Ervas aromáticas, condimentares e flores comestíveis – A receita do sucesso

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Publicado em 4 de julho de 2018 às 14h29

Última atualização em 15 de maio de 2025 às 16h34

Acompanhe tudo sobre Açafrão, Alecrim, Alface, Brócolis, Cebola, Cebolinha, Coentro, Consorciação, Consórcio, Couve, Couve-flor, Erva aromática, Flor comestível, Gengibre, Gestão, Hortelã, Hortifrúti, Manjericão, Orgânicos, Rentabilidade, Rotação de cultura, Salsinha, Tela e muito mais!

Filipe Pereira Giardini Bonfim

Doutor, PhD e professor da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA), campus Botucatu

filipegiardini@fca.unesp.br

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As plantas aromáticas e condimentares são espécies hortícolas amplamente cultivadas em diversas regiões brasileiras, utilizadas na culinária para alterar ou acentuar o sabor dos alimentos.

No Brasil são comumente tratadas como culturas secundárias dentro do sistema de produção, ou seja, não são trabalhadas como o carro-chefe das unidades produtivas. Tal fato pode estar relacionado ao despreparo dos produtores quanto ao cultivo das espécies, aliado à incerteza do comércio estável.

No entanto, mesmo com todas estas dificuldades, esse é um mercado em expansão no Brasil, com estimativa de crescimento de 22% em 2019, em toneladas comercializadas, passando de 8,26 mil toneladas para 10,1 mil toneladas.

Essa expansão se deve à necessidade e conscientização da substituição de alimentos nocivos por produtos naturais. Muito destes condimentos têm substituído o sal de cozinha e o açúcar nas refeições. E por se tratarem de plantas medicinais, acabam trazendo benefícios, como ações antioxidantes, estimulantes de apetite, diuréticos, etc.

Potencial

Atualmente, cerca de 20% dos produtos de origem vegetal do setor hortifrúti comercializados na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP) são plantas medicinais, aromáticas e condimentares, incluindo nesta categoria o alho, cebola, salsão, dentre outras.

O maior destaque está nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Dentre as espécies com percentual responsivo no mercado temos: salsinha, cebolinha, coentro, tomilho, orégano, alfavaca, sálvia, louro, gengibre, erva-doce, açafrão, manjericão, hortelã, alecrim, erva-cidreira e estragão. A rentabilidade depende da sazonalidade de produção, apresentando altas cotações no outono e inverno, em que a elaboração de pratos quentes, como caldos e sopas são bastante comuns.

Se realizarmos uma cotação de preços hoje, no atacado da Ceagesp, podemos observar a diferença de preço de uma condimentar comparado com uma hortaliça de amplo consumo. A alface lisa está R$ 1,32/kg e o coentro R$ 5,96/kg.

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Versatilidade

Vale ressaltar que são culturas de fácil condução, com adaptação a diferentes tipos de solo e clima, podendo ser cultivadas durante todo o ano. Entretanto, é necessário um estudo prévio de mercado e fluxos de destino na região para escoamento da produção e seleção de espécies potenciais.

Sabemos que são plantas regionalistas, ligadas a tradições e costumes. Então, antes de cultivá-las veja se a comunidade tem interesse, se no mercado tem saída, se existem pratos típicos dependentes deste ingrediente, ou seja, se tem aceitação ou não.

Manejo e tratos culturais

As áreas para cultivo, bem como os insumos para sua produção, são bastante semelhantes ao cultivo de hortaliças, mas vale salientar que estamos trabalhando com espécies vegetais que possuem princípios ativos que conferem sabor, aroma e atividade biológica aos produtos, sendo recomendado que seu cultivo seja realizado dentro de normas e preceitos orgânicos.

São plantas que possuem alta resistência a pragas e doenças, no entanto, é preciso buscar práticas culturais sustentáveis, como: consórcios e rotação de culturas, quebra-ventos, cobertura morta e outras,substituindo sistemas simplificados (monocultura) por sistemas diversificados (policultivos).

A associação com a produção de hortaliças é sempre vantajosa, pois confere ao produtor estabilidade de produção e de renda.

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Diversificação

Por falar em diversificação de espécies dentro do setor hortícola, não podemos nos esquecer das flores comestíveis, chamadas de “Saladflowers“ ou “flores para salada“ pelo nosso Grupo de Pesquisa em Horticultura Orgânica e Biodiversidade da Faculdade de Ciências Agronômicas, UNESP, em Botucatu (SP), o qual tem dedicado esforços em pesquisa e extensão em prol da segurança e soberania alimentar.

Essa classe de plantas não convencionais, flores comestíveis, tem ganhado destaque ultimamente na mídia e na alta gastronomia. Utilizadas para decorar, adocicar ou trazer acidez aos pratos, apresentam também propriedades funcionais, como: vitamina C, carotenoides, antocianinas, dentre outros compostos.

Várias espécies de flores comestíveis têm estado presentes no nosso dia a dia, podendo-se destacar o brócolis, a couve-flor, a alcachofra, a capuchinha e a calêndula, sendo que essas possuem uso tradicional e segurança comprovada em função do tempo de uso.

Mas o que tem acontecido é que várias outras espécies têm surgido como potenciais para uso alimentar, no entanto, em estudo recente realizado pelo nosso grupo de pesquisa, identificamos 30 flores (espécies herbáceas) indicadas como comestíveis, sendo que, destas, somente 36,7% foram comprovadas como não tóxicas, 6,7% apresentaram níveis de toxicidade e 56,6% não foram encontrados estudos toxicológicos.

Alerta

É preocupante que o limite de ingestão diária dessas espécies ainda não seja conhecido. Esta falta de conhecimento pode acarretar diversas implicações negativas, em especial para a saúde da população. Então, para não errar na escolha da flor comestível a ser cultivada, pesquise e observe.

É muito importante levarmos em conta o conhecimento tradicional e o mercado para essas espécies.

Essa é parte da matéria de capa da Revista Campo & Negócios Hortifrúti, edição de julho de 2018. Adquira o seu exemplar para leitura completa.

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