico. Esses extratos contêm compostos bioativos, como aminoácidos, polissacarídeos e reguladores de crescimento, que estimulam respostas fisiológicas positivas e contribuem para o desenvolvimento radicular e para uma maior eficiência no uso da água pelas plantas.

Avaliação em condições experimentais

Com o objetivo de avaliar os benefícios da aplicação de extrato de algas da espécie Kappaphycus alvarezii, foi conduzido um experimento utilizando tecnologia Seagard na fase de formação do cafeeiro.

O estudo foi realizado no município de Araxá, na estação experimental C3 Consultoria, localizada a 987 metros de altitude. As mudas utilizadas foram da cultivar Arara, transplantadas individualmente em vasos plásticos com capacidade de 18 litros.

O delineamento experimental foi em blocos casualizados, com cinco tratamentos e três repetições, sendo cada repetição composta por quatro vasos. As plantas foram avaliadas sob três condições de irrigação: sem irrigação, irrigação com lâmina de 50% e irrigação com lâmina de 100%.

Durante seis meses de condução do experimento, foram avaliados parâmetros de crescimento da parte aérea e do sistema radicular das plantas.

Avaliação do desenvolvimento das plantas

Ao final do período experimental, as plantas foram completamente desmontadas para avaliação detalhada do crescimento. Entre os parâmetros analisados estavam altura das plantas, diâmetro do caule, comprimento das raízes e massa seca do caule.

Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância e posteriormente representados em curvas de resposta das doses avaliadas.

Resultados indicam respostas positivas

Os resultados demonstraram comportamentos distintos entre plantas cultivadas em sequeiro e aquelas submetidas a diferentes lâminas de irrigação. Para altura das plantas, a maior resposta em condição de sequeiro ocorreu na dose de 2,5 L ha⁻¹. Já nas condições irrigadas com 50% e 100% da lâmina, os melhores resultados foram obtidos entre as doses de 1,5 e 2,5 L ha⁻¹.

Em relação ao diâmetro do caule, o melhor desempenho em sequeiro também ocorreu na dose de 2,5 L ha⁻¹. Nas lâminas de irrigação de 50% e 100%, a dose de 2,0 L ha⁻¹ apresentou os maiores valores para esse parâmetro, enquanto a dose mais alta indicou leve redução no crescimento.

Para comprimento de raiz e massa seca do caule, os resultados mais expressivos foram observados nas condições de irrigação plena, especialmente nas doses entre 1,5 e 2,5 L ha⁻¹.

Conclusões do estudo

Nas condições edafoclimáticas da região de Araxá (MG), os resultados indicaram que: as maiores alturas de plantas, diâmetro de caule e comprimento de raízes foram obtidos com a dose de 2,0 L ha⁻¹ de Seagard, independentemente do nível de irrigação.

A dose de 2,5 L ha⁻¹ também apresentou resposta positiva no crescimento das plantas em comparação à testemunha, especialmente para altura e diâmetro do caule.

A dose de 1,0 L ha⁻¹ não apresentou incremento significativo em relação à testemunha nas diferentes condições de irrigação.

Os resultados reforçam o potencial dos bioestimulantes à base de algas marinhas como ferramentas importantes no manejo do cafeeiro em fase de formação, contribuindo para maior desenvolvimento das plantas e melhor adaptação às condições de estresse hídrico.

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