Manejo de resistência e o uso de herbicidas em pré-emergência

Manejo de resistência e o uso de herbicidas em pré-emergência
Manejo de resistência e o uso de herbicidas em pré-emergência

Publicado em 20 de julho de 2019 às 15h05

Última atualização em 20 de julho de 2019 às 15h05

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Crédito Fernando Adegas

A repetida utilização dos mesmos herbicidas nos últimos anos tem causado pressão de seleção em algumas espécies de plantas daninhas, com consequente surgimento de populações resistentes. O primeiro caso de resistência de capim-amargoso ao herbicida glyphosate foi registrado no Paraguai no ano de 2005.

No Brasil, a resistência do capim-amargoso (Digitaria insularis) a este herbicida foi registrada pela primeira vez no ano de 2008, no Estado do Paraná, também a glyphosate. Em 2016, na região centro-oeste do País, foi registrada a resistência de capim-amargoso aos herbicidas inibidores da ACCase, mas ainda em 2016 foi identificado resistência do capim pé-de-galinha (Eleusine indica) a glyphosate.

Mas o susto maior veio em 2017, com resistência múltipla do capim pé-de-galinha a glyphosate e inibidores da ACCase (Heap, 2019). No entanto, o pior ainda poderá vir, no tocante a resistência múltipla para gramíneas, pensando no capim-amargoso.

Nesse contexto, destacado pelo professor Leandro Paiola Albrecht, da Universidade Federal do Paraná (Setor Palotina), as plantas daninhas de difícil controle são um assunto que merece mais atenção, focando na eliminação ou mitigação dessa resistência, ou resolução de alguns problemas que as plantas daninhas trouxeram, o que volta a atenção para o uso de produtos pré-emergentes.

“É claro que os pré-emergentes precisam ser pensados no contexto do manejo integrado, e temos que usá-los, sobretudo, porque são uma grande ferramenta na rotação de mecanismo de ação. Com a técnica, o produtor pode reduzir a seleção de bióticos existentes e segurar a sementeira de daninhas, diminuindo o período de interferência destas no campo, assim como diminuindo a entrada dos produtos pós-emergentes. Assim, esta é uma ferramenta que foi muito utilizada na década de 80 e 90 e que precisa voltar a ser utilizada”, pontua Leandro Albrecht.

O melhor método

Segundo o especialista, ressuscitar produtos a partir de novas formulações e posicionamentos, até mesmo em função dos problemas que surgiram a partir do mau manejo dos transgênicos, como as populações de biótipos resistentes, e não só o glyphosate. “Podemos mencionar também casos de resistência múltipla da buva ao glyphosate, chlorimuron e paraquat, entre outros, sendo o cenário brasileiro extremamente preocupante”, aponta Leandro Albrecht.

No Brasil, inúmeros são os relatos de plantas daninhas que causam perdas de produtividade em soja. “Plantas daninhas resistentes são extremamente preocupantes, como por exemplo, o capim-amargoso, que pode levar a perdas superiores a 20% com uma touceira por metro quadrado. Ou uma planta de buva por metro quadrado, por exemplo, causa perdas de pelo menos 14%, ou seja, é como perder uma camionete ‘Hilux’ a cada 300 hectares de soja. Não podemos deixar isso continuar acontecendo – precisamos fazer a coisa certa, do jeito certo, na hora certa, e os pré-emergentes entram nessa jogada” conclui Leandro Albrecht.

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