As mudanças climáticas vêm impondo novos desafios à cafeicultura brasileira. Períodos prolongados de estiagem, ondas de calor, geadas e oscilações bruscas de temperatura afetam diretamente a fisiologia das plantas, comprometendo o desenvolvimento radicular, reduzindo a absorção de água e nutrientes e aumentando a suscetibilidade a pragas e doenças.
Nesse contexto, os produtos biológicos ganham protagonismo por atuarem além do controle fitossanitário, contribuindo para o equilíbrio fisiológico e a capacidade de adaptação das lavouras.

Segundo José Paulo Simioni Barbosa, diretor técnico da Alfa Agrotec, o manejo biológico deve ser encarado como uma estratégia de fortalecimento da planta durante todo o ciclo produtivo.
“Na cafeicultura moderna, produzir mais significa manter a planta saudável durante todo o ciclo. Os biológicos ajudam a construir uma lavoura mais equilibrada, resiliente e preparada para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas”, afirma.
Proteção começa pelas raízes
O primeiro passo para aumentar a resistência do cafeeiro é preservar o sistema radicular. Um dos principais entraves é a presença dos nematoides-das-galhas (Meloidogyne incognita), responsáveis por reduzir a capacidade de absorção de água e nutrientes, agravando os efeitos dos períodos de seca.
Nesse cenário, o protocolo desenvolvido pela Alfa Agrotec utiliza o NemaCore, formulado com Purpureocillium lilacinum, fungo reconhecido pelo controle biológico desses fitonematoides.
“Quando protegemos as raízes, garantimos uma planta mais eficiente na absorção de água e nutrientes. Isso aumenta a tolerância aos períodos de déficit hídrico, melhora o aproveitamento da adubação e favorece a recuperação após situações de estresse climático”, explica Barbosa.
Com raízes preservadas, o cafeeiro mantém maior atividade fisiológica mesmo em condições ambientais desfavoráveis.

na Fazenda Lambari, em Monte Carmelo
Desenvolvimento radicular amplia a resistência
A proteção do solo é complementada pelo Guardian Bio, formulado com Trichoderma harzianum, microrganismo amplamente utilizado no controle biológico de fungos de solo.
Além da ação fitossanitária, o fungo estabelece uma relação benéfica com as raízes, estimulando seu crescimento e aumentando o volume radicular. Como consequência, a planta amplia sua capacidade de explorar o solo e absorver nutrientes.
“O desenvolvimento de um sistema radicular vigoroso permite que o cafeeiro suporte melhor as adversidades climáticas, mantendo estabilidade fisiológica e maior potencial produtivo durante todo o ciclo”, destaca o diretor técnico.
Folhas preservadas garantem energia para a produção
A estratégia também contempla a proteção da parte aérea por meio do Cordex Bio, formulado com Isaria javanica, fungo entomopatogênico destinado ao controle biológico de importantes insetos-praga do cafeeiro.
Ao reduzir a população desses insetos, o bioinsumo preserva a área foliar responsável pela fotossíntese, permitindo que a planta mantenha elevada produção de fotoassimilados.
“Preservar o enfolhamento significa manter a fábrica de energia da planta funcionando. Essa energia será utilizada tanto no enchimento dos frutos quanto na formação das gemas que irão sustentar a próxima safra”, ressalta Barbosa.
Manejo integrado potencializa resultados
A combinação dos três microrganismos promove benefícios que extrapolam o controle isolado de pragas, doenças e nematoides. A integração das tecnologias favorece o equilíbrio biológico do agroecossistema, reduz o estresse fisiológico e mantém a planta metabolicamente ativa mesmo durante períodos críticos.
Na prática, o manejo integrado contribui para maior emissão de ramos produtivos, melhor florescimento, maior pegamento de frutos e ganhos consistentes de produtividade.
“O protocolo fortalece o cafeeiro desde as raízes até a copa. O resultado é uma lavoura mais equilibrada, sustentável e preparada para enfrentar um ambiente climático cada vez mais desafiador”, conclui José Paulo Simioni Barbosa.