Maria Laura Silva Galdino
Engenheira de Alimentos e doutoranda em Ciência dos Alimentos – Universidade Federal de Lavras (UFLA)
engmaria.galdino@gmail.com
Giovanni Aleixo Batista
Engenheiro de Alimentos e mestre em Ciência dos Alimentos – UFLA
giovannialeixob@gmail.com
Luiz Guilherme Malaquias da Silva
Cientista de Alimentos e doutorando em Ciência dos Alimentos – UFLA
lg.malqs@gmail.com
O Brasil produz anualmente entre 290 mil e 320 mil toneladas de pimentão, considerando todas as variedades cultivadas no País. Embora o pimentão verde continue sendo predominante, os pimentões coloridos, especialmente os vermelhos, amarelos e laranjas, vêm conquistando cada vez mais espaço nas gôndolas e no campo.
A valorização desses produtos está associada ao maior valor agregado, à demanda crescente do varejo e ao interesse dos consumidores por alimentos mais atrativos visualmente e com sabor diferenciado.
Grande parte dessa produção é realizada em cultivo protegido, sistema que oferece maior controle das condições ambientais, melhora a qualidade dos frutos, reduz perdas e permite oferta regular ao longo de todo o ano.
Principais polos produtores
São Paulo lidera a produção nacional, seguido por Minas Gerais, Goiás, Paraná, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco. Nessas regiões, os cinturões verdes próximos às grandes cidades garantem o abastecimento do mercado in natura, enquanto áreas altamente tecnificadas investem em híbridos coloridos voltados ao segmento premium de supermercados, hortifrútis e restaurantes.
Diversidade de formatos amplia oportunidades
Além da ampla variedade de cores, o mercado oferece frutos com diferentes formatos, cada um destinado a nichos específicos de consumo e comercialização.
O tipo quadrado (blocky) domina o mercado de pimentões coloridos premium por apresentar frutos de quatro lóculos, paredes espessas, excelente firmeza e maior conservação pós-colheita. Já os tipos retangular, cônico, mini pimentão e snack conquistam consumidores pela praticidade, sabor mais adocicado e versatilidade gastronômica.
Os minipimentões, por exemplo, vêm registrando crescimento expressivo no mercado por serem utilizados como aperitivos, ingredientes de saladas e pratos gourmet, além de serem bastante procurados para consumo fresco e recheados.
Tecnologia garante qualidade e rentabilidade
A produção de pimentões coloridos exige um nível tecnológico superior ao utilizado no cultivo do pimentão verde. Como os frutos permanecem por mais tempo na planta até alcançarem sua coloração definitiva, o ciclo produtivo é mais longo e demanda manejo criterioso da irrigação, da nutrição, do ambiente protegido e do controle fitossanitário.
Em contrapartida, os preços pagos pelos frutos coloridos costumam ser significativamente superiores, compensando os investimentos realizados pelos produtores. A padronização, o brilho, a espessura da polpa e a uniformidade da coloração são fatores determinantes para a valorização comercial.
Com maior valor nutricional, excelente aparência e ampla diversidade de formatos, os pimentões coloridos consolidam-se como uma alternativa rentável para horticultores que apostam em inovação, qualidade e diferenciação de mercado.