Uso de herbicidas em pré-emergência na cultura do pinus

Crédito Luize Hess

Publicado em 19 de outubro de 2017 às 10h11

Última atualização em 15 de maio de 2025 às 16h53

Acompanhe tudo sobre Água, Germinação, Herbicida, Irrigação, Jaboticaba, Pinus, Semente orgânica e muito mais!

 

Arthur Arrobas Martins Barroso

arrobas@usp.br

Allan Lopes Bacha

Mestres em Agronomia – Departamento de Biologia Aplicada à Agropecuária – Unesp Jaboticabal

Pedro Luis da Costa Aguiar Alves

Doutor em Agronomia – Departamento de Biologia Aplicada à Agropecuária – Unesp Jaboticabal

 

Crédito Luize Hess
Crédito Luize Hess

O setor florestal brasileiro apresenta considerável relevância econômica para o País, tendo movimentado quase R$ 70 bilhões no ano de 2015, porção que representou 1,2% do PIB do Brasil.

Em uma área plantada de 1,6 milhão de hectares, as florestas brasileiras de pinus são as mais produtivas do mundo, perfazendo um total de 31 m³/ha/ano em 2015. Isso se deve, dentre outros fatores, aos programas de melhoramento genético, bem como ao desenvolvimento das estratégias de manejo da cultura, no qual o controle de plantas daninhas apresenta elevada representatividade.

Tudo sob controle

O controle de plantas daninhas é uma das etapas mais importantes para a sobrevivência, crescimento e uniformidade no plantio de pinus. Se não controladas, essas plantas reduzem o potencial produtivo da cultura. Na Espanha, por exemplo, a convivência de plantas daninhas com o pinus foi responsável por reduzir a altura e o diâmetro de plantas em 24 e 50%, respectivamente.

O uso de herbicidas durante o estabelecimento de florestas plantadas é uma maneira efetiva de controle dessas plantas daninhas, elevando a produtividade da floresta.

Evolução

A aplicação de herbicidas em pré-emergência não é recente. No Brasil, as primeiras preocupações com o controle de plantas daninhas em áreas de reflorestamento surgiram na década de 80.

Hoje, porém, retoma-se a discussão da aplicação de herbicidas em pré-emergência devido aos problemas gerados pela seleção de plantas daninhas resistentes e consequente perda de eficácia dos herbicidas aplicados na pós-emergência; ou por conta da alta infestação de plantas daninhas causadas por plantio em áreas de reforma de pastagens.

Os herbicidas conhecidos por “pré-emergentes“ são produtos que podem ser aplicados antes ou após o plantio do pinus e antes da emergência das plantas daninhas. Quando aplicados corretamente, esses herbicidas conferem um período denominado de “residual de controle“ no solo, ou seja, exercem, por determinado tempo, o controle do fluxo de emergência de plantas daninhas, podendo proporcionar algumas vantagens ao produtor, reduzindo as entradas na floresta para a realização de novas aplicações.

Diferencial

Além do momento de aplicação com relação à cultura e às plantas daninhas (no qual o pós-emergente é aplicado nas plantas daninhas já emergidas), a aplicação em pré-emergência difere da aplicação em pós-emergência também pelo destino do herbicida. Na primeira, o alvo é o solo, enquanto na segunda o alvo são as folhas das plantas daninhas.

A aplicação em pré-emergência dispensa simplicidade. São vários requisitos a serem considerados para o sucesso dessa aplicação, sendo necessário conhecer o histórico de infestação da área, uma vez que o herbicida será aplicado “às escuras“, isto é, sem detectar quais espécies irão germinar.

Para anular esse problema, o produtor deve conhecer seu banco de sementes, seja por experiência pessoal ou por análises do banco de sementes.Além desse fator, o sucesso da aplicação em pré-emergência depende de interações múltiplas que o herbicida irá apresentar no solo.

Dentre esses processos, existem a lixiviação, a degradação, a volatilização, a decomposição, o escorrimento superficial e a sorção. O herbicida depende, nesse caso, da umidade do solo, da água da chuva ou de irrigação, para atuar de maneira adequada. Normalmente esses produtos atuam sobre processos como a germinação de sementes ou o crescimento radicular.

Os herbicidas “pré-emergentes“ são aplicados antes da emergência das plantas daninhas - Crédito Luize Hess
Os herbicidas “pré-emergentes“ são aplicados antes da emergência das plantas daninhas – Crédito Luize Hess

Retenção ou lixiviação

No solo, o herbicida pode ser retido ou lixiviado. A retenção refere-se à habilidade do solo de reter uma molécula orgânica evitando sua movimentação, o que afeta diretamente sua eficiência agronômica. Essa retenção é fundamental para regular a dose do herbicida. Solos com maiores teores de argila, em geral, requerem maiores dosagens de herbicida, aplicados na pré-emergência de plantas.

A lixiviação refere-se à movimentação descendente do herbicida no solo pela água. Quanto maior a absorção de um herbicida, menor sua lixiviação. No pinus, o ideal seria um herbicida que não atingisse as raízes da cultura, porém, que permanecesse nos primeiros centímetros de solo, onde se concentra a maioria das sementes das plantas daninhas.

A volatilização é o processo pelo qual as moléculas dos herbicidas passam do estado líquido para o vapor, podendo se perder para a atmosfera. Esse processo pode ser, em alguns casos, tão intenso a ponto de forçar a incorporação do herbicida aplicado no solo.

Essa matéria completa você encontra na edição de setembro/outubro 2017  da revista Campo & Negócios Floresta. Adquira já a sua para leitura integral.

Participe do Nosso Canal no WhatsApp

Receba as principais atualizações e novidades do agronegócio brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pesquisar

Últimas publicações

1

PI AgSciences estreia na Feira de Inovações SCV com soluções disruptivas para tratamento de sementes

2

Famílias poderão produzir seus próprios alimentos dentro de condomínio, em Goiás

3

Leite brasileiro emite menos da metade do carbono que a média mundial, revela estudo inédito da Cargill, USP e Embrapa

4

Abisolo lança Summit de Nutrição Vegetal Inteligente e promove imersão técnico-científica em Piracicaba

5

Soja cai 2,1% para 177,8 mi t, mas mantém recorde; milho sobe para 136 mi t no ciclo 25/26

Assine a Revista Campo & Negócios

Tenha acesso a conteúdos exclusivos e de alta qualidade sobre o agronegócio.

Publicações relacionadas

Tucano-de-bico-verde é símbolo do Projeto Aracê Ibá na B4, a bolsa de ação climática / Crédito: Freepik

Projeto Aracê Iba, da Bolsa de Ação Climática, traz proteção para o coração da Amazônia no Pará

A rica biodiversidade da Amazônia é fonte de recursos estratégicos para novos insumos agrícolas e farmacêuticos, e produtos biotecnológicos de última geração. Foto: Felipe Rosa

Fungo amazônico pode controlar doenças agrícolas e gerar novos antibióticos

Após o término da reunião de colegiado que reúne 19 ministérios, a ministra Marina Silva e integrantes do Governo do Brasil concederam entrevista coletiva à imprensa no Palácio do Planalto. Foto: Rogério Cassimiro/MMA

Amazônia tem queda de 35% nas áreas sob alerta de desmatamento entre agosto de 2025 e janeiro de 2026

Fotos: Alexandre Amaral/Emater-MG

Silvicultura impulsiona produção na agroindústria e no campo