Técnica de criação de abelhas “sem ferrão”

Associação Caatinga dissemina técnica de criação de abelhas “sem ferrão” no sertão nordestino.

Publicado em 29 de novembro de 2023 às 15h00

Última atualização em 29 de novembro de 2023 às 15h00

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Com o objetivo de gerar renda para famílias sertanejas e conservar a natureza, a Associação Caatinga dissemina a meliponicultura, criação de abelhas nativas da Caatinga, com 40 comunidades rurais dos arredores da Reserva Natural Serra das Almas, localizada entre Crateús (CE) e Buriti dos Montes (PI). A ação integra o projeto No Clima da Caatinga, patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

Créditos: Divulgação

“Desde 2011, foram distribuídos mais de 310 enxames de abelhas nativas, mais de 350 pessoas foram capacitadas e construímos 12 meliponários, que é a estrutura física própria para a criação de abelhas”, destaca Daniel Fernandes, coordenador geral da Associação Caatinga.

Carlito Lima, agente de mobilização do No Clima da Caatinga, explica que a meliponicultura é a criação de abelhas nativas da Caatinga de ferrão atrofiado, mas que são conhecidas popularmente como “abelhas sem ferrão”. “É uma atividade agrícola sustentável e legalizada que gera renda ao mesmo tempo em que incentiva a polinização de plantas nativas do semiárido”, explica Carlito.

Para garantir efetividade de produção e sanar dúvidas, a equipe do NCC realiza capacitações sobre meliponicultura, visitas às comunidades rurais para oferecer assistência técnica às famílias e distribuição das ferramentas necessárias para o manejo da abelha Jandaíra. Além disso, o projeto também disponibiliza cartilha sobre o tema, que está disponível para download no site da instituição.

Moacir Lima, 41 anos, é agricultor e mora em Santana, comunidade rural de Crateús (CE). Animado e com o apoio do projeto, o agricultor iniciou sua jornada como meliponicultor e, até hoje, colhe os frutos da criação de abelhas. “Saber que a gente está contribuindo com a natureza é muito importante. Porque a gente não tá só preservando as abelhas, mas preservando o meio ambiente, né? E ainda por cima conseguindo gerar um dinheiro extra com isso para ajudar na renda familiar”, frisa Moacir.

A meliponicultura como potencializadora da preservação ambiental

Além da geração de renda complementar, a meliponicultura traz outra vantagem, a conservação das florestas. Por meio do processo natural de polinização, as abelhas “sem ferrão” contribuem para a preservação das florestas ao ampliarem e garantirem a variabilidade de espécies nativas do semiárido. No Nordeste, a Jandaíra (Melipona subnitida) é uma das abelhas mais utilizadas para a meliponicultura, porém, trata-se de um animal ameaçado de extinção.

“O No Clima da Caatinga distribui enxames da abelha Jandaíra, que é uma espécie endêmica da Caatinga, ou seja, só existe aqui. Nós fizemos essa escolha porque o mel da jandaíra tem fortes propriedades medicinais, um sabor diferenciado e é usado pelo povo sertanejo há séculos. No entanto, esse animal está ameaçado de extinção e já desapareceu de algumas áreas por causa da falta de florestas, o que traz ainda mais importância para a disseminação da meliponicultura”, finaliza Carlito.

Projeto No Clima da Caatinga

O projeto é realizado pela Associação Caatinga e patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, atua no semiárido brasileiro desde 2011 e atualmente está em sua quarta fase. O objetivo é diminuir os efeitos potencializadores do aquecimento global por meio da conservação do semiárido, a partir do desenvolvimento de um modelo integrado de conservação da Caatinga.

Além disso, o projeto No Clima da Caatinga também integra o Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Insetos Polinizadores (PAN Insetos Polinizadores), uma iniciativa coordenada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. O PAN contempla mais de 60 espécies ameaçadas de extinção e reconhecidas como polinizadoras, dentre elas, a abelha Jandaíra.

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