A cannabis terapêutica será o tema central do I Seminário de Boas Práticas no Associativismo Canábico Federativo, promovido pela Federação das Associações de Cannabis Terapêutica do Brasil (FACT) em parceria com a Accura Ensina. O encontro acontece nos dias 22 e 23 de agosto, em São Paulo, reunindo associações, pacientes, profissionais da saúde, pesquisadores, juristas e representantes do poder público para discutir o fortalecimento do atendimento, da pesquisa e da gestão no setor.
Com foco no acolhimento, na ciência e na construção de referências nacionais, o evento pretende promover a troca de experiências entre organizações de diferentes regiões do País e estimular a profissionalização das associações voltadas ao acesso à cannabis terapêutica.
Seminário reúne especialistas para fortalecer a cannabis terapêutica
A programação será realizada na sede da Accura Ensina, em Pinheiros (SP). No dia 22 de agosto, as atividades ocorrerão das 9h às 18h em formato híbrido, permitindo a participação presencial das associações federadas e transmissão ao vivo para todo o Brasil.
Já no dia 23 de agosto, o encontro será exclusivamente presencial e voltado à elaboração colaborativa de propostas para o ambiente regulatório experimental da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), conhecido como Sandbox Regulatório.
O objetivo é reunir diferentes experiências e construir referências que contribuam para um atendimento cada vez mais seguro, qualificado e humanizado aos pacientes.
Associativismo canábico amplia acesso ao tratamento
O associativismo canábico brasileiro surgiu da mobilização de pacientes, familiares, profissionais da saúde e organizações que buscaram alternativas para ampliar o acesso ao tratamento com cannabis terapêutica.
Ao longo dos anos, essas entidades passaram a desenvolver atividades de acolhimento, orientação, cultivo, pesquisa, assistência multiprofissional e acompanhamento clínico, acumulando experiências que agora serão compartilhadas durante o seminário.
Segundo Angela Aboin, da Mãesconha e coordenadora-geral da FACT, o fortalecimento do setor depende da cooperação entre as organizações.
“O futuro do associativismo canábico brasileiro tem sido construído pela soma das diferentes realidades, pela cooperação entre as organizações e pelo compromisso comum com a ética, a ciência, a solidariedade e o acesso à saúde.”
Boas práticas abrangem acolhimento, cultivo e gestão
Durante os dois dias de programação, especialistas apresentarão metodologias, protocolos e experiências desenvolvidas por associações de diversas regiões do Brasil.
Entre os temas debatidos estão:
- acolhimento e acompanhamento de pacientes;
- cultivo e processamento;
- funcionamento de laboratórios;
- garantia da qualidade;
- pesquisa e inovação;
- produção de evidências científicas;
- governança e gestão;
- conformidade jurídica;
- transparência institucional;
- relacionamento com órgãos públicos.
Um dos painéis será dedicado aos quatro pilares considerados essenciais para o desenvolvimento responsável do associativismo canábico: acolhimento, cultivo, laboratório e gestão/governança.
Segundo Paula Zomignani, da Accura Ensina e coordenadora científica da FACT, o encontro busca fortalecer a construção coletiva de referências nacionais.
“O objetivo não é estabelecer um modelo único de atuação, mas valorizar a pluralidade de experiências que caracteriza o associativismo brasileiro.”
Sustentabilidade das associações também estará em debate
Outro eixo da programação abordará a sustentabilidade financeira das associações voltadas à cannabis terapêutica.
Apesar da missão social dessas organizações, elas precisam manter equipes multidisciplinares, estruturas de atendimento, laboratórios, pesquisas e sistemas de controle. Por isso, serão discutidos temas como:
- captação de recursos;
- planejamento administrativo;
- prestação de contas;
- gestão de riscos;
- conformidade legal;
- profissionalização das organizações.
A proposta é fortalecer a gestão sem perder o caráter comunitário e o compromisso com os pacientes.
Evento terá transmissão nacional e vagas sociais
Para ampliar o acesso ao conteúdo, o primeiro dia do seminário contará com transmissão ao vivo para todo o Brasil. O público remoto poderá acompanhar as palestras e participar das discussões durante a programação.
Posteriormente, as gravações deverão ser disponibilizadas como material educativo para associações, pacientes e profissionais interessados na cannabis terapêutica.
A organização também disponibilizará vagas sociais destinadas a pacientes de baixa renda, representantes de organizações em situação de vulnerabilidade financeira e integrantes de grupos historicamente minoritários.
Além do debate técnico, o seminário pretende fortalecer o diálogo entre quem pesquisa, cultiva, acolhe, regulamenta, prescreve e utiliza a cannabis terapêutica, contribuindo para a construção de práticas mais seguras, acessíveis e baseadas em evidências científicas.


