Vespa-da-madeira alastra sobre florestas de pinus

Fêmea (esquerda) e macho (direita) da vespa-da-madeira - Crédito Susete do Rocio Chiarello Penteado

Publicado em 4 de novembro de 2014 às 15h54

Última atualização em 15 de maio de 2025 às 16h55

Acompanhe tudo sobre Armadilha, Colheita, Herbicida, Incêndio, Injuria, Inoculação, Larva, Madeira, Nematoide, Pinus, Poda, Silvicultura, Vespa e muito mais!

Vespa-da-madeira alastra sobre florestas de pinus

Susete do Rocio Chiarello Penteado

Bióloga, Entomologista e pesquisadora Embrapa Florestas

susete.penteado@embrapa.br

Edson Tadeu Iede

Biólogo, Entomologista e chefe geral da Embrapa Florestas

 

Fêmea (esquerda) e macho (direita) da vespa-da-madeira - Crédito Susete do Rocio Chiarello Penteado
Fêmea (esquerda) e macho (direita) da vespa-da-madeira – Crédito Susete do Rocio Chiarello Penteado
Fêmea (direita) e macho (esquerda) do parasitoide I. leucospoides - Crédito Susete do Rocio Chiarello Penteado
Fêmea (direita) e macho (esquerda) do parasitoide I. leucospoides – Crédito Susete do Rocio Chiarello Penteado
Larva da vespa-da-madeira - Crédito Susete do Rocio Chiarello Penteado
Larva da vespa-da-madeira – Crédito Susete do Rocio Chiarello Penteado
Árvore atacada com a copa amarelada - Crédito Susete do Rocio Chiarello Penteado
Árvore atacada com a copa amarelada – Crédito Susete do Rocio Chiarello Penteado
Dose do nematoide e preparo do inóculo com gelatina - Crédito Susete do Rocio Chiarello Penteado
Dose do nematoide e preparo do inóculo com gelatina – Crédito Susete do Rocio Chiarello Penteado
Orifícios de emergência de adultos da vespa-da-madeira - Crédito Susete do Rocio Chiarello Penteado
Orifícios de emergência de adultos da vespa-da-madeira – Crédito Susete do Rocio Chiarello Penteado
Respingos de resina no tronco - - Crédito Susete do Rocio Chiarello Penteado
Respingos de resina no tronco – – Crédito Susete do Rocio Chiarello Penteado
Martelo de inoculação do nematoide - Crédito Susete do Rocio Chiarello Penteado
Martelo de inoculação do nematoide – Crédito Susete do Rocio Chiarello Penteado
Aplicação do nematoide na árvore - Crédito Susete do Rocio Chiarello Penteado
Aplicação do nematoide na árvore – Crédito Susete do Rocio Chiarello Penteado

Uma das principais pragas presentes nos plantios florestais de pinus, atualmente, é a vespa-da-madeira. No Brasil a praga está presente em aproximadamente um milhão de hectares de pinus, em diferentes níveis de ataque.

Os danos provocados pela vespa-da-madeira em plantios de pinus, no Brasil, são severos, podendo provocar um prejuízo estimado em até U$ 53 milhões anuais, considerando também os custos da colheita e de U$ 25 milhões anuais, quando considerada a madeira em pé.

Entretanto, pela correta utilização das medidas de prevenção e controle existentes, é possível reduzir essas perdas em pelo menos 70% e manter a praga sob controle.

Regiões afetadas

O primeiro registro de vespa-da-galha, no Brasil, ocorreu em fevereiro de 1988, nos municípios de Gramado, Canela e São Francisco de Paula (RS). Posteriormente, ela foi registrada em Santa Catarina (1989), Paraná (1994), São Paulo (2004) e Minas Gerais (2005).

A vespa-da-madeira é atraída, preferencialmente, por árvores estressadas, ou seja, aquelas que apresentam menor diâmetro e encontram-se suprimidas por outras de maior tamanho, ou que tenham sofrido algum tipo de injúria, por fatores bióticos ou abióticos, embora árvores dominantes também possam ser atacadas.

Durante a postura, além dos ovos, a fêmea introduz na árvore os esporos de um fungo simbionte, Amylostereum areolatum (que servirá de alimento às larvas) e uma mucosecreção. O fungo e o muco, juntos, são tóxicos à planta, levando-a à morte. Muitas das árvores atacadas podem apresentar clorose das acículas em torno de 10 a 14 dias após o ataque, sendo que o progresso desta clorose depende da intensidade do ataque e da suscetibilidade da árvore hospedeira.

