O clone de cajueiro BRS 805 começou a chegar aos viveiros credenciados da Embrapa com a entrega do primeiro lote de propágulos ao viveiro FCB Mudas e Polpas, em Barroquinha (CE). A iniciativa marca o início da multiplicação da nova cultivar, que será utilizada na produção de mudas destinadas à renovação dos pomares e ao fortalecimento da cadeia produtiva do caju.
O primeiro lote conta com 100 propágulos. A expectativa é que, nos próximos anos, o material permita a produção de milhares de mudas com elevado potencial produtivo para atender os cajucultores.
Clone de cajueiro BRS 805 amplia oferta de mudas
A distribuição do clone de cajueiro BRS 805 ocorre por meio de edital público em fluxo contínuo, permitindo que viveiristas credenciados solicitem propágulos em qualquer época do ano.
Nesta fase, o material é destinado exclusivamente aos viveiristas registrados no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem), responsáveis pela multiplicação das mudas que deverão chegar aos produtores em aproximadamente dois anos.
Segundo a Embrapa, a estratégia busca ampliar a oferta de mudas da nova cultivar e acelerar sua adoção pelos produtores.
Clone de cajueiro BRS 805 oferece alta produtividade e resistência
Desenvolvido pelo Programa de Melhoramento Genético do Cajueiro da Embrapa, o clone de cajueiro BRS 805 é a 14ª cultivar lançada pela instituição e foi recomendada para o litoral do Ceará e regiões com condições climáticas semelhantes.
Durante as avaliações realizadas em áreas de sequeiro, o material apresentou produtividade média de cerca de 1.800 quilos de castanha por hectare entre o quinto e o sétimo ano de cultivo, além de produzir, em média, 23,8 toneladas de pedúnculo por hectare.
Os resultados representam aproximadamente o dobro da produção de castanhas e pedúnculos em comparação com a cultivar mais utilizada atualmente pelos produtores.
Outro diferencial está na qualidade das castanhas, adequadas ao mercado internacional, e no pedúnculo vermelho de formato cônico, indicado principalmente para processamento industrial.
Clone fortalece a sustentabilidade dos pomares
Além do elevado potencial produtivo, o clone apresenta resistência ao mofo-preto, à antracnose e à septoriose, além de maior resistência ao oídio em relação à cultivar utilizada como referência nos ensaios.
O porte baixo a médio e a copa de formato piramidal favorecem o cultivo mecanizado, o consórcio com culturas anuais e a criação de ovinos, ampliando as possibilidades de uso nas propriedades rurais.
A Embrapa destaca que a diversificação dos pomares com diferentes clones aumenta a resiliência da cajucultura diante de pragas, doenças e oscilações climáticas, contribuindo para manter a produtividade ao longo dos anos.
Com a chegada do clone de cajueiro BRS 805 aos viveiros cearenses, a expectativa é acelerar a renovação dos pomares e disponibilizar aos produtores uma cultivar mais produtiva, resistente e adaptada às condições do Nordeste brasileiro.