Sanidade animal representa menos de 0,4% do preço do boi

Levantamento do Sindan aponta que o investimento em tratamentos preventivos, fundamentais para a produtividade e sustentabilidade na pecuária, é ínfimo em relação aos preços atuais de venda do boi
Acompanhe tudo sobre #Agricultura, Custos de produção, Pecuária, preço do boi, sanidade animal e muito mais!
Vacinas importantes como a da raiva e brucelose custam menos de R$ 6 a dose. Crédito: FreePik.

A pecuária é um negócio bilionário no Brasil. Uma projeção recente do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP) indica que o PIB do segmento em 2024 será de R$801 bilhões. Os investimentos necessários para garantir a saúde animal, no entanto, são baixos, ainda mais quando comparados ao impacto financeiro que uma doença pode ter em todo o rebanho, se mostram baixos. De acordo com um levantamento do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), este custo representa cerca de 0,4% dos custos dos pecuaristas brasileiros.

Atualmente, a vacinação contra raiva, uma doença que pode dizimar grandes rebanhos, custa entre R$1 e R$1,20 por dose aos pecuaristas. Cada animal precisa de uma dose inicial e outra de reforço 30 dias depois, seguida de uma aplicação anual. Assim, em um rebanho de 100 animais, o produtor gasta em média R$300 no primeiro ano – valor que cai a R$100 nos anos seguintes.

Vacinas importantes como a da raiva e brucelose custam menos de R$ 6 a dose. Crédito: FreePik.

Já as vacinas clostridiais, que protegem contra doenças bacterianas que atingem o intestino dos animais, têm um custo por dose que varia de R$1,50 a R$2, com o mesmo esquema de doses de reforço e aplicação anual da imunização contra a raiva. Outro exemplo importante é a vacina contra brucelose, zoonose causada por bactérias, que é aplicada apenas nas fêmeas entre 3 e 8 meses de vida, em dose única, custando entre R$4 e R$6. Obrigatória, essa vacina garante a prevenção de uma doença que pode impactar diretamente a reprodução do rebanho e as margens do produtor.

Emílio Salani, vice-presidente Executivo do Sindan, reforça a importância do investimento em medicamentos e vacinas de qualidade. “Costumo falar que as vacinas são uma forma de “seguro” para os produtores. É um investimento acessível que protege a produtividade e o bem-estar dos animais. A longo prazo, é muito positivo ao produtor, tanto no ponto de vista econômico quanto na questão da sustentabilidade”, afirma.

De acordo com o levantamento PPMA (Produção da Pecuária Municipal), do IBGE, os municípios brasileiros tiveram um efetivo de 238,6 milhões de cabeças de gado em 2023. O setor dos ruminantes só foi inferior aos galináceos, com 263,5 milhões de aves.

Além das vacinas, os antiparasitários também desempenham um papel crucial na saúde animal. Produtos que controlam a infestação de parasitas externos e internos, com a média de 4 aplicações anuais, custam em média R$9 reais ao ano por cabeça para o produtor.

Considerando o preço da arroba do boi a R$ 325 ( valor em 7 de novembro), o peso médio dos animais de 500 kg (17 arrobas), o custo anual com saúde animal, incluindo vacinas e antiparasitários, é estimado pelo Sindan em R$ 20 por cabeça/ano, o que representa cerca de 0,4% do total do valor final do animal. Tal investimento é fundamental na pecuária moderna, já que garante a produtividade, sustentabilidade e bem-estar dos animais, além de reduzir os riscos econômicos associados a doenças e parasitas.

Segundo Salani, os baixos custos dos medicamentos e vacinas são evidentes principalmente quando comparados aos riscos que doenças e parasitas podem trazer para o rebanho. “Em um cenário onde um produtor tem um rebanho de 100 bovinos, o gasto com vacinas e antiparasitários representaria uma fração minúscula dos custos anuais de operação. É essencial que a indústria veterinária seja valorizada em meio aos grandes produtores”.

Participe do Nosso Canal no WhatsApp

Receba as principais atualizações e novidades do agronegócio brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pesquisar

Últimas publicações

1

Embrapa apresenta batata-doce biofortificada e de alta produtividade

2

Exposição BRASIS Cafés de Origem estreia em Franca e seguirá para seis cidades celebrando a identidade e a excelência das regiões cafeeiras do Brasil

3

Alto Paranaíba, Triângulo e Noroeste se mobilizam para criar barreira sanitária contra doença da laranja

4

PI AgSciences é destaque no Agromax e no Sagra Show em Mato Grosso

5

Femagri 2026 começou nesta quarta-feira com foco em tecnologia e negócios no campo

Assine a Revista Campo & Negócios

Tenha acesso a conteúdos exclusivos e de alta qualidade sobre o agronegócio.

Publicações relacionadas

Divulgação
O Greening atinge o floema das plantas cítricas, reduz produtividade e qualidade do fruto

Alto Paranaíba, Triângulo e Noroeste se mobilizam para criar barreira sanitária contra doença da laranja

Foto: Isabele Kleim, Divulgação

Produtores de leite enfrentam início de ano difícil, mas setor projeta reação nos próximos meses

Missão vai conhecer as técnicas de irrigação na Califórnia, EUA.
Divulgação

ABID promove missão técnica para a Califórnia

Crédito-Arquivo.

Indústrias de alimentos enfrentam pressão de custos com novo ciclo de volatilidade no açúcar e no cacau