Recorde nas exportações do complexo soja brasileiro em 2022

Volume geral do complexo soja brasileiro a ser embarcado em 2022: 96,65 milhões de toneladas, o que representaria uma queda de 8,0% ante o ano passado, quando foram exportadas 105,03 mi de t.

Publicado em 31 de maio de 2022 às 14h37

Última atualização em 31 de maio de 2022 às 14h37

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Análise realizada pela Consultoria DATAGRO projeta forte retração no volume geral do complexo soja brasileiro a ser embarcado em 2022: 96,65 milhões de toneladas, o que representaria uma queda de 8,0% ante o ano passado, quando foram exportadas 105,03 mi de t.
 

Para chegar a esse total, estima-se que o Brasil embarque 78,0 mi de t de soja em grão, o que significaria baixa de 9,4% ante o montante embarcado em 2021; para o óleo de soja, 1,15 mi de t, que, caso seja confirmado, seria 30,6% aquém do volume exportado na temporada anterior. Contudo, prevê-se uma alta de 1,4% nas exportações do farelo: 17,50 mi de t, contra 17,26 mi de t no ano passado.
 

Um dos fatores de limitação é a confirmação de safra modesta em 2022, avaliada atualmente em 124,72 milhões de toneladas, abaixo das 138,81 mi de t colhidas em 2021. A despeito do aumento da área em 5% e do positivo padrão tecnológico utilizado nas lavouras, o ano foi de comportamento muito irregular no clima, especialmente com a falta de chuva em boa parte da região Centro-Sul.
 

“Apesar dessa retração no volume total a ser embarcado, teremos forte avanço nos preços médios, devendo levar o País a expressivo ganho na receita total obtida nas exportações do complexo soja brasileiro em 2022”, destaca Flavio Roberto de França Junior, coordenador de Grãos da DATAGRO.
 

Depois das vendas recordes de US$ 48,160 bilhões em 2021, a projeção atualizada aponta para avanço de 9,3% neste novo ano, para US$ 52,635 bi. Seriam US$ 42,510 bi decorrentes das vendas de soja em grão, 9,8% a mais ante o ano anterior; US$ 8,400 bi vindos das comercializações de farelo (+13,6%); e US$ 1,725 bi das vendas de óleo, recuo de 15,2% sobre 2021.
 

“O quadro de preços mais firmes se deve à retração nos estoques mundiais e dos Estados Unidos na temporada 2020/21, à confirmação da safra maior, mas com perdas novamente expressivas no país norte-americano em 2021/22, às volumosas perdas de produção na safra 2022 da América do Sul, e pelo advento da guerra entre Rússia e Ucrânia, trazendo preocupações com a chance de desabastecimento global de milho, trigo e óleo de girassol”, analisa França Junior.
 

Essa obtenção de maior receita deve contribuir fortemente para novo recorde nas exportações totais do Brasil, estimadas em US$ 349,000 bi. Projeta-se que o complexo soja contribua com 15,1%.
 

China domina compras, mas perde participação em 2022
  No primeiro quadrimestre deste ano, os embarques brasileiros de soja para a China somaram 22,28 mi de t, leve recuo sobre o ano anterior, quando foram exportadas 22,60 mi de t. “A leve retração reflete a manutenção do acordo comercial entre Estados Unidos e China, que multiplicou a demanda pelo produto norte-americano nesses últimos três anos”, explica França Junior.

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