Fósforo: Berinjela é exigente em adubação na base

Publicado em 7 de abril de 2020 às 11h15

Última atualização em 7 de abril de 2020 às 11h15

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Autor

Givago Coutinho
Doutor em Fruticultura e professor efetivo do Centro Universitário de Goiatuba (UniCerrado)
givago_agro@hotmail.com
Créditos: Shutterstock

A berinjela (Solanum melongena L.), espécie pertencente à família Solanaceae, assim como o tomate, pimenta, pimentão, batata e jiló, fazem parte do grupo chamado hortaliças-frutos, sendo bastante cultivada.

Planta cultivada de forma anual, embora seja perene, o plantio da berinjela tem início no começo da primavera na maioria das regiões e a colheita cerca de 100 a 140 dias após a semeadura.

Com relação aos fatores edáficos, tem preferência por solos de textura média, com pH em torno de 5,5 a 6,8, embora apresente boa tolerância à acidez. Vale ressaltar que o sistema radicular da berinjela pode alcançar até mais que um metro de profundidade, contudo, a maior parte das raízes se concentra nas camadas superficiais do solo.

A berinjela é exigente em nutrição equilibrada e em fósforo (P). O mesmo é exigido em maior quantidade no plantio, quando comparado ao nitrogênio (N) e o potássio (K), por exemplo. Além disso, por se tratar de uma cultura com longo período de colheita, recomenda-se a adubação organomineral em solos de baixa fertilidade.

No Brasil predominam as classes de solo Latossolo e Argissolo, que têm como principais características a elevada profundidade, alta intemperização, acidez elevada, baixa fertilidade natural e, em determinadas situações, alta saturação por alumínio.

Assim, em solos como a maioria dos encontrados no território brasileiro (ácidos, que apresentam elevados teores de ferro e alumínio), o fósforo encontrado de forma disponível para absorção pelas raízes das plantas é fixado e torna-se indisponível para as mesmas ao formar compostos de ferro e alumínio.

Necessidades

Característica de cada região, a adubação fosfatada pode sofrer diferenças entre regiões.  A recomendação mais utilizada em Minas Gerais é a proposta por Ribeiro et al. (1999), com doses de 200, 160, 120 e 60 kg.ha-1 de P2O5 no plantio em condições de baixa, média, boa e muito boa disponibilidade de P no solo, respectivamente.

Consideram-se como argilosos aqueles com teores maiores que 35% de argila, textura média de 15 a 35% de argila, e arenosos com teores menores que 15% de argila, respectivamente.

Fonte: Ribeiro et al. (1999), adaptado de Reis et al., (2020).

Já segundo Filgueira (2013), em áreas de média a baixa fertilidade, sugerem-se as doses de 30-40, 200-400 e 60-80 de N, P2O5 e K2O em kg.ha-1, respectivamente, no sulco de plantio, na ausência de dados próprios da região.

Benefícios

A deficiência severa de P ocasiona a queda de flores e redução da produtividade de maneira acentuada. Este evento pode, inclusive, levar à perda total da produção de frutos (Ribeiro et al., 1998).

A determinação da quantidade de adubação deve ser feita com base na análise química do solo e nas recomendações próprias de cada região, de acordo com o parecer do responsável técnico. Assim, a adubação é feita de forma mais precisa e racional, o que é requerido na agrotecnologia moderna.

Lembrando que, em condições de deficiência, o fósforo provoca o menor crescimento das plantas e as folhas apresentam aspecto de coloração verde escura mais intensa que as folhas sem sintomas, o que ocorre concomitantemente com a queda de flores e da produtividade.

No campo

Segundo Jesus et al. (2016), dentre os mais importantes fatores limitantes ao crescimento de plantas em regiões tropicais está a deficiência hídrica e a baixa disponibilidade de fósforo. Estes autores observaram, por exemplo, que no caso de doses de fósforo via solo sob condições de estresse hídrico e em condições hídricas ideais, houve melhores resultados em plantas suplementadas com fósforo.

Pelo intenso processo de fixação no solo, o fósforo possivelmente é o nutriente que mais pode atuar limitando o crescimento e o desenvolvimento das plantas nos solos das regiões tropicais (Faquim e Andrade, 2004).

Além disso, o excesso de fósforo no local pode acarretar danos ambientais, como eutrofização de recursos hídricos, além de favorecer uma potencial toxidez às plantas cultivadas, sendo, neste caso, um efeito indesejado (Silva, 2017). O teor excessivo de P no solo pode levar as plantas a demonstrarem também sintomas de deficiências induzidas de micronutrientes, sobretudo zinco e cobre.

Assim, sua correta aplicação, em quantidade e qualidade de forma racional, evita problemas de carências futuras deste nutriente e auxilia em benefícios ao bom desenvolvimento e produção da berinjela.

Além disso, em caso de diagnóstico de deficiência de P, deve-se considerar que condições de temperaturas baixas podem levar à queda de flores e em frutos menores, deformados ou coloridos de maneira desigual.

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