Ou agimos ou o agro brasileiro vai parar

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Por Maurício Buffon

O Agro Brasileiro no limiar de uma nova securitização

O agronegócio brasileiro, motor que sustenta o PIB e a balança comercial do país, atravessa hoje um paradoxo perigoso. Após décadas de crescimento sustentado pela tecnologia de ponta, pela explosão da demanda asiática e pela verticalização através dos biocombustíveis, o setor enfrenta uma crise de liquidez que remete aos tempos sombrios da década de 1990. Se no passado o “choque de oferta” transformou solos pobres em celeiros do mundo, hoje o choque é de custos e de clima, exigindo uma resposta institucional tão robusta quanto foi a securitização de 30 anos atrás.

O cenário atual é fruto de uma “tempestade perfeita”. A pandemia de Covid-19 e os conflitos geopolíticos no Leste Europeu e no Oriente Médio elevaram os custos de produção a patamares históricos, especialmente em fertilizantes, insumo no qual o Brasil possui uma dependência externa superior a 90%. Paralelamente, fenômenos climáticos extremos, como as secas e inundações que flagelaram o Rio Grande do Sul e o Centro-Oeste, dizimaram colheitas e esmagaram as margens de lucro. Com juros reais em níveis recordes e uma inflação de custos que não retrocedeu ao ponto de equilíbrio, o produtor viu seu endividamento tornar-se impagável sob as regras atuais do sistema financeiro.

Dados recentes da Aprosoja Brasil e de consultorias do setor indicam um crescimento alarmante nos pedidos de Recuperação Judicial (RJ) no campo, que saltaram mais de 500% em 2023 em comparação com o ano anterior. A inadimplência não é mais um risco abstrato, mas uma realidade que ameaça o efeito “âncora verde” da nossa economia. A atual política de crédito, pautada em um modelo que parece exaurido, foca mais na garantia para o banco do que na proteção do produtor. Sem uma intervenção, o risco sistêmico pode comprometer toda a economia, sendo que já estamos com o financiamento da próxima safra andando de lado, o que paralisou o setor que mais gera riqueza e bem-estar econômico e social no país. A frase “O Agro não para” está prestes a ser posta a prova se uma providência não for tomada.

Diante deste cenário, a Aprosoja Brasil tem consciência de que a solução para este impasse não reside apenas em medidas paliativas de prorrogação pontual, mas em um programa amplo de renegociação que dê fôlego real aos produtores de todos os portes. É imperativo que o Brasil reconheça a necessidade de uma nova arquitetura de crédito e seguro de forma a dar real segurança jurídica ao produtor e não só à instituição financeira. Nesse contexto, a mobilização da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e do Instituto Pensar Agro (IPA) converge para uma urgência legislativa clara, tendo sido priorizado o tema para o ano de 2026, agora com o devido senso de urgência.

Para garantir que o Brasil continue sendo o protagonista global na produção de alimentos e energia limpa nos próximos 20 anos, precisamos sanear o presente. A aprovação do PL 5122 até o final deste primeiro semestre é fundamental. Ele não representa apenas um alívio financeiro, mas uma medida estratégica de soberania nacional, permitindo que o agricultor volte a focar na produtividade e na inovação, mantendo o Brasil como a potência agroambiental que o mundo exige.

*Maurício Buffon é presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja – Aprosoja Brasil

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Respostas de 2

  1. É triste dizer, mas a verdade é que esse é um problema do mercado, não do governo.
    No mercado, os empresários mais criativos, inovadores e cuidadosos nos seus investimentos e na administração de sua propriedade, sempre estão bem. São raros os momentos de percalços, embora eles existam. Já o empresário que se planeja mal, que conta sempre no socorro do governo e alimenta todas as cirandas financeiras que aparecem, investem em negócios sem retornos e de alto risco, sempre vão mal.
    No mercado, esses menos competente vende seu negócio para os mais aptos. E tudo se resolve sem envolver dinheiro público nisso.
    Se buscam os políticos para resolver seus problemas diários, depois não reclamem quando eles resolverem endurecer as leis ambientais, as desapropriações de terra e meterem o bedelho no que o agricultor deve ou não plantar e a que preço deve vender. Intromissões sempre indesejadas.
    Melhor o mercado dar seu jeito e, pelo amor de Deus, mantém o estado corrupto longe da porteira do agricultor.
    Senão todo o setor vai ficar sequestrado nas mãos de devedores contumazes que usam quaisquer dificuldades para receber dinheiro público e denegrir a imagem do agronegócio!

    1. Seu ponto traz uma discussão importante sobre gestão, planejamento e responsabilidade no agro. Ao mesmo tempo, muitos produtores enfrentam desafios que vão além da administração individual, como clima extremo, oscilações de mercado e custos de produção cada vez mais altos. O equilíbrio entre eficiência de mercado e políticas de apoio continua sendo um dos grandes debates do setor.

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