Como detectar sua presença

As árvores atacadas pela vespa-da-madeira apresentam, geralmente, os seguintes sintomas:

ü Respingos de resina no tronco: surgem das perfurações feitas pelas fêmeas para depositar seus ovos; em alguns casos, como em P. elliottii, pode ocorrer o escorrimento de resina;

ü Amarelecimento da copa: após o ataque, as árvores começam a apresentar uma modificação na coloração das acículas, variando desde um tom amarelado, em um estágio inicial, passando pelo marrom-avermelhado, seca, até a queda das acículas;

ü Orifícios de emergência: os adultos emergem da madeira através de orifícios circulares facilmente visíveis na casca da árvore;

ü Manchas azuladas: a madeira atacada é colonizada também por um fungo secundário do gênero Botryodiplodia, que causa o seu azulamento. Estas manchas são visíveis em forma radial, em um corte transversal do tronco;

ü Galerias no interior da madeira: as galerias são construídas pelas larvas durante a sua alimentação.

Manejo

A prevenção do ataque da vespa-da-madeira pode ser obtida pela vigilância florestal e pela adequação de tratos silviculturais, recomendando-se:

– Realizar os desbastes nas épocas adequadas para evitar o surgimento de plantas estressadas e também desbastes seletivos, retirando-se árvores mortas, dominadas, bifurcadas, doentes e danificadas, as quais são atrativas ao inseto;

– Intensificar o manejo em sítios ruins, com solos rasos e pedregosos;

– Retirar restos de poda e desbaste, principalmente aqueles com diâmetro superior a cinco centímetros, pois estes apresentam condições para o desenvolvimento da praga;

– Evitar realizar operações de poda e desbaste dois meses antes e durante o período de revoada dos adultos, o que ocorre, geralmente, da segunda quinzena de outubro à primeira quinzena de janeiro, ou então realizá-las em áreas com menor risco de ataque, pois estas atividades atrairão a praga para estas áreas;

– Utilizar medidas de prevenção, detecção e controle de incêndios florestais;

– Treinar empregados rurais, de serrarias e de transporte de madeira para identificação da praga;

– Instalar grupos de árvores-armadilha próximos às regiões com a presença da praga. Árvores-armadilha são plantas que são estressadas artificialmente pela utilização de um herbicida, o que as tornam atrativas à vespa-da-madeira.

São utilizados grupos de cinco árvores e essa técnica é eficiente para a detecção precoce da praga e para o monitoramento de sua dispersão. A detecção precoce da vespa-da-madeira permite a liberação de inimigos naturais antes que a população provoque um nível de mortalidade de árvores superior a 1%.

 

Essa matéria completa você encontra na edição de outubro da revista Campo & Negócios Floresta. Clique aqui e adquira já a sua.

 

Participe do Nosso Canal no WhatsApp

Receba as principais atualizações e novidades do agronegócio brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pesquisar

Últimas publicações

1

Hoje é o dia da maçã! Descubra as maçãs de alta qualidade da União Europeia

2

StoneX faz revisão positiva da safra de soja 2026/27, com ajustes nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste

3

Conflito no Oriente Médio eleva diesel e pressiona custos do açúcar no Centro-Sul

4

Sindustrigo alerta para potencial alta de preços de farinha de trigo em São Paulo

5

Horta em casa: cinco sementes fáceis de plantar em abril

Assine a Revista Campo & Negócios

Tenha acesso a conteúdos exclusivos e de alta qualidade sobre o agronegócio.

Publicações relacionadas

Silvicultura-12-Crédito-Shutterstock-01-2022

Silvicultura de espécies nativas ganha escala com apoio do BNDES

alta cafe (Pequeno)

Alta Café 2026: sexta edição reforça protagonismo da Mogiana Paulista e aposta em inovação, turismo e mais

Tucano-de-bico-verde é símbolo do Projeto Aracê Ibá na B4, a bolsa de ação climática / Crédito: Freepik

Projeto Aracê Iba, da Bolsa de Ação Climática, traz proteção para o coração da Amazônia no Pará

A rica biodiversidade da Amazônia é fonte de recursos estratégicos para novos insumos agrícolas e farmacêuticos, e produtos biotecnológicos de última geração. Foto: Felipe Rosa

Fungo amazônico pode controlar doenças agrícolas e gerar novos antibióticos