Pimenta-do-reino em Minas Gerais avança nos Vales do Mucuri e Jequitinhonha

Emater-MG incentiva a cultura e promove capacitação para fortalecer a cadeia produtiva da especiaria.
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A produção de pimenta-do-reino em Minas Gerais vem ganhando espaço nos Vales do Mucuri e Jequitinhonha, impulsionada pelo trabalho de assistência técnica da Emater-MG e pelo interesse de agricultores familiares em diversificar suas fontes de renda.

A cultura já está consolidada em municípios como Ataléia, Novo Oriente de Minas, Teófilo Otoni e Águas Formosas, onde as condições climáticas favorecem o desenvolvimento da especiaria e têm atraído cada vez mais produtores.

Pimenta-do-reino em Minas Gerais se adapta ao clima da região

Segundo o coordenador regional de Culturas da Emater-MG, Sandro Rodrigues da Silva, a pimenta-do-reino apresenta boa adaptação às regiões mais quentes do estado.

Embora o Espírito Santo seja responsável por cerca de 60% da produção nacional e lidere as exportações brasileiras da especiaria, produtores mineiros vêm encontrando na cultura uma alternativa para complementar a renda obtida com outras atividades agrícolas e pecuárias.

“A cultura se adapta bem ao clima quente da região. Os agricultores que plantaram têm gostado da cultura”, afirma Sandro.

Zoneamento fortalece a produção de pimenta-do-reino em Minas Gerais

Um dos desafios atuais para a expansão da atividade é a inclusão da cultura no Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC).

A ferramenta, desenvolvida pela Embrapa com apoio de informações fornecidas pela Emater-MG e pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), é fundamental para reduzir riscos relacionados ao clima e facilitar o acesso dos produtores ao crédito rural e ao seguro agrícola.

De acordo com a Emater-MG, o avanço desse processo poderá estimular novos investimentos e ampliar a área cultivada na região.

Eventos técnicos impulsionam a pimenta-do-reino em Minas Gerais

Recentemente, a Unidade Regional da Emater-MG em Teófilo Otoni promoveu um simpósio e um Dia de Campo dedicados à cultura.

Os eventos reuniram produtores rurais de diversos municípios para discutir aspectos relacionados ao plantio, manejo e comercialização da especiaria.

A programação contou com palestras ministradas por especialistas da Emater-MG, da Emater-Pará e da empresa paraense Tropoc.

Segundo Sandro Rodrigues da Silva, a iniciativa teve como objetivo fortalecer a cadeia produtiva da cultura no estado por meio da troca de experiências e da disseminação de conhecimento técnico.

Mercado da pimenta-do-reino em Minas Gerais oferece oportunidades

Além das orientações agronômicas, os participantes também receberam informações sobre mercado e comercialização.

De acordo com a Emater-MG, a pimenta-do-reino possui ciclos de valorização, mas costuma apresentar boa rentabilidade para os produtores.

Atualmente, o quilo da especiaria é comercializado por cerca de R$ 26. Em outros períodos, os preços já oscilaram entre R$ 7 e R$ 40 por quilo, dependendo das condições de oferta e demanda.

Produtores ampliam investimentos na pimenta-do-reino em Minas Gerais

A agricultora Dionísia Jardim, do município de Ataléia, iniciou o cultivo da especiaria há três anos e afirma estar satisfeita com os resultados obtidos.

Atualmente, ela possui aproximadamente sete mil pés em produção, distribuídos em uma área de cerca de um hectare.

Segundo a produtora, a cultura apresenta desempenho superior ao de outras atividades tradicionais da região.

“A pimenta-do-reino se adapta bem à nossa região, até melhor que o café. Hoje tenho sete mil pés em produção e pretendo ampliar a área”, relata.

Para Dionísia, a capacitação promovida pela Emater-MG é um fator importante para incentivar novos produtores e ampliar a produção regional.

Pimenta-do-reino em Minas Gerais mira mercado internacional

A comercialização da produção regional também apresenta perspectivas positivas.

Segundo os produtores, há interesse de empresas em ampliar a estrutura de compra e beneficiamento na região, fortalecendo Teófilo Otoni como polo produtor da especiaria.

Outra meta dos agricultores é a criação de uma cooperativa para facilitar o acesso aos mercados externos.

Atualmente, a produção dos Vales do Mucuri e Jequitinhonha é enviada para o Espírito Santo, de onde segue para compradores da Europa, Estados Unidos e países da Ásia.

O Brasil ocupa posição de destaque no mercado global, sendo o segundo maior produtor mundial de pimenta-do-reino, atrás apenas do Vietnã. Cerca de 90% da produção nacional é destinada à exportação.

Pimenta-do-reino em Minas Gerais amplia alternativas de renda

Com boa adaptação climática, demanda internacional consistente e potencial de rentabilidade, a pimenta-do-reino em Minas Gerais vem se consolidando como uma alternativa promissora para agricultores familiares dos Vales do Mucuri e Jequitinhonha.

O trabalho de assistência técnica, capacitação e organização da cadeia produtiva pode contribuir para ampliar ainda mais a participação mineira em um mercado que segue aquecido no cenário internacional.

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