Fundação MT avalia danos de lagartas em algodão

Biotecnologias do algodoeiro: atuação nas populações de lagartas

Publicado em 18 de julho de 2023 às 10h00

Última atualização em 15 de maio de 2025 às 16h16

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As lavouras de algodão têm sofrido com a ocorrência das lagartas falsa-medideira (Chrysodeixis includens), do complexo Spodoptera, com Spodoptera eridania e Spodoptera frugiperda, além de Helicoverpa armigera.
A incidência se dá, principalmente, em lavouras plantadas com cultivares que não possuem ferramentas de controle dessas pragas, como a tecnologia Bt. Pesquisas realizadas pela Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT) e apresentadas neste mês em Sapezal (MT) mostram a redução ou inexistência de danos em plantas transgênicas de algodão.
Os materiais capazes de expressar toxinas Bt (de Bacillus thurigiensis), por exemplo, apresentam controle das espécies de lagartas curuquê-do-algodoeiro (Alabama argillacea), falsa-medideira (C. includens), Helicoverpa armigera, lagarta-das-maçãs (Chloridea virescens) e Spodoptera spp., todas ocorrentes na cultura do algodão.

Créditos: Fundação MT

O que se viu

Nas pesquisas da Fundação MT desta safra, até o momento não se observou população de lagartas e, consequentemente danos, em cultivares Bt3, WS3 e GLTP. De acordo com Lucia Vivan, entomologista e pesquisadora da instituição, as avaliações seguirão até o final do ciclo a fim de verificar se haverá presença dessas pragas.
Já em cultivares não-Bt, nos mesmos experimentos, os danos iniciaram com a desfolha das plantas e também ocorreram nas estruturas vegetativas. A presença de lagartas S. eridania começou a partir do estádio F1, com maiores danos nas folhas e consumo de brácteas, e menores danos em botões florais.
A partir dos estádios com botão floral e maçãs, as infestações de lagartas S. frugiperda e H. armigera se intensificaram e provocaram danos nas estruturas vegetativas.
A especialista explica que foi observada a presença de lagartas S. frugiperda mesmo em cultivar Bt2, com danos nas estruturas como flores, botões e maçãs do algodoeiro, no entanto, em índices inferiores a cultivar não-Bt. “Essa é uma demonstração de que já existe um problema em relação à evolução de resistência para as proteínas Bt”, destaca.

Refúgio

A principal forma de evitar a redução da eficácia da tecnologia é a adoção de áreas de refúgio nas lavouras Bt. “A não adoção pode levar a um risco potencial de longo prazo. As pragas podem evoluir na resistência às proteínas Bt, levando à redução de sua eficácia, ou seja, perderemos essa ferramenta”, alerta Lucia.
Para prolongar a efetividade das proteínas Bt expressas em plantas transgênicas, é necessário a adoção de práticas conhecidas como programas de Manejo de Resistência de Insetos (MRI).
Esses programas são indispensáveis para as plantas transgênicas e demandam o plantio de algodão convencional na distância máxima de 800 metros entre as plantas, sendo 20% da área com material não-Bt.
O local é denominado “área de refúgio” e seu objetivo é permitir o cruzamento de insetos resistentes às proteínas Bt com insetos suscetíveis a essas proteínas, resultando em descendentes suscetíveis, restaurando com isso a suscetibilidade da população às proteínas do algodão Bt.

Manejo completo

Além do uso de cultivares Bt, WS3 ou GLTP, as pragas no algodão requerem um bom controle químico e biológico, além de práticas de manejo integrado, como monitoramento, manutenção e preservação de inimigos naturais, tratamento de sementes e estabelecimento de período específico de semeadura para cultivo em cada região.
A pesquisadora ressalta também que os controles químico e biológico devem ser utilizados para as pragas que não são alvos da tecnologia Bt.

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