Sementes piratas invadem lavouras brasileiras

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Publicado em 18 de dezembro de 2015 às 07h00

Última atualização em 18 de dezembro de 2015 às 07h00

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De toda a safra de soja plantada, estima-se que 45% seja advinda de sementes sem certificação, ou seja, sementes próprias ou piratas

 

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Ainda que a qualidade da semente escolhida seja essencial para o sucesso da lavoura, no Brasil há um longo caminho a se percorrer para conscientizar todo o setor agropecuário. De toda a safra de soja plantada, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) estima que quase metade (45%) seja originada de sementes piratas.

Isso porque o produtor ainda acredita estar fazendo economia ao adquirir esse tipo de semente, o que não é real, já que geralmente o material sem certificação perde em qualidade e produtividade.

José Américo Pierre Rodrigues, presidente da Abrasem ” Associação Brasileira de Sementes e Mudas, informa que a região sul, principalmente o Rio Grande do Sul, e alguns pontos da região centro-oeste, são os principais problemas.“Nota-se uma crescente incidência de doenças (mofo branco, nematoides, cancros, etc.), e uma baixa produtividade“, pontua.

Para Carlos Ernesto Augustin, presidente da Aprosmat, “o Sul está à frente da pirataria pela facilidade de produzir sementes em clima frio. Há um volume de sementes salvas e/ou piratas maior do que a região centro-oeste em função da facilidade de fazer a produção com pouco equipamento“, justifica.

Prejuízos

Os principais prejuízos deixados pelas sementes piratas são fitossanitários (doenças), além de sementes com baixa germinação e vigor, gerando baixas produtividades.

Para Carlos Augustin, a semente pirata tem menos controle de qualidade, e com ela o agricultor comete uma série de irregularidades: prejudica a agricultura e pode contaminar fitossanitariamente uma região, além de partir para o lado criminoso, sujeito a sofrer processos judiciais.

Além dos problemas de baixa qualidade das sementes e outros já mencionados, outro prejuízo importante ressaltado por José Américo é a não remuneração da pesquisa. Sem o recolhimento de royalties sobre as sementes certificadas, as empresas têm sua capacidade de investimento em pesquisa muito reduzida, o que pode ocasionar uma diminuição no lançamento de novas cultivares e tecnologias, afetando o desempenho do nosso agronegócio. Além disso, a questão da sonegação de impostos também é importante.

Ao adquirir sementes certificadas, além da garantia de ter um produto de altíssima tecnologia, sem incidência de doenças e de elevada produtividade, o agricultor tem a garantia de ter adquirido sementes legalmente estabelecidas. Caso ocorra qualquer tipo de problema com elas, há a quem recorrer. Além disso, as empresas de sementes oferecem assistência técnica e levam informações sobre as mais diversas cultivares disponíveis no mercado, novos produtos e tecnologias, etc.

É nítida a disparidade nos índices de produtividade média das lavouras entre os Estados que têm maior e menor adoção da tecnologia. No Rio Grande do Sul, citada como exemplo por José Américo, a produtividade média da soja ainda é em torno de 40 sacas por hectare. “Nas regiões que adotam mais tecnologia, como Centro-Oeste, chega-se a 70 sacas por hectare de média“, compara.

No site da Abrasem (www.abrasem.com.br) está disponível um sistema de denúncias, online, totalmente anônimo, para enviar a denúncia que, posteriormente, será encaminhada ao MAPA para as providências cabíveis, em nome da ABRASEM. Outrocaminho seria realizar essa denúncia diretamente ao MAPA, via Ouvidoria.

Essa matéria você encontra na edição de dezembro 2015 da revista Campo & Negócios Grãos. Adquira já a sua.

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