Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o valor da produção de melão atingiu R$ 1,387 bilhão, mantendo a trajetória de crescimento observada desde 2020. O Rio Grande do Norte respondeu por 63,1% da produção nacional, seguido por Bahia, Ceará e Pernambuco. Juntos, esses quatro estados concentraram mais de 90% da produção brasileira, evidenciando a centralidade do eixo RN–CE–BA–PE na cadeia produtiva.
Em 2025, o volume total produzido alcançou aproximadamente 1,2 milhão de toneladas, crescimento de 15,8% em relação a 2024. O faturamento bruto estimado aproximou-se de R$ 1,5 bilhão, alta de 19%. O rendimento médio nacional foi de cerca de 37.800 kg por hectare, avanço de 11%. O melão ocupou a segunda posição entre as frutas brasileiras mais exportadas.

Brasil no ranking mundial
Dados da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados indicam que o Brasil figura entre os dez maiores produtores mundiais de melão. O país aparece à frente de tradicionais produtores, como Espanha e Estados Unidos, consolidando-se como principal produtor do Hemisfério Sul com foco exportador. A China lidera com ampla vantagem, seguida por Turquia, Índia e Cazaquistão. O Brasil, com participação global de 4,2%, mantém forte vocação comercial, diferentemente de países cuja produção é majoritariamente voltada ao consumo interno.
Além disso, o país ocupa a terceira posição no ranking mundial de produção de frutas em geral, com cerca de 58 milhões de toneladas somadas entre todas as espécies, demonstrando infraestrutura técnica e institucional robusta. O diretor da Abrafrutas, Luiz Roberto Barcelos, destaca os avanços conquistados e os desafios que ainda precisam ser superados para ampliar a presença do produto no mercado global.
Vantagem competitiva nasce no campo
A base do sucesso do melão brasileiro está no nordeste, especialmente nos polos produtivos do Rio Grande do Norte e Ceará. Nessas regiões, as condições climáticas permitem colher em períodos estratégicos, quando outros grandes produtores internacionais não conseguem ofertar a fruta. Aliado a isso, o setor investiu fortemente em tecnologia de produção, manejo, irrigação e logística, garantindo um produto padronizado e de alta qualidade.

Outro ponto fundamental foi a consolidação do mercado europeu como principal destino das exportações, fruto de relações comerciais duradouras e da credibilidade construída ao longo dos anos.
Novos mercados ampliam horizontes
A busca por diversificação tem direcionado esforços para mercados como China e países do sudeste asiático. Segundo Barcelos, essas regiões representam grande potencial de consumo, mas ainda apresentam desafios importantes. O principal entrave está na logística, especialmente no tempo de transporte, que pode comprometer a competitividade e a qualidade da fruta. Superar essas barreiras será decisivo para consolidar a presença brasileira nesses novos destinos e reduzir a dependência do mercado europeu.

Qualidade como diferencial competitivo
O acesso a mercados exigentes só é possível graças ao alto padrão de qualidade do melão brasileiro. Certificações internacionais como Global G.A.P. e Rainforest Alliance já fazem parte da rotina dos produtores, que também investem em rastreabilidade, controle fitossanitário e práticas sustentáveis. Essas exigências garantem não apenas um produto seguro, mas também aumentam a confiança dos compradores internacionais. O resultado é um melão que chega ao consumidor final com elevado nível de frescor, sabor e segurança alimentar.
Logística eficiente garante frescor
A logística é um dos pilares da competitividade do setor. Para manter a qualidade da fruta durante o transporte, produtores investem em cadeia de frio, planejamento de embarques e integração com portos estratégicos, como Pecém e Natal. O monitoramento constante durante o transporte e a padronização das embalagens também contribuem para reduzir perdas e assegurar que o produto chegue em condições ideais ao destino final.

Sanidade vegetal fortalece exportações
A manutenção de áreas livres de pragas é essencial para garantir o acesso aos mercados internacionais. Nesse contexto, a atuação da Abrafrutas em parceria com órgãos de defesa fitossanitária tem sido decisiva.
A entidade promove boas práticas agrícolas e orienta produtores na adoção de medidas que asseguram a conformidade com as exigências internacionais, fortalecendo a imagem do Brasil como fornecedor confiável.
Crescimento sustentável no horizonte
As perspectivas para os próximos anos são positivas. A demanda global por frutas frescas segue em expansão, e o Brasil reúne condições para ampliar sua participação nesse mercado. Mesmo diante de desafios como variações cambiais, custos logísticos e mudanças climáticas, o setor tem investido em tecnologia, irrigação eficiente e sustentabilidade, aumentando sua resiliência e competitividade.
O melão brasileiro segue, portanto, como um exemplo de organização setorial e capacidade de adaptação, reunindo atributos que o colocam em posição de destaque no cenário internacional e com potencial de expansão ainda maior nos próximos anos.
