Manejo da irrigação do algodoeiro

Crédito Amipa

Publicado em 13 de novembro de 2018 às 16h38

Última atualização em 13 de novembro de 2018 às 16h38

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João Henrique Zonta

José Renato Cortez Bezerra

José Rodrigues Pereira

Valdinei Sofiatti

Engenheiros agrônomos, D.Sc e pesquisadores da Embrapa Algodão

Crédito Amipa

As principais vantagens da adoção da irrigação para o cultivo do algodoeiro são o aumento da produtividade, a melhoria na qualidade da fibra, a possibilidade de produção de fibras especiais (fibra longa e extralonga), a maior eficiência no uso de fertilizantes, a ausência de risco de perda de safra em virtude das estiagens e a garantia de produção a cada ano, facilitando a comercialização do produto, além da geração de empregos e do aumento da renda.

 

Sistemas de irrigação

 

O algodoeiro pode ser irrigado com uso de vários sistemas de irrigação, sendo os mais utilizados: o sistema por aspersão convencional, o pivô central, o gotejamento e a irrigação por sulcos. O sistema de irrigação a ser utilizado depende das condições do solo, clima, topografia, disponibilidade hídrica e do aporte financeiro e tecnológico do produtor.

–Irrigação por aspersão convencional e pivô central: segundo Mantovani, Bernardo e Palaretti (2009), o sistema de irrigação por aspersão convencional apresenta eficiência entre 70 e 90% e pode ser utilizado nos mais diversos tipos de solos e de topografia do terreno. Já o pivô central apresenta eficiência entre 80 e 90%, e tem como principal vantagem a economia de mão de obra para a irrigação de grandes áreas, porém, não é recomendado para áreas com declividade acima de 15% e solos com baixa taxa de infiltração de água, além de apresentar maior custo de aquisição.

O dimensionamento dos aspersores (aspersão convencional e pivô central) deve ser realizado em função da capacidade de infiltração de água no solo. No caso do pivô central, a intensidade de aplicação se eleva à medida que os emissores se afastam da torre central do pivô. Sendo assim, quanto mais permeável for o solo, maior poderá ser a área irrigada por um pivô e menor será o custo de implantação por unidade de área. Em solos com menor capacidade de infiltração, as irrigações devem ser mais frequentes, aplicando-se uma menor lâmina de cada vez.

–Irrigação por gotejamento: o sistema de irrigação por gotejamento, pela elevada eficiência, acima de 90% (Mantovani; Bernardo; Palaretti, 2009), e menor consumo de água (não molha toda superfície do solo) e energia, tem sido o mais recomendado, principalmente em regiões onde a água é um fator limitante. Pode ser utilizado em todos os tipos de solo e topografia.

É o mais recomendado para aplicação de águas residuárias (com filtração) e salinas. Apresenta custo de instalação elevado, por causa do grande número de mangueiras e gotejadores e necessidade de sistema de filtração. Pode trabalhar com uma fita gotejadora por linha de plantio ou uma fita para cada duas linhas de plantio, sendo que essa disposição depende do tipo de solo.

–Irrigação por sulcos: relativamente aos outros sistemas de irrigação, o sistema por sulco apresenta menor custo de implantação, pelo fato da águaser conduzida em canais abertos, não exigindotubulações e pressão de serviço, porém, requergrande demanda de mão de obra e apresentabaixa eficiência (40% a 60%), sobretudo quandoo dimensionamento do sistema e as irrigações são realizadas sem critério técnico (Mantovani; Bernardo; Palaretti, 2009).

Em solos com altataxa de infiltração de água (arenosos) e em terrenosde topografia irregular (declividade > 2%), nãose recomenda o uso desse sistema. Em regiõessemiáridas, esse sistema de irrigação deve serutilizado com critério, em virtude da presença desolos rasos, com baixa velocidade de infiltração,além da elevada evaporação. Ainda, tem-se oproblema de salinização do solo quando o sistemaé mal manejado e águas salinas são utilizadas,condições frequentes nessa região.

 

Manejo da irrigação

Crédito Shutterstock

O manejo da irrigação deve ser realizado de modo a repor a água no solo no momento oportuno e na quantidade adequada ao longo do ciclo da cultura. Isso envolve a determinação e mensuração de uma série de parâmetros relacionados à planta, ao solo e ao clima.

Com a crescente escassez de água que ocorre em diversas regiões do País, bem como os elevados custos com energia elétrica para bombeamento e a cobrança pelo uso da água, o correto manejo da irrigação torna-se cada vez mais importante para a sustentabilidade dos recursos hídricos e para a viabilidade e lucratividade das áreas irrigadas.

O manejo da irrigação deve iniciar-se antes mesmo do plantio, pois, para a melhor germinação das sementes, a semeadura deve ser realizada em solo úmido. A lâmina de água a ser aplicada antes da semeadura deve ser suficiente para elevar a umidade do solo até a capacidade de campo na camada até 60 cm, sendo este valor dependente do tipo de solo e da umidade inicial do mesmo.

Essa matéria completa você encontra na edição de novembro de 2018 da Revista Campo & Negócios Grãos. Adquira o seu exemplar para leitura completa.

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