Silício é opção no controle da Phytophthora em pimentão

Um dos principais problemas observados nesta cultura é a incidência de doenças durante todo o ciclo - Créditos Shutterstock

Publicado em 22 de setembro de 2015 às 07h00

Última atualização em 15 de maio de 2025 às 16h40

Acompanhe tudo sobre Água, Cálcio, Colheita, Fertirrigação, Irrigação, Nematoide, Pepino, Pimenta, Pimentão, Pós-colheita, Queima, Requeima, Rotação de cultura, Transplantio e muito mais!

 

Douglas José Marques

Professor de Olericultura e Melhoramento Vegetal da Universidade José do Rosário Vellano-UNIFENAS

douglas.marques@unifenas.br

Hudson Carvalho Bianchini

Professor de Fertilidade do Solo da UNIFENAS

Um dos principais problemas observados nesta cultura é a incidência de doenças durante todo o ciclo - Créditos Shutterstock
Um dos principais problemas observados nesta cultura é a incidência de doenças durante todo o ciclo – Créditos Shutterstock

O pimentão (Capsicum annuum L.) é cultivado em todo território nacional, ocupando uma área aproximadamente de 13 mil hectares a cada ano, com a produção de 350 mil toneladas de frutos. O pimentão está entre as 10 hortaliças mais plantadas no Brasil.

Um dos principais problemas observados nesta cultura é a incidência de doenças durante todo o ciclo. As anormalidades provocadas por doenças se devem a microrganismos, tais como bactérias, fungos, nematoides e vírus, podendo, ainda, serem causadas por falta ou excesso de alguns fatores essenciais para o crescimento das plantas, tais como nutrientes, água e luz.

Uma das principais doenças que afeta o pimentão é a Phytophthora capsici, que provoca maiores perdas no verão, pois é favorecida por alta temperatura e umidade do solo.

Na cultura do pimentão, apesar dos avanços tecnológicos incorporados aos sistemas de produção, esta doença acarreta sérios problemas na produção e pós-colheita em todos os países produtores desta hortaliça, causando muitos prejuízos ao produtor.

O patógeno causa a murcha ou requeima do pimentão, bem como murchas e podridões de frutos em outras hortaliças solanáceas e em cucurbitáceas. Trata-se de um patógeno polífago, amplamente distribuído nos solos cultivados do Brasil, que ataca a planta a partir do solo infestado, sendo de difícil controle.

A doença é causada pelo fungo Phytophthora capsici, e se caracteriza pela podridão escura do colo ao redor do caule e ao nível do solo. Ataques intensos afetam as folhas, pois ocasionam podridão nas raízes e resultam na murcha repentina da planta.

Silício contra Phytophthora

A deposição de silício (Si) na cutícula das folhas aumenta a resistência das plantas às doenças e ameniza os efeitos de estresses de natureza biótica e abiótica. O Si é depositado, com maior frequência, nas regiões da epiderme foliar junto às células-guarda dos estômatos e outras células epidérmicas.

O acúmulo de sílica nos órgãos de transpiração leva à formação de uma dupla camada de sílica, logo abaixo da epiderme, agindo como barreira mecânica contra a invasão de fungos e insetos.

Fertilizantes e corretivos à base de silício estão entre os produtos citados na literatura como indutores desta resistência. A indução de resistência nas plantas é uma estratégia de manejo que pode provocar mudanças tanto na qualidade como na quantidade de compostos que atuam no metabolismo secundário, tais como as proteínas de defesa, acúmulo de oxigênio reativo, além de favorecer a qualidade nutricional do alimento e reforçar as barreiras estruturais da planta.

A indução de resistência envolve a ativação de mecanismos de defesa latentes existentes nas plantas em resposta ao efeito de agentes bióticos ou abióticos. Resultados recentes de pesquisa sugerem que, em plantas de pepino, o Si age no tecido hospedeiro provocando uma ativação mais rápida e extensiva dos mecanismos de defesa da planta.

No entanto, o produtor não deve esquecer de que os meios de controle mais eficientes desta doença são:

ð Utilizar cultivares nacionais e resistentes;

ð Plantar apenas sementes sadias;

ð Produzir mudas em substrato estéril;

ð Manter sempre a mesma profundidade após o transplantio da muda;

ð Controlar a irrigação e a drenagem;

ð Não praticar a amontoa;

ð Efetuar rotação de cultura com poáceas;

ð Pulverizar o colo da muda com fungicidas sistêmicos específicos.

Manejo

Créditos Shutterstock
Créditos Shutterstock

As doses de Si a serem aplicadas no solo dependem da reatividade da fonte utilizada, do teor de Si no solo e da cultura considerada. Estudos indicam que doses variando de 1,5 a 2,0 t ha-1 de silicato de cálcio são eficientes. Para solos já corrigidos a dose de silicato não deve ser superior a 800 kg ha-1.

Uma boa alternativa é a aplicação do material fertilizante, utilizando doses menores no sulco de plantio. Outra forma de aplicação é a foliar, com o intuito de fornecer e equilibrar na cultura a relação do silício.

Custo

O custo da aplicação é variável, conforme a fonte utilizada e a forma de aplicação. Geralmente a aplicação do silício no solo fica em torno de R$ 60,00. Já para a aplicação foliar, ou via fertirrigação, o custo é mais baixo.

Os efeitos benéficos do Si para as plantas estão relacionados, principalmente, ao aumento da resistência ao ataque de insetos-praga, nematoides ou doenças e à redução na taxa de transpiração por meio do controle do mecanismo de abertura e fechamento estomático, o que proporciona maior tolerância à falta de água nos períodos de baixa umidade do solo.

Portanto, o uso regular de produtos à base de silício nas oleráceas pode aumentar a qualidade do produto final e, consequentemente, favorecer um maior retorno econômico.

 

Participe do Nosso Canal no WhatsApp

Receba as principais atualizações e novidades do agronegócio brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pesquisar

Últimas publicações

1

Novo combo de uvas tintureiras reforça produção de sucos e vinhos brasileiros

2

Dicas para fazer uma horta doméstica no feriado

3

Aquishow Brasil 2026 volta a Uberlândia (MG) para fomentar a piscicultura no Triângulo Mineiro e região

4

Fungo amazônico pode controlar doenças agrícolas e gerar novos antibióticos

5

Uso de bioinsumos eleva em mais de 8% a produtividade da soja no Paraná

Assine a Revista Campo & Negócios

Tenha acesso a conteúdos exclusivos e de alta qualidade sobre o agronegócio.

Publicações relacionadas

A BRS Antonella apresenta alto potencial produtivo, com produtividade semelhante ou superior às cultivares tradicionais mais plantadas. Foto: Patrícia Ritschel

Novo combo de uvas tintureiras reforça produção de sucos e vinhos brasileiros

FRUIT_2026_INDY5683-166 (1)

MAPA e Apex destacam potencial da Fruit Attraction São Paulo para dar visibilidade global à fruticultura brasileira

1155 AGRICOLA B (Pequeno)

Produção de morango reforça protagonismo da agricultura familiar

imagem_2026-02-10_150047365

Agrocinco e Embrapa: parceria impulsiona inovação e produtividade no campo