Aminoácidos – anticorpos da planta

Floresta de eucalipto - Crédito Ana Maria Diniz

Publicado em 27 de outubro de 2014 às 11h46

Última atualização em 27 de outubro de 2014 às 11h46

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Aminoácidos atuam como anticorpos naturais da planta

Antonio Gomes Soares

Químico e pesquisador da Embrapa Agroindústria de Alimentos

antonio.gomes@embrapa.br

Rodrigo da Silveira Campos

Engenheiro agrônomo e analista da Embrapa Agroindústria de Alimentos

rodrigo.silveira@embrapa.br

 

Abrir matéria - Crédito Ana Maria  Diniz
Crédito Ana Maria Diniz

As plantas são capazes de sintetizar todos os aminoácidos de que precisam para o seu metabolismo. Entre eles, a fenilalanina possui uma importante função: ser precursora da síntese de inúmeros compostos bioativos na planta, capazes de aumentar a sua resistência ao ataque de pragas e doenças, o que chamamos de Resistência Sistêmica.

Entenda melhor

Foi citado que os aminoácidos são precursores de hormônios e moléculas responsáveis pela sua resistência a diversos tipos de estresses, sejam eles bióticos ou abióticos. O aminoácido prolina, por exemplo, é um indicador de estresse hídrico, já o aumento da concentração de fenilalanina induz ao aumento da atividade do chamado “metabolismo secundário“, no qual são formados diversos compostos imprescindíveis para a proteção das plantas contra pragas e doenças.

Após uma infecção ou uma injúria que cause dano ao tecido vegetal, a presença dos aminoácidos aromáticos permitirão intensificar o processo de cicatrização, em que, por exemplo, o mecanismo de síntese de lignina no local é intensificado, proporcionando a criação de uma barreira que protegerá as células adjacentes, minimizando o dano provocado pela lesão.

Opções

Atualmente, não existem no mercado produtos que contenham uma composição específica de aminoácidos a fim de induzir rotas metabólicas específicas. O que se encontra são formulações em que há um pool (presença de vários aminoácidos), cujas concentrações variam em virtude das fontes proteicas utilizadas. Ainda assim, o resultado dessa adubação pode proporcionar ganhos em todo o metabolismo vegetal, conforme as diversas situações já mencionadas.

Atuação

Aminoácidos atuam diretamente no metabolismo da planta como um todo, desde o seu desenvolvimento à produção de moléculas sinalizadoras (elicitores), como também compostos responsáveis por repelir insetos, retardar ou impedir a infecção de tecidos por fungos.

Outra importante característica dos aminoácidos está relacionada ao transporte de minerais através da planta; podemos citar o caso do enxofre, que é transportado na forma de metionina ou cisteína, dois aminoácidos sulfurados. O cobre, por sua vez, é transportado complexado com aminoácidos e proteínas.

Do mesmo modo que os casos anteriores, o nitrogênio também é transportado sob a forma de compostos orgânicos, e, mais uma vez, os aminoácidos são um desses veículos. Nesse sentido, o amônio absorvido pela planta ou convertido após a absorção de nitrato é assimilado à glutamina (ou glutamato).

Os aminoácidos são essenciais para proteger as plantas de altas concentrações de amônio e nitrato, fontes de nitrogênio que são tóxicas ao tecido vegetal quando em altas concentrações. Diante disso, a planta “transforma“ formas tóxicas de nitrogênio em moléculas seguras: aminoácidos, especialmente a glutamina.

Ao utilizar aminoácidos, não há o efeito de “queima“ quando aplicado um excesso de nitrogênio, fato muito comum. Além disso, órgãos de fiscalização e segurança alimentar estão frequentemente medindo os níveis de nitratos em folhosas, sobretudo pelo fato de também serem tóxicas aos humanos.

No entanto, a glutamina não oferece risco nenhum. Ativar a produção de glutamina é um passo importante para reduzir danos por fitotoxidade e aumentar a segurança das hortaliças produzidas em regiões com grande aporte de nitrogênio.

O eucalipto

Os aminoácidos são essenciais para proteger as plantas - Crédito Ana Maria Diniz
Os aminoácidos são essenciais para proteger as plantas – Crédito Ana Maria Diniz

Quando as plantas de eucalipto possuem um metabolismo equilibrado, em que o translocamento de solutos está adequado, incluindo os minerais, aminoácidos e macroelementos como o nitrogênio; a sua susceptibilidade aos danos provocados pelo mais diversos estresses é amenizado, em vista do aumento da Resistência Sistêmica.

Muitos aminoácidos trabalham como cofatores em etapas metabólicas, que são cruciais ao desenvolvimento da planta e ao aporte energético do eucalipto. Isso é importante porque, ao fazer fotossíntese, além de assimilar o carbono atmosférico a planta também estará gerando energia para si própria, por meio da síntese de moléculas especiais.

Nesse sentido, os aminoácidos são essenciais para as rotas metabólicas envolvidas. Ao aumentarem a complexidade do papel dos aminoácidos, incluímos sua importância no metabolismo e na regulação da produção de fitormônios, os quais são imprescindíveis para o desenvolvimento das plantas.

Cada um possui sua importância vinculada aos diferentes estádios do desenvolvimento vegetativo. Por exemplo, a auxina é comumente conhecida como o hormônio de crescimento; enquanto isso, as giberelinas são responsáveis por regularem a altura das plantas e a germinação de sementes; e as citocininas, por regularem a divisão celular.

O etileno, um hormônio gasoso, está envolvido na maturação de frutas, por exemplo, no amarelecimento de folhas. O ácido abscísico é reconhecidamente relevante para a abertura dos estômatos, sobretudo quando a planta se encontra sob estresse hídrico, além de ser importante regulador da maturação e dormência de sementes.

 

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