Mercado brasileiro de fertilizantes deve crescer 5,9% ao ano até 2030

Crescimento médio deve puxar novo ciclo de M&A no agronegócio; fragmentação, busca por segurança de abastecimento e ativos de maior valor agregado devem impulsionar transações no setor.

Publicado em 7 de setembro de 2026 às 06h34

Última atualização em 20 de setembro de 2026 às 19h48

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O mercado brasileiro de fertilizantes deve entrar em uma nova fase de consolidação nos próximos anos, impulsionado pelo crescimento estrutural do agronegócio, pela busca por segurança de abastecimento e pela demanda crescente por soluções de maior valor agregado. Segundo estimativas da Redirection International, assessoria especializada em fusões e aquisições (M&A), o setor deve crescer, em média, 5,9% ao ano nos próximos cinco anos. A projeção é sustentada por uma combinação de fatores, como a expansão da produção agrícola, aumento da produtividade por hectare, crescimento da área plantada e maior adoção de tecnologias de nutrição vegetal.

O Brasil é o quarto maior consumidor mundial de fertilizantes, representando cerca de 8% da demanda global, atrás apenas de China, Índia e Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a elevada dependência externa, com aproximadamente 85% dos fertilizantes utilizados no país sendo importados, coloca o tema da segurança de abastecimento como um vetor estratégico para empresas, investidores e governo.  “Estamos entrando em um momento mais positivo para o M&A de fertilizantes no Brasil, mas o próximo ciclo será mais seletivo e estratégico. Os compradores não estão buscando apenas capacidade produtiva, mas também ativos que proporcionem sinergias claras, acesso ao produtor, distribuição, capilaridade regional, tecnologia e produtos de maior valor agregado”, afirma Vinicius Oliveira, economista e sócio da Redirection International.

Ele destaca que em um ambiente bastante fragmentado, com centenas de empresas ativas no ecossistema de produção, importação e distribuição, compradores estratégicos tendem a buscar ativos capazes de gerar sinergias comerciais, industriais e logísticas de forma imediata. A dependência estrutural de importações cria uma oportunidade relevante para empresas que consigam combinar escala, eficiência operacional e segurança de abastecimento.

O mercado brasileiro de fertilizantes especiais registrou um crescimento de 18,9% em 2025, com faturamento de R$26,9 bilhões, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo). Além dos fertilizantes tradicionais, segmentos como fertilizantes especiais, organominerais, biológicos, bioestimulantes e soluções customizadas de nutrição vegetal vêm ganhando relevância. Para Vinícius Oliveira, a expansão desse segmento reforça uma mudança importante na tese de investimento, com compradores priorizando tecnologia, diferenciação, marcas, relacionamento com o produtor e capacidade de capturar margens superiores. “As transações mais interessantes serão aquelas em que o comprador consegue combinar escala, eficiência e segurança de abastecimento com crescimento em especialidades, biológicos e organominerais”, explica.

Outro fator que pode favorecer a atividade de M&A é a existência de ativos de maior qualidade que continuam sendo negociados a múltiplos relevantes no mercado brasileiro, embora as empresas domésticas listadas do segmento tenham apresentado desempenho mais volátil nos últimos anos. No mercado global de M&A em fertilizantes e insumos agrícolas, observa-se maior interesse relativo por negócios especializados, incluindo fertilizantes especiais e soluções de nutrição vegetal de maior valor agregado, produtos biológicos e plataformas com diferenciação tecnológica. Assim, em um ambiente de maior seletividade, os maiores valuations tendem a se concentrar em empresas com crescimento sustentável, geração de caixa, diferenciação competitiva, qualidade operacional e sinergias claras para potenciais compradores.  “O próximo ciclo de M&A não será sobre comprar toneladas; será sobre comprar acesso ao produtor, distribuição, tecnologia e sinergias”, resume Oliveira.

Entre as transações recentes que ilustram esta reorganização estratégica do setor estão a aquisição da planta industrial de mistura de fertilizantes da Cibra, localizada no Porto de Paranaguá, pèla Inpek Fertilizantes, em junho deste ano, e a aquisição da AgBiTech pela BASF em março de 2026, ampliando o portfólio de biológicos e soluções integradas para agricultura, por exemplo.  Na avaliação da Redirection International, os ativos mais procurados para fusões e aquisições devem ser empresas com distribuição própria, forte presença regional, carteira pulverizada de clientes, relacionamento direto com produtores, especialização tecnológica e exposição a produtos de maior valor agregado.

